Aula 2: Palestra Principais Bases de Dados das Ciências da Saúde e das Ciências Duras - Prof. Dra. Elisabeth Adriana Dudziak (AGUIA - USP)


A atividade proposta para a segunda aula da disciplina foi referente à palestra da Profª Drª Elisabeth Adriana Dudziak, que apresentou a importância de considerar as constantes transformações e desafios de nossa área profissional, a ver especialmente as novas interfaces e possibilidades das bases de dados. 

Dudziak inicia sua fala apresentando a evolução da comunicação científica, antes realizada por meio de correspondências diretas entre cientistas e, após muito tempo, passou a ser realizada de modo diferente com o surgimento das revistas e bases e dados, que transformaram substancialmente o modo de fazer e compartilhar ciência. Apresenta também uma linha do tempo da utilização de índices e bases de dados científicos e, posteriormente uma linha do tempo das bases de dados bibliográficas e as inovações e recursos desenvolvidos e apropriados pela Universidade de São Paulo neste contexto, que influenciou diretamente a dinâmica do acesso à informação no Brasil. 

Foi realizada uma distinção entre catálogos online, bases de dados e metabuscadores, apresentando breves definições que clareiam o entendimento do tópico presente ao indicar que são, respectivamente, recursos voltados para a recuperação de informações em acervos e a localização de obras das prateleiras de bibliotecas ou disponíveis em meio eletrônico; “coleções organizadas de registros bibliográficos que fazem referência a documentos publicados”; e “sistemas de busca na web que permitem ao usuário realizar uma pesquisa simultânea em várias fontes de informação, incluindo catálogos, bases de dados e bibliotecas digitais”. Alguns especialistas podem se referir a catálogos como sinônimos para bases de dados em suas pesquisas mas, ainda que existam similaridades entre estes recursos, é essencial saber também indicar suas disparidades a fim de tirar o melhor proveito do entendimento de suas possibilidades e utilizá-los de forma correta e coerente quanto aos seus objetivos específicos. 

A Profª Drª indica também o cenário atual das bases de dados, suas diferenças, suas possibilidades e outras questões que podem auxiliar a utilização destes recursos na atualidade. Em seguida, apresenta os diferentes tipos de classificações das áreas de conhecimento, e volta o olhar para as classificações do CNPq, em relação ao índice geral de áreas. Voltando-se para o sistema AGUIA, o qual a pesquisadora trabalha, ela apresenta a divisão das áreas do conhecimento dentro do sistema de bases de dados da USP em três grandes áreas para melhor navegação entre os recursos: humanas, biológicas e exatas. 

Apresenta também as diferenças entre a classificação de áreas do Portal de Periódicos da Capes, que optou por uma divisão semelhante à observada pelo CNPq. Foi apresentada também a interface geral da Capes, e como buscar bases de dados por áreas do conhecimento.

Seguidamente, apresentam-se as bases de dados da Ciências da Saúde, e algumas de suas principais: Embase, Medline, Cochrane Library, BVS, UptoDate, Ageline, Primal Pictures e SciFinder. 

 

1. Embase

  • estudos de revisão sistemática -> essencial para a área da Medicina, pois proporciona o acesso a evidências para a área

  • protocolos clínicos 

  • avaliação de tecnologias em saúde

2. Medline

  • base abrangente

  • utiliza vocabulário controlado - MeSH (Medical Subject Headings)

  • utiliza níveis de hierarquização e relacionamento da informação para localizar citações, referências e artigos de interesse

  • a base mais utilizada mundialmente e uma das primeiras, o que a torna uma grande referência

3. Cochrane Library 

  • base que reúne e relaciona registros do Pubmed, da Medline e da Embase, além de outros registros derivados de outras fontes 

  • revisão sistemática

  • termos médicos

  • acessibilidade em idioma 

4. Ageline

  • base especializada em Gerontologia - área essencial de ser estudada para a atualidade

  • base mantida pela USP 

5. Portal Regional da Biblioteca Virtual de Saúde - BVS 

  • base aberta e gratuita - importante recurso para instituições que não possuem acesso à Capes

  • reúne bases de dados da BIREME

  • referência como fonte de informação em acesso aberto

6. UpToDate

  • não é uma base de dados bibliográficos

  • é uma ferramenta de “beira de leito”, importante para a prática das decisões médicas baseada em evidências

  • acesso rápido à uma série de recursos para acesso local em hospitais

7. Primal Pictures

  • base de dados de anatomia humana

  • disponibiliza figuras tridimensionais da anatomia humana construídas a partir do escaneamento de modelos reais do “projeto homem visível”, além de imagens derivadas de tomografia computadorizada e ressonância magnética

  • interessante para o ensino de anatomia 

8. SciFinder - Chemical Abstracts

  • Chemical Abstracts é uma das primeiras bases de dados, junto com a Medline 

  • acesso a informações de química orgânica, química inorgânica, físico química, química analítica e muitas outras temáticas

 

Posteriormente, apresentam-se algumas das principais bases de dados em Ciências Exatas e da Terra: ACM Digital Library, CAB Direct, Mathscinet, IOP Science, Geoscience World, JSTOR Science & Mathematics.

 

1. ACM Digital Library

  • base de dados de texto completo

  • coleção da área de ciências da computação

  • conteúdos fundamentais mas que são restritos a um público específico 

2. CAB Direct

  • agricultura, engenharia ambiental, medicina veterinária, ciência e tecnologia de alimentos e nutrição 

  • grande demanda

3. MathSciNet

  • não recupera apenas artigos como também livros revisados por pares de estudos matemáticos

4. IOPscience

  • estudos da física

  • relevante conteúdo histórico por se tratar de uma área muito importante

5. Geoscience World

  • área de geociências

  • base referencial de resumos

6. JSTOR Science & Mathematics

  • base de textos completos

  • ciências matemáticas e estatísticas

  • cobertura desde o ano de 1665 até 2011

 

Por fim, foram apresentados alguns repositórios de Preprints, ou seja, materiais ainda não publicados e revisados por pares, mas que são essenciais para o processa da comunicação científica, além de possibilitarem o compartilhamento rápido de informações científicas importantes sem que seja necessário esperar o processo da revisão por inteiro. Um exemplo da importância dos preprints pode ser a própria pandemia do coronavírus, que implicou na necessidade da publicação rápida de estudos em andamento para que fossem desenvolvidos diagnósticos sobre a situação global e respostas ao desenvolvimento de vacinas. Por outro lado, os Preprints, por serem documentos ainda não revisados por profissionais, também apresentam ameaças quanto à sua qualidade, integridade, consistência, metodologia, originalidade e outros aspectos da publicação. 


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