Minimalismo digital: um movimento contracultura na era hiperconectada


Nossa sociedade é feita e refeita de consensos e dissensos. Temos visto movimento anti-trabalho nos Estados Unidos em busca de recuperação de direitos e melhores condições de emprego. No campo da vida social e da tecnologia, há um movimento de minimalismo digital. Na matéria “'Aproveitar a vida real': o movimento para abandonar os smartphones”, há relatos de pessoas que por livre escolha estão abandonando os celulares que nos mantêm conectados, disponíveis e ao mesmo tempo tão sobrecarregados e ansiosos. Carl Newport, no livro Minimalismo Digital – Para Uma Vida Profunda em um Mundo Superficial, propõe a força desse movimento. Apesar de ser menos radical e entender a necessidade e até a validade dos smartphones e da vida conectada à Internet e às redes sociais, o autor nos provoca a fazer um uso consciente e quase “profissional” do tempo que passamos on-line.

“Minimalistas digitais estão ao nosso redor. São pessoas tranquilas e felizes, que estendem longas conversas sem olhares furtivos para seus smartphones. Eles se perdem num bom livro, em um projeto de carpintaria ou em uma corrida matinal sem pressa. Divertem-se com amigos e familiares, sem o desejo obsessivo de documentar a experiência. Eles se informam sobre as notícias do dia, mas não se sentem oprimidos por elas. Não experimentam um “medo de perder alguma coisa”, porque já sabem quais atividades dão significado a suas vidas e lhes satisfazem”.

Nesse trecho do texto da orelha da capa do livro, podemos identificar como age um minimalista digital. Durante a leitura, Newport nos diz como fazer a nossa faxina digital. O procedimento consiste em ficar um mês sem utilizar redes sociais para lazer (ele não aconselha ninguém a deixar de responder e-mails e nem negligenciar atividades de trabalho e estudo realizadas por meios digitais). Após esse período de “detox”, você terá mais clareza para definir quais redes sociais deseja manter ou não. Para além disso, outro insight importante trazido é a ação de fazer atividades menos automáticas e sem profundidade em seus momentos de lazer. Por exemplo, em vez de pegar aqueles minutos de pausa do trabalho para rolar o feed de uma rede social e nem lembrar do que viu, marcar uma chamada ou encontro com um amigo.

 

Referências:

BEARNE, Suzanne. 'Aproveitar a vida real': o movimento para abandonar os smartphones. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-60113354.

NEWPORT, Carl. Minimalismo Digital. Rio de Janeiro. Alta Books, 2019.


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