Literatura cinzenta: quando o problema é capacidade de diálogo


O seminário de literatura cinzenta 2021 apresentou um panorama bem amplo do assunto, inclusive do histórico do termo. Tendo em vista que essa disciplina foca os movimentos pré-Internet, parece certo afirmar que a literatura cinzenta ganhou valor de ouro em nossa economia da informação e que a rede mundial de computadores quebrou barreiras para que seu contéudo seja publicado e divulgado. Assim sendo, frente à pandemia de COVID-19 que o mundo enfrentou e ainda enfrenta, sem dúvida, nosso maior desafio se deu na falta de articulação e liderança. Mesmo dispondo de muito mais conhecimento científico e técnico sobre vírus e epidemias, o mundo patinou e milhares de vidas foram afetadas. Esse é o espírito do livro publicado no calor da hora pelo historiador Yuval Harari, em "Notas sobre a Pandemia": 

"A história indica que a proteção real vem da troca de informação científica confiável e de solidariedade global. Quando um país é atacado por uma epidemia deve estar disposto a compartilhar honestamente informações sobre o surto, sem medo de uma catástrofe econômica, ao passo que outros páises devem ser capazes de confiar naquela informação, dispondo-se a estender uma mão amiga em vez de deixar a vítima no ostracismo".

Como sabemos, quase dois anos depois do início da pandemia global, não foi isso que aconteceu. Os erros se deram em vários países, desde a aposta em imunidade de rebanho no Reino Unido, vacinação concentrada nos países europeus e mais ricos. Em nível nacional, assistimos o Ministério da Saúde retroceder e não divulgar informações sobre o andamento da evolução de casos e mortes em uma triste política de "o que os olhos não veem, o coração não sente". Com muito esforço, a imprensa e seus veículos de informação uniram-se para colher e divulgar o andamento da doença com as secretarias locais. 

Enfim, apesar dos avanços que tecnologias como inteligência artificial, automação e big data são capazes, dados por si só não resolvem tudo, tampouco deliberadamente ignorá-los e deixar de gerá-los é a resposta humana e aceitável para o século XXI. 


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