Projeto Clubinho Faber-Castell - atividade externa


                                                                                                      Título: a tecnologia que desenha novos futuros 

 

     Hodiernamente está mais explícito do que nunca a necessidade de equilibrar os níveis educacionais existentes na sociedade, haja vista que os usos informacionais cada vez mais comuns em tal meio evidenciam as lacunas que podem existir entre o conhecimento e a sua aquisição, barreira comum na vida das crianças menos favorecidas. No Brasil, por exemplo, “estudos mostram que existem diferenças desde os primeiros anos de vida de uma criança: o número de palavras que ela conhece depende do nível socioeconômico da família. Isso mostra a importância de políticas públicas que foquem na primeira infância, que é de 0 a 6 anos” (SUMIYA, 2020, online).

     Sendo assim, voltar projetos interativos que atuem diretamente com o universo lúdico das crianças pode ser uma alternativa para reequilibrar, desde os primeiros anos de vida, o uso e a disseminação da educação no país, além de introduzir previamente o sujeito em um contexto cultural e em desenvolvimento, por meio das linguagens e comunicações corretas, pois “[...] o cerne da expansão do conhecimento encontra-se na leitura, que pode ser melhor disseminada quando apreciada precocemente e, também, quando mediada na infância” (MAIMONE et al., 2021, p. 2). 

     Para tanto, reafirmando o seu compromisso com a sociedade, surge na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, no ano de 1989, a Escola do Futuro, criada pelo Professor Titular Fredric Litto. A unidade já passou por duas mudanças de nome, se chamando Núcleo das Novas Tecnologias de Comunicação Aplicadas à Educação “Escola do Futuro/USP” e, atualmente, Núcleo de Apoio às Atividades de Cultura e Extensão Universitária (NACE), que visa levar impactos sociais positivos para as áreas da educação, comunicação e informação (ESCOLA…, c2021). 

     Mantendo em vista tais focos, bem como a aplicação das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) nas práticas educativas, a NACE apoiou, na primeira década dos anos 2000, o projeto Clubinho Faber-Castell, que possuía um caráter artístico e voltado para um ambiente que utilizava as linguagens visuais lúdica e transdisciplinar, compartilhando de temáticas como cidadania, reciclagem, ecologia e outros (ESCOLA…, c2021). 

    O projeto englobava ainda uma relação virtual entre os alunos -- principalmente as crianças pequenas em fase de alfabetização --, os familiares e professores das redes de ensino, pois familiarizar os mais diversos públicos ao ambiente das tecnologias e informações digitais também contribui para a diminuição das desigualdades educacionais, inserindo ainda novas possibilidades de formação e novos caminhos. Através da interação virtual, os alunos podiam criar um ponto de conexão entre o digital e o presencial, dado que as atividades sugeridas poderiam ser realizadas na escola e expostas nas plataformas do projeto, na qual existem jogos, dicas e materiais multimídias também (ESCOLA…, c2021). 

     Dessa maneira, com mais de dois mil usuários cadastrados e cinco mil atividades enviadas, o Clubinho Faber-Castell apresentou a diversidade digital e as expectativas educacionais do futuro para muitos públicos, dentre os quais as crianças, que talvez nunca tenham tido contato com as fontes de informação apresentadas, obtendo assim a quebra de paradigmas e a visualização de um futuro mais igualitário. Para exemplificação, pesquisas baseadas no sistema do jogo de palavras pertencente ao Clubinho (VETRITTI, 2017), indicam que “[...] o software explora o conhecimento considerando a realidade do aluno, valorizando a troca de experiência e o trabalho coletivo, desde que realizado em dupla, e valorizando o progresso pessoal do aluno e do grupo”. Isto é, o contexto de cada aluno é tratado de forma singular e plural. 

     Portanto, embora o Clubinho Faber-Castell não esteja mais ativo, este se faz muito atual, servindo como inspiração para a criação de outros projetos e revitalizando a importância da aplicação digital à educação, haja vista que a união das duas vertentes auxilia no compartilhamento de informações qualificadas e igualitárias, reduzindo as desigualdades e construindo sujeitos pensantes desde a infância. 

 

                                                                                                                         Referências 

ESCOLA do Futuro. Clubinho Faber-Castell. Universidade de São Paulo. c2021. Disponível em: https://bit.ly/3zNa6JA. Acesso em: 27 set. 2021. 

MAIMONE, Giovana Deliberali et al. Livro, leitor e leitura: agentes de transformação social. Informação@ Profissões, v. 10, n. 1, p. 1-18. 2021. Disponível em: https://bit.ly/3oaC6o7. Acesso em: 27 set. 2021. 

SUMIYA, Lilia Asuca. desigualdade educacional. Observatório das Desigualdades - Portal Centro de Ciências Sociais Aplicadas (CCSA). 2020. Disponível em: https://bit.ly/2Y8Kl9D. Acesso em: 27 set. 2021. 


VETRITTI, Fabiana Grieco Cabral de Mello. A ressignificação da pesquisa-ação do NACE Escola do Futuro - USP: análise dos principais projetos sob a ótica das literacias de mídia e informação. 2017. Tese (Doutorado em Interfaces Sociais da Comunicação) - Escola de Comunicações e Artes, University of São Paulo, São Paulo, 2017. Disponível em: https://bit.ly/3oe7rWY. Acesso em: 27 set. 2021.


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