Elaboração das resenhas críticas


PASSARELLI, B. Do mundaneum à web semântica: discussão sobre a revolução nos conceitos de autor e autoridade das fontes de informação. DataGramaZero, v. 9, n. 5, 2008. Disponível em: http://hdl.handle.net/20.500.11959/brapci/6370. Acesso em: 18 dez. 2021.

O artigo da professora Brasilina Passarelli começa por uma abordagem histórica que trata do futurismo de Paul Otlet, pioneiro da ciência da informação - chamada de documentação – buscou por concretizar o ideal do controle universal da produção intelectual humana. Para tamanho objetivo, elaborou o sistema de classificação de conhecimento CDU, baseando-se no CDD de Melvil Dewey. Otlet, advogado belga, junto de Henri LaFontaine criaram o ambicioso projeto da cidade do conhecimento que veio a ser projetado pelo Le Corbusier, célebre urbanista e arquiteto. O Mundaneum, museu que é inaugurado em 1910, segue a proposta de uma enciclopédia universal, que serviria, junto da “Cité Mondiale” – que não chegou a ser concretizada - como um depósito central de informações do mundo todo.

O “pai” da documentação influenciou as subsequentes pesquisas que dão fundamento ao surgimento da internet, influenciando pesquisadores que o sucederam no desenvolvimento de ferramentas para controle bibliográfico e acesso a informação. O vanguardista tem inúmeras contribuições como ter preconizado conceito de Hipertexto, criado termos como web of knowledge e link; e o Mundaneum, considerado a Internet em fichas de papel.

Partindo de tal referência faz a análise do percurso até os tempos contemporâneos da rede mundial de computadores, suas fases e peculiaridades. Define as três gerações da web que confluem para a web semântica. No início a ARPANET, após a guerra fria, década de 60, servia a propósitos militares dos Estados Unidos. Sendo desse tempo a invenção do IP (Internet Protocol) e HTTP (Hyper Text Transfer Protocol Secure). Theodoro Nelson cunhou o termo hypertext, suas ideias foram muito valiosas para o pesquisador Tim Berners-Lee que desenvolve a internet por volta da década de 90.

Berners-Lee criou a WWW (World Wide Web), seguindo um modelo aberto da internet como uma ferramenta acadêmica que permite aos cientistas compartilhar informações, baseando-se em noções possivelmente vindas da cultura hippie e da contracultura dos anos 60. A informação sendo trata com igualdade, onde todo tem o mesmo nível de acesso. Estabelecendo uma rede de comunicações horizontal em contraste com a hierarquia vertical que comanda as relações humanas no cotidiano.

Por consenso temos que a Web 1.0 é caracterizada por conteúdos de baixa interatividade; a geração Web 2.0, contemporânea, reconhecida pelas redes sociais e folksonomias; e a Web Semântica, também chamada de Web 3.0, é qualificada por haver maior capacidade de busca e auto reconhecimento dos conteúdos por meio de metadados. Sobre essa última geração, a professora Brasilina afirma que por mais que ainda não exista estamos nos caminhando para essa nova realidade, citando a linguagem RDF e plataformas que disponibilizam ferramenta de tags para indexação do conteúdo on-line pelos próprios usuários.

Um grande expoente nesse contexto é a Wikipédia, que escancara questões de atribuição de autoria e autoridades de fontes de informação em plataformas de acesso aberto. Essas problemáticas esbarram em problemas pois como esses conceitos de autoridade e autoria começam a tomar distância das formas de produção do conhecimento na web, ocasiona possíveis casos de violação de direitos autorais, plágio e diminui o nível de confiabilidade das fontes informacionais facilitado pela web.

A internet, e o hipertexto, permitiu um novo formato de comunicação não-linear e cada vez mais interativo do qual os usuários conseguem participar ativamente da construção desses espaços informacionais. É necessária elaboração de métodos que deem garantia sobre a credibilidade dos conteúdos informacionais da web, ao mesmo tempo em que é urgente o direito de disseminação. Ted Nelson, sugere a solução de uma licença chamada transcopyright para livre circulação de conteúdo online, que permite usar trechos de uma obra combinados com outros trechos de outras obras, contanto que tenham os links para os documentos originais.

A falta da revisão por pares (peer review) não deve condenar imediatamente a fonte. No caso da Wikipedia, por exemplo, após oficina que foi cedida pela professora Ivete, tivemos contato com a maneira que é tratado, revisado e requisitado as referências; além de anexar materiais informacionais de outros tipos, em adição aos textos, com intuito de manter a qualidade e enriquecer os artigos que são compartilhados publicamente. O caminho traçado pela Brasilina continua em andamento, para alcançarmos o possível o modelo da Web Semântica é necessário seguir com pesquisas de aprimoramento dos meios de busca e recuperação dos conteúdos; sem esquecer da verificação, com o auxílio de metadados, dos pormenores da produção de uma fonte de informação, como forma de juntar as necessidades informacionais dos usuários, o alto nível de interatividade sem perder qualidade e confiabilidade.

JUNQUEIRA, A; PASSARELLI, B. A Escola do Futuro (USP) na construção da cibercultura no Brasil: interfaces, impactos, reflexões. LOGOS 34 - O estatuto da Cibercultura, v. 34, n. 01, 2011. p. 62-75. Logos UERJ. Disponível em: http://www.logos.uerj.br/. Acesso em: 18 dez. 2021.

 O artigo da professora Brasilina Passarelli em conjunto do mestre e doutorando em Ciências da Comunicação, Antônio Hélio Junqueira, apresenta a análise do percurso do Núcleo de Pesquisa das Novas Tecnologias Aplicadas à Educação Escola do Futuro – NAP EF/USP que coincide com a história da Internet no Brasil. Tendo foco na pesquisa-ação, traz reflexões importantes sobre o legado do trabalho do núcleo, com exemplos dos projetos de intervenção em inclusão na literacia digital.

 Os seus métodos, teorias e práticas; justificados pela perspectiva sócio histórica, distingue- se em dois movimentos principais, observados na sociedade em rede: políticas e programas de inclusão digital e as diferentes maneiras de apropriação e produção de conhecimento na web. A literacia digital, um termo que não possui uma tradução exata para língua portuguesa, mas que deve ser entendida em sua multiplicidade como a capacidade dos indivíduos relacionadas ao intelecto voltadas para análise, avaliação e crítica.

O objetivo principal do artigo é a análise da cibercultura por meio da produção, circulação, apropriação, aplicação e compartilhamento da informação disponibilizada na web; fazendo uso da etnografia virtual como ferramenta teórica principal, que é composta da coleta, registro e interpretação dos dados pela reflexão crítica. No âmbito da ação, menciona programas que agem no sentido de reduzir a desigualdade social pela inserção na literacia digital. Destacando-se os projetos: Acessa SP; EntreMeios São Bernardo do Campo; Acessa Escola e Programa Rede São Paulo de Formação de Docentes – REDEFOR.

Conclui-se que o NAP e o Observatório da Cultura Digital, seu estágio atual desde 2007, acompanhou o desenvolvimento da cibercultura no Brasil, almejando também a construção da cidadania e do protagonismo digital, promovendo a integração de uso das tecnologias de informação e comunicação (TICs) para um público variado de cidadãos, como também docentes e alunos. A ciência elaborada por meio da pesquisa metódica permitiu desenvolver tais programas que geraram efeitos positivos socialmente. Os desafios continuam se atualizando e o trabalho de apurar os dados, interpretá-los e trazer compreensão para o fenômeno digital no Brasil ou sua ausência é uma tarefa que merece consideração pela notável atitude.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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