Aula 2 - O custo do conhecimento


Em 1984 o lançamento do primeiro computador individual, o Macintosh da empresa Apple Inc., levou à democratização do acesso à informatização pelo usuário final. Com o avanço da ciência, surgem diversos dispositivos inteligentes que visam facilitar a experiência de uso desse usuário, como os smartphones e tablets. No campo acadêmico a evolução da internet e da tecnologia também trouxeram ferramentas facilitadoras de acesso à artigos e pesquisas, como é o caso das bases de dados científicas. É fato que o acesso à internet acarreta no mais fácil acesso à informação. 

Grandes empresas como Elsevier, McGraw Hill, Springer, etc. vislumbraram o potencial econômico dessa ferramenta e, surgindo primeiramente como grupos editoriais, atualmente são holdings, empresas que possuem como atividade principal a participação acionária majoritária em uma ou mais empresas. Hoje em dia, a publicação nas bases de dados privadas mais conhecidas, como Nature e Science, são altamente disputadas: cada publicação é feita mediante o pagamento de uma taxa alta, do contrário, deve-se enfrentar uma fila de espera para que os artigos sejam publicados. Essas bases de dados comerciais também se sustentam através das assinaturas de acesso, que são caríssimas. Essa dinâmica de valor econômico das bases de dados envolve também uma relação de poder, afinal, ciência é informação e informação é poder. 

Em frente a este domínio acadêmico das bases de dados pagas que vem occorrendo desde anos 1970, diversos pesquisadores e cientistas tem se exposto a essa dinâmica e participado de movimentos a favor do acesso livre a periódicos, artigos e revistas acadêmicas, em oposição às editoras comerciais acadêmicas com fins lucrativos. Esse movimento, conhecido com "Primavera Acadêmica", teve seu início em 2012 com a publicação no blog do matemático britânico Timothy Gowers que invocava um boicote à Elsevier. O post motivou a criação do site The Cost of Knowledge, onde diversos pesquisadores e acadêmicos postam seus protestos ao domínio desses grupos no ramo da pesquisa científica, e também se comprometem em não realizar nenhum trabalho que envolva essas empresas.

Analisando criticamente essa questão financeira podemos perceber que, para as empresas editoriais acadêmicas, há uma forte ascensão do domínio monetário em detrimento do acesso à informação por parte da população como um total. Isto também coloca em exposição como informação e conhecimento realmente são sinônimos de poder, uma constatação que não deve ser tida somente como um mero clichê repetitivo. 

 

REFERÊNCIAS

COSTA, Fernando Nogueira da. Publicações Científicas: A Primavera Acadêmica. Blog Cidadania & Cultura, 2012. Disponível em: https://fernandonogueiracosta.wordpress.com/2012/02/16/publicacoes-cientificas-a-primavera-academica/

THE COST OF KNOWLEDGE. [The Cost of Knowledge]. Disponível em: http://thecostofknowledge.com/


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