Definição dos termos: Dado, Informação e Conhecimento.

Dado

DADO (1)

Em Informática dado é a representação convencional, através de descodificação, de uma informação de modo a permitir o tratamento electrónico. Dado seria, assim, o código numérico correspondente a cada palavra das línguas naturais. Aceite esta acepção, em Ciência da Informação dado e informação são sinónimos, pelo que se torna um conceito redundante ou inútil.

DADO (2)

Em Ciência da Informação serve para significar o impulso ou vibração física, electro-magnética, sísmica, etc. que através de dispositivos tecnológicos específicos são convertidos em representações gráficas (informação). Nesta acepção dado e informação são distintos.

Informação

No âmbito da Ciência da Informação trans e interdisciplinar que propomos e defendemos tem uma dupla funcionalidade semântica. Refere um fenómeno humano e social que compreende tanto o dar forma a ideias e a emoções (informar), como a troca, a efectiva interacção dessas ideias e emoções entre seres humanos (comunicar). E identifica um objecto científico, a saber: conjunto estruturado de representações mentais e emocionais codificadas (signos e símbolos) e modeladas com/pela interacção social, passíveis de serem registadas num qualquer suporte material (papel, filme, banda magnética, disco compacto, etc.) e, portanto, comunicadas de forma assíncrona e multi-direccionada. Um objecto científico assim concebido demarca-se claramente da tendência que se foi generalizando, a partir de meados de novecentos, de espalhar o conceito da imprensa à biologia e das definições que se multiplicaram sob a égide da teoria matemática da transmissão de sinais, genérica e abusivamente conhecida por teoria da informação, de Shannon e Weaver, não obstante todo um esforço feito para aplicá-la com proveito no campo das Ciências Sociais e mais especificamente nas Ciência da Comunicação. Mas, como advertiu, implicitamente, Anthony Wilden a dimensão simbólica e humana do conceito Informação não é redutível à dimensão física e quantitativa, à qual se refere a teoria de Shannon. Relacionar a existência de informação com a redução da incerteza não permite captar a complexidade introduzida pelas ambiguidades do sentido e da interpretação que estão no âmago do fenómeno info-comunicacional.

Conhecimento

Em Filosofia e desde os gregos, os problemas do conhecimento ganharam relevo e acuidade, mas só a partir de Kant é que se admitiu que o estudo do conhecimento fosse capaz de dar impulso a uma “disciplina filosófica especial" através da constituição e consagração progressiva da “teoria do conhecimento". À luz da teorização acumulada é possível identificar vários núcleos essenciais, a saber: a fenomenologia do conhecimento ou a descrição do fenómeno do conhecimento; a questão da possibilidade do conhecimento; a questão do fundamento do conhecimento; e a questão das formas do conhecimento.
Destes núcleos o primeiro é que parece estimular mais a generalizada e simplificada distinção entre conhecimento e informação, criando um fosso intransponível entre ambos, mas permite, também, que alguns, ainda muito poucos, ousem ressignificar informação de maneira a torná-la sinónimo de conhecimento válido e falso. Sendo um mentefacto a informação mescla-se com a capacidade humana de conhecer (descobrir, compreender, dar forma a raciocínios, impressões, interrogações, etc.) através do conceito crucial de representação mental e emocional.
À Ciência da Informação não interessa especialmente o debate sobre as condições do conhecimento verdadeiro, mas sim uma dupla e decisiva análise: sobre a produção de conhecimento/informação mental e emocionalmente elaborados, antes mesmo de se externalizar e materializar fora do sujeito cognoscente, ou seja, antes de se tornar documento (no sentido comum e reducionista, que exclui o corpo humano da condição básica de primeiro e fundamental suporte ao pensar, ao reflectir, ao conhecer, ao informar humanos); e sobre o êxito ou o insucesso da recepção do conteúdo registado em ou através de qualquer suporte. É por este ponto, com múltiplas e complexas pontas, que adquire relevância a distinção entre conhecimento (ou informação) e documento, considerada um turning point crucial para a Ciência da Informação que defendemos e propomos com interessantes implicações. Uma delas é a revisão crítica da célebre afirmação de George Steiner: Nunca como agora, tivemos tanta informação e tão pouco conhecimento. Talvez um outro aforismo seja mais apropriado e exacto: Nunca como agora, tanta documentação correspondeu, inversamente, a tão pouca informação nova e melhorada. Com efeito, multiplica-se por força, entre outros factores, do mimetismo psicossocial e do stress concorrencial dos mídia, a reprodução do conteúdo (informação) registado nos suportes sem pausas, nem crítica capazes de provocarem a separação do conteúdo do continente e a maturação interna com vista a uma (re)criação informacional fecundadora.
Não se chega a assimilar e a transformar essa informação/conhecimento veiculado pelo documento, caindo-se, assim, numa disfunção grave que designaremos de documentopatia, disfunção já não confinada ao papel, mas patente noutras técnicas de registo e difusão, como a radiofonia, a televisão e a impactante e actualíssima Internet.

Dicionário Eletrônico de Terminologia em Ciência da Informação. Vitória, E.S.: Porto: DCI – CCEJ da UFES, SAJCC da FLUP – CETAC.Media, 2007. [Consultado em: 20/10/2008]. Disponível na www: < URL: http://www.ccje.ufes.br/dci/deltci>.

 

 


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