Resenha seminário 1 - Dicionários e Enciclopédias
Postagem realizada em: 18/10/2021 às 20:08:56 - Última atualização em: 18/10/2021 às 20:09:54
Autor: Nicole Bonassi de Oliveira
Título: Referenciável
O primeiro seminário apresentado à disciplina de Recursos Informacionais I, na edição de 2021, foi produzido pela aluna Hadassa Rodrigues, Gustavo Bastos e Jade Brandão, e trata das temáticas Dicionários e Enciclopédias. De maneira geral, foram expostos os pontos relacionados ao conceito de dicionário e enciclopédia, suas origens históricas, principais funcionalidades, composições e diferenciações, bem como foram relembrados alguns exemplos.
Visando a complementação do conteúdo da apresentação, destaca-se neste plano que os dicionários e as enciclopédias são reflexos da cultura de uma localidade, e que o seu compartilhamento internacional permite múltiplas trocas interculturais (informação verbal)1. A partir disso, foi ainda no século das luzes que os intelectuais perceberam o longínquo alcance que os verbetes destacados em grandes livros possuem, surgindo, em um período de ascensão popular do conhecimento, a corrente dos enciclopedistas, da qual célebres nomes como Voltaire, Montesquieu, Rousseau, Buffon e o barão D'Holbach fizeram parte (ENCICLOPEDISTAS, 2020, online), consolidando assim a produção.
Para ser mais exato, a participação dos grandes filósofos franceses na confecção da obra se refere à Encyclopédie da França, a enciclopédia tida como inicial, mas que gera controvérsias ao ser comparada com a Encyclopaedia Britannica, o modelo que soma mais de 200 anos de história e possui uma trajetória triunfal. O compilado britânico foi criado na Escócia por Colin Macfarquhar, Andrew Bell e William Smellie, em 1768 e, já no século XX, surge um serviço de pesquisa em biblioteca para engajar os usuários a utilizarem a enciclopédia, atraindo mais de 40 milhões de acessos mensais em seu sistema Merriam-Webster.com (OUR 250…, c2021, tradução nossa).
Mirando as novas tecnologias, antes de desativar os seus suportes físicos, a Britânica integra as suas atividades ao ambiente virtual, disponibilizando sites de consumo para dispositivos culturais e escolas, assim como os serviços de assinatura. Em 2010, foi publicada a última impressão da 15ª edição do documento, que contava com 32 volumes de 32.640 páginas, 8.500 fotografias, 65.000 artigos escritos por acadêmicos e vencedores do Prêmio Nobel e outras centenas de mapas, ilustrações e bandeiras (OUR 250…, c2021, tradução nossa). Porém, anos mais tarde, novas parcerias foram formadas com plataformas digitais, como o YouTube e extensões de outros aplicativos do Google, além de somar um contato maior com os setores educacionais, inspirando jovens e crianças a embarcarem no conhecimento (OUR 250…, c2021, tradução nossa).
Ademais, dedicando-se aos nichos didáticos e de produção digital, em 2012 a Enciclopédia Britânica decidiu cancelar a sua produção impressa, encerrando um ciclo de 244 anos (ENCICLOPÉDIA…, 2012). Mesmo assim, o legado construído pela fonte de reunião do conhecimento seguirá como referência por muitas gerações, haja vista que o seu conteúdo continua sendo publicado digitalmente e em uma era em que grande parte da população global tem acesso à internet, tornando ainda mais democrática a distribuição do saber.
Por último, ressalta-se que no Brasil não há a produção de uma enciclopédia própria, sendo utilizada então a Barsa, documentação que representa a tradução da Enciclopédia britânica para o português (informação verbal)2. A não produção do conteúdo em solo nacional evidencia a descredibilidade despejada sobre a pesquisa no país, haja vista que unir intelectuais para expor verbetes demanda investimentos nas áreas científicas, ação que infelizmente não faz parte dos costumes brasileiros.
NOTAS:
1 Informação verbal proferida pela Profa. Dra. Brasilina Passarelli, na disciplina de Recursos Informacionais I, em 18 out. 2021, período matutino.
2 Informação verbal proferida por Gustavo Bastos durante a apresentação do seminário Dicionários e Enciclopédias, na disciplina de Recursos Informacionais I, em 18 out, 2021.
Referências
ENCICLOPÉDIA Britânica anuncia fim da edição impressa após 244 anos. G1, 2012. Disponível em: http://g1.globo.com/educacao/noticia/2012/03/enciclopedia-britanica-anuncia-fim-da-edicao-impressa-apos-244-anos.html
ENCICLOPEDISTAS. In: WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. Flórida: Wikimedia Foundation, 2020. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Enciclopedistas&oldid=58412021>. Acesso em: 18 out. 2021.
OUR 250 Year Story. Enciclopaedia Britannica, c2021. Disponível em: https://corporate.britannica.com/250-anniversary/timeline/.
RODRIGUES, Hadassa; BASTOS, Gustavo; BRANDÃO, Jade. Dicionários e Enciclopédias. São Paulo, 2021. Apresentação em PowerPoint, color.