Resenha: “Do Mundaneum à WEB Semântica: discussão sobre a revolução nos conceitos de autor e autoridade das fontes de informação.”


Resenha: “Do Mundaneum à WEB Semântica: discussão sobre a revolução nos conceitos de autor e autoridade das fontes de informação.” por Brasilina Passarelli.

 

O texto apresenta as mudanças ocorridas nos conceitos de autor e autoridade ocorridas devida a nova realidade que se impõem na WEB. Historicamente sempre existiu quem se preocupasse em como armazenar o conhecimento acumulado, e isso se deu desde a antiguidade e apenas foi aprimorando e se adaptando as novas tecnologias e volume de conhecimento produzido. Um exemplo trazido por Passarelli é de Paul Otlet, este advogado belga sempre esteve preocupado com as questões que envolviam a organização do conhecimento, sendo considerado o pioneiro da Ciência da Informação.

Otlet possuía uma visão a frente do seu tempo, ele vislumbrou uma cadeira escolar que permitisse anotações na margem, tornando mais dinâmica a interação do usuário com a informação, possibilitando assim que este pudesse transformar em conhecimento. Outra questão que Otlet trouxe foi a de, no futuro, o usuário poder ter acesso a base de dados a distância “por meio de um telescópio elétrico conectado a uma linha telefônica, onde seria possível recuperar uma imagem facsímile a ser projetada em uma tela plana. Neste contexto ele cunhou os termos web of knowledge, link e repository of knowledge.” (PASSARELLI 2008, p. 03).  O papel de Paul Otlet na construção do que conhecemos hoje como Ciência da Informação, Documentação e Biblioteconomia é inegável.

Mais adiante no texto a autora mostra as três gerações da WEB, cada uma tendo em si sua característica que gradualmente foi levando a outra. Resumidamente pode-se dizer que a primeira geração (web 1.0) os conteúdos são mais engessados, não tem um alto nível de interatividade entre o conteúdo e o usuário, já na segunda geração (web 2.0) viu-se o surgimento das redes sociais e sites em que o usuário tem uma maior possibilidade de agregar ao conteúdo o seu valor pessoal e na terceira geração (web 3.0) observa-se o surgimento da web semântica, em que existe maior possibilidade de busca visto a melhor assimilação e recombinação dos metadados.

Contudo nem algumas dificuldades se apresentam. Brasilina aponta a falta de acordo nos protocolos dos metadados, o que pode gerar confusão e assim prejudicar o usuário de acessar a informação que procura. Uma maneira de tentar contornar tal dificuldade, por exemplo, é o uso de pessoas na Web Semântica, assim elas conseguem agregar valor à informação buscada, isso pode ser observado em iniciativas como a Amazon Mechanical Turk, composta por funcionários da própria Amazon, e a Google Image Labeler, onde pessoas são convidadas a indexar fotografias digitais segundo seu entendimento de valor.

Como mostra Sherry Turkle em ambientes virtuais existem diferentes identidades e pernonas e as estruturas abertas de softwares e conteúdos dão margem para o que ficou conhecido como autoria coletiva e cooperativa, o que evidencia a imensa alteração que a comunicação vem sofrendo, é muito interessante notar como isso vem acontecendo, em como as pessoas têm a chance de se tornarem protagonistas na construção do conhecimento. Em plataformas como a Wikipedia fica evidente a construção coletiva do conhecimento, e mesmo sendo algo construído a diversas mão, hoje, é possível mensurar os possíveis danos, a Passarelli mostra dados coletados pela revista Nature que deixam claro que mesmo erros acontecendo, o que é de se esperar, ainda assim não estão fora do comum (PASSARELLI 2008).

Outro aspecto de destaque do texto é quando fala do hipertexto, pois ele representa a possibilidade de construir uma narrativa não-linear, um link passando para outro aumentando a potência que a web traz em sua essência. Este aspecto é de extrema relevância na sociedade atual, visto esta se caracterizar devido sua instantaneidade, transitoriedade, interoperabilidade e interatividade. Como anteriormente alguns problemas podem surgir, ou na verdade essas dificuldades são apenas partes da mudança que estamos presenciando e ainda não pudemos nos acostumar a elas.

Jaron Lanier, um dos cabeças por trás do que conhecemos hoje como Inteligência Artificial, faz uma crítica importante sobre a Wikipedia, ao falar da morte do autor individual. Para Jaron a Wiki é uma ferramenta em que muitas vozes tem a possibilidade de contribuir, e muitas o fazem, contudo é quase que impossível identificar quem diz, e no cerne desta questão é como se o autor se não tivesse mais protagonismo, é como se somente a mensagem tivesse direito ao reconhecimento.

Por último gostaria de destacar a questão da confiabilidade das mensagens destas plataformas de contribuição coletiva. Artigos científicos costumam ser submetidos a análises antes de suas publicações, contudo uma pergunta muito pertinente surge: “Se qualquer pessoa pode editar entradas, como podem os usuários saber se o conteúdo (...) merecem o mesmo crédito das enciclopédias tradicionais (...)?” (PASSARELLI 2008, p. 09). Esta questão se coloca, e mesmo já tendo abordado parcialmente acima ainda parte dela, é algo que a se refletir como profissionais da área do conhecimento devemos sempre ter em foco que o mais importante é o usuário ter acesso a informações confiáveis e que ele possa, através delas, construir seu conhecimento baseado em fontes seguras.

 

 

 

Resenha: “A Escola do Futuro (USP) na construção da cibercultura no Brasil: interface, impactos, reflexões.” por Antonio Helio Junqueira e Brasilina Passarelli. 2011.

 

Conforme descrito pelos autores a web:

 

“enquanto espaço interativo aberto e colaborativo, colocou-se, desde a sua origem, como ambiente prenhe de novas oportunidades para a permanente produção de conhecimento, para a comunicação em rede e para a horizontalização das relações sociais de poder.”

 (JUNQUEIRA, PASSARELLI 2011, p. 02)

 

            Cabe um destaque para a “horizontalização das relações sociais de poder”, a internet tem essa potência de trazer igualdade para dentro do seu ambiente. Dentro do contexto brasileiro Junqueira e Passarelli falam das duas últimas décadas e das “ondas” experienciadas, sendo a primeira relacionada com políticas e programas de inclusão digital e a as diferentes maneiras de apoderamento e produção de conhecimento na web.

            As políticas e fornecimento de infraestrutura está relacionadas com oferecer a cidadãos diversos a possibilidade de se inserirem neste meio, a terem acesso a ele. Já a segunda onda se relaciona, conforme mostram os autores, ao acúmulo de experiências e informações que só foram possíveis devido as iniciativas, públicas e privadas, que levaram a necessidade de se assumir diferentes perspectivas e lados de investigação, levando a busca por um novo conhecimento teórico- metodológico (JUNQUEIRA, PASSARELLI 2011).

            Após passar pela dificuldade na tradução do termo literacy, visto se tratar de um termo com uma ampla abrangência, somos expostos ao conceito adotado por Gislter que vê a literacia digital não como algo finito, mas uma habilidade que está em expansão. O que é importante, pois a literacia digital exige não apenas habilidades motoras, mas inclui as capacidades de raciocínio, intelecto para análises, avaliação e críticas (habilidades cognitivas).

            Os autores passam por diversos projetos que visam a inclusão e o protagonismo digital, buscando ações com interesses comunitários procurando capacitar o cidadão para o uso das ferramentas digitais, fortalecendo a autonomia no aprendizado. Com tais iniciativas é possível construir a cultura digital nos ambientes mais carentes, estendendo a oportunidade de realmente “horizontalizar as relações sociais de poder”.


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