Primavera acadêmica - Seminário sobre Bases de Dados de Grandes Grupos Editoriais - Aula 10 - 30.05.2022
Postagem realizada em: 12/06/2022 às 10:36:55 - Última atualização em: 12/06/2022 às 11:47:36
Autor: Karina Pereira
A apresentação desse Seminário conversa muito com a postagem do Blog Milenar, que faz uma breve introdução sobre os Oligopólios de seis grandes empresas responsáveis pelas publicações científicas.
Gilberto Borges (2016) faz uma análise de um estudo de pesquisadores da Universidade de Montreal que conclui que a maior parte das publicações científicas do mundo são controladas por seis, das grandes editoras do mundo:
-
Reed-Elsevier
-
ACS
-
Springer
-
Wiley-Blackwell
-
Taylor & Francis
-
Sage
A partir desse estudo, Borges (2016) faz uma reflexão muito importante de que os grupos de pesquisa acabam se submetendo às vontades dessas grandes editoras, que por sua vez, se submetem ao desejo das grandes indústrias e corporações já que dependem diretamente de seus investimentos, como indústria farmacêutica, produção de vacinas entre outros.
Tendo em vista esse controle comercial e político do conhecimento, o movimento Primavera Acadêmica ficou conhecido por tomar a iniciativa de reivindicar espaços de publicações de acesso aberto que não sofram as interferências das oligarquias editoriais. (BARROS, 2012)
O posicionamento cresceu a partir de um texto publicado em blog pelo britânico Timothy Gowers, detentor da medalha Fields, maior honraria no campo da matemática. O texto, que conclama um boicote à editora acadêmica Elsevier, alcançou notoriedade na mídia e nas redes sociais no início de 2012 e motivou a criação do The Cost of Knowledge, um website que permite que outros acadêmicos e pesquisadores publiquem seus protestos e afirmem o compromisso de não apresentar manuscritos, revisar artigos ou fazer o trabalho editorial de periódicos, em particular aqueles publicados pelo conglomerado Elsevier. (BARROS, 2012, p. 366)
Outro ponto importante sobre a Primavera Acadêmica, se refere à própria carreira dos pesquisadores. O movimento luta pela publicação em acesso aberto, porém essas plataformas não possuem reconhecimento científico do qual a carreira acadêmica é pautada. Os periódicos continuam sendo de extrema importância, devido ao fator de impacto (desenvolvido por Eugene Garfield anos antes) que impulsiona e ajuda a divulgar tanto o nome do cientista e sua instituição, como também ajuda a angariar investimentos para outros projetos de pesquisa. (BARROS, 2012)
No Brasil, os periódicos são avaliados por uma nota Qualis que varia entre A1 e A2 que são as mais bem avaliadas até B1, B2, B3, B4, B5 e C. A CAPES é a organização responsável por fazer essas avalizações e disponibiliza na Plataforrma Sucupira um filtro no qual é possível pesquisar os periódicos por suas notas de avaliação.

REFERÊNCIAS
BARROS, M. A. de. A Primavera Acadêmica e o custo do conhecimento ?Academic spring and the cost of knowledge. Liinc em Revista, [S. l.], v. 8, n. 2, 2012. DOI: 10.18617/liinc.v8i2.486. Disponível em: https://revista.ibict.br/liinc/article/view/3366. Acesso em: 12 jun. 2022.
BORGES, Gilberto. Seis editoras controlam as publicações científicas mundiais. Milenar - Construindo um novo Amanhã, 2016. Disponível em: https://milenar.org/2016/02/16/seis-editoras-controlam-as-publicacoes-cientificas-mundiais/. Acesso em: 12 jun. 2022.