Aula 25/04 - Metaverso: primeira imersão


A aula do dia 25/04 iniciou-se com uma conversa sobre o conteúdo dos artigos resenhados pela turma - evolução e estado da arte da disponibilidade, acesso e produção de informação na internet e as competências cognitivas correlatas - e alcançou um debate acerca dos pontos positivos e negativos do desenvolvimento tecnológico e, neste sentido, das perspectivas do futuro próximo. Um dos tópicos abordados foi o metaverso, de modo que, propomo-nos a buscar e apresentar uma definição, assim como o posicionamento de instituições nacionais de ensino e pesquisa em relação ao mesmo.

Compartilhamos, primeiramente, um dos aspectos que mais no chamou atenção ao pesquisar sobre este recurso que se pretende revolucionário, qual seja, ter sido criado ainda na década de 1980 e ter voltado a destacar-se, sobretudo, depois que Mark Zuckerberg - dono do Facebook, WhatsApp e Instagram - renomeou a holding das empresas de “Meta” e nele vem investindo.

O termo metaverso designa um ambiente que agrega experiências tanto no ambiente virtual quanto no concreto e que faz uso de tecnologias como internet, realidade aumentada, realidade virtual, realidade mista, 3D, criptomoedas, NFT (token não-fungível) e, conforme destacado em aula, video games. Trata-se de um espaço que pode ser qualificado como imersivo e interativo, para onde o usuário é transportado, participa dos mais variados eventos – jogos, reuniões, aulas, shows, etc. - e interage com outros usuários através de um avatar controlado por ele, enquanto se encontra, por exemplo, deitado em sua cama. Porém, todo esse universo precisa ser modelado e criado, sendo possível, e necessário, comprar terrenos e construir infraestrutura virtuais.

Para além de um espaço ou de um ambiente, o metaverso constitui-se em diferentes espaços interativos, em um ecossistema imersivo, no qual, entre as várias atividades já em desenvolvimento, e a serem aprimoradas, destacam-se as atividades educacionais. Impulsionadas pela demanda gerada pela pandemia do coronavírus e pelas vantagens de receber alunos e funcionários do mundo todo, dos atrativos visuais e interativos e de construir experiências que podem liberar o potencial da web 3.0, empresas e universidades da China, Estados Unidos, México e partes da Europa têm investido em treinamentos e cursos ministrados em realidade virtual.

Se nossas pesquisas em sites do governo federal (Ministério da Educação e Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia - IBICT) e por artigos na Base de Dados em Ciência da Informação (BRAPCI) foram pouco expressivas ou nulas, por outro lado, deparamo-nos com os fatos de que a FIA Business School (Fundação Instituto de Administração) já ministra cursos no metaverso, em salas de aula apropriadas, e que a Universidade de São Paulo tornou-se a primeira universidade pública brasileira nele presente, resultado da participação multidisciplinar em pesquisas e projetos anteriores – em blockchain, por exemplo – e mais diretamente de acordo de cooperação internacional com a United States of Mars (chamada Radio Caca - RACA). A USP recebeu da RACA seu primeiro NFT, ou seja, ganhou um “pedaço de terra virtual” no metaverso próprio desenvolvido pela United States of Mars (USM). Sob coordenação da Escola Politécnica, o projeto multidisciplinar fomentará o desenvolvimento de pesquisas relativas a diferentes aspectos do metaverso, incluindo as aplicações educacionais, sendo que o objetivo é construir uma réplica da USP, um ambiente para que as pessoas possam ver, acessar e interagir diretamente com a produção científica da Universidade.

Para finalizar, entre os desafios a serem enfrentados no desenvolvimento do metaverso em geral e de suas aplicações para o ensino em específico, aponta-se para a verba necessária, mão de obra qualificada para modelagem, formação dos professores, impacto psicológico das interações, regras de convivência e se a estrutura física que demanda será fornecida por redes descentralizadas ou monopolizada por algumas corporações.  

 

 

Referências:

ESCOLA POLITÉCNICA DA USP. USP será a primeira universidade pública brasileira no metaverso.

Disponível em: https://www.poli.usp.br/noticias/destaque-home/68662-usp-sera-a-primeira-universidade-publica-brasileira-no-metaverso.html. Acesso em: 06 jun. 2022;

EXAME. Universidades brasileiras já apostam no Metaverso para ensinar.

Disponível em: https://exame.com/tecnologia/universidades-brasileiras-ja-apostam-no-metaverso-para-ensinar/. Acesso em: 06 jun. 2022;

INSTITUTO DE ESTUDOS AVANÇADOS DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. O que são os tokens não fungíveis (NFT) no metaverso das redes descentralizadas. Disponível em: http://www.iea.usp.br/pesquisa/catedras-e-convenios/catedra-oscar-sala/ensaios/o-que-sao-os-tokens-nao-fungiveis-nft-no-metaverso-das-redes-descentralizadas-1. Acesso em: 06 jun. 2022;

JORNAL DA USP. Projeto multidisciplinar colocará a USP no metaverso. 

Disponível em: https://jornal.usp.br/atualidades/projeto-multidisciplinar-colocara-a-usp-no-metaverso/. Acesso em: 06 jun. 2022.

 

 


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