Além da inclusão digital


Com o início da expansão tecnológica falava-se muito em inclusão digital, em possibilitar que diferentes pessoas pudessem ter acesso às tecnologias, entretanto, atualmente tem-se a necessidade de expandir as discussões acerca da temática, pensando em uma realidade em que o acesso aumentou mas que ainda há problemáticas enraizadas, principalmente relacionadas à desigualdade.

Em 2010 no Brasil 39% da população tinha acesso à internet (JUNQUEIRA; PASSARELLI, 2010), mas essa porcentagem saltou para 82,7% em 2019 (IBGE, 2019), porém percebe-se que há diferenças em relação à esse acesso, pessoas que moram em locais periféricos ou rurais enfrentam maiores dificuldades de conectividade, tanto pelo sinal quanto pela quantidade de dados disponíveis. Prova disso, é a pandemia e a dificuldade que alunos de escolas públicas ou rurais enfrentaram para conseguir assistir as aulas onlines.

Além disso, ter acesso à informação não necessariamente está associado à se apropriar da informação ou ter algum pensamento crítico sobre. Muitas pessoas possuem acesso às informações, entretanto, a principais fontes são as mídias sociais, tornou-se comum falar “Me mandaram essa notícia no WhatsApp” para credibilizar alguma informação que não foi checada em nenhum veículo de comunicação confiável. As mídias sociais podem ser de grande ajuda na comunicação e até mesmo para a política, como o ciberativismo, mas é importante saber detectar o que é ou não verdade.

Sobre isso cabe à toda sociedade pensar medidas que auxiliem na identificação de fake news. Em relação ao trabalho dos bibliotecários, alguns estudiosos como Sullivan (2018) já mencionam que as bibliotecas devem trabalhar para ensinar os usuários à saberem identificarem as notícias falsas, e pensarem criticamente para conseguirem lutar contra as fake news. Ainda sobre isso, a IFLA (2016) publicou um cartaz intitulado “How to spot fake news” para auxiliar no combate as fake news, embora o cartaz pareça simples, serve de base para maiores aprofundamentos.

Em tempos de pós-verdade ter o discernimento para identificar notícias falsas é crucial. A ascenção de governos de extrema direita que utilizaram as mídias sociais e o compartilhamento de informações falsas como parte de suas campanha mostra como o acesso às tecnologias foi determinante para a vitória de eleições como as dos Estados Unidos em 2016 ou no Brasil em 2018, e como não saber identificar as noticias falsas e ainda compartilha-las foi ainda mais determinante. 

Logo, a expansão do acesso às tecnologias traz consigo as preocupações em relação à desigualdade dessa acesso e ainda a maneira de usar as ferramentas, de forma que tem-se a premência  de estudar, analisar e propor medidas que consigam suprir com as novas necessidades advindas da inclusão digital.

 

Referências Bibliográficas

 

IFLA, How to Spot Fake News. IFLA, [S.l], 2016. Disponível em: https://bit.ly/39I9xGs. Acesso em: 27 set. 2021.

 

JUNQUEIRA, A. H.; PASSARELLI, B. A Escola do Futuro (USP) na construção da cibercultura no Brasil: interfaces, impactos, reflexões. LOGOS 34, v. 34, n. 1, 2011. Disponível em: https://bit.ly/3zemoKF. Acesso em: 14 set. 2021. 

 

PASSARELLI, B. Do Mundaneum à Web Semântica: discussão sobre a revolução nos conceitos de autor e autoridade das fontes de informação. DramaGramaZero, v.9, n. 5,

out. 2008. Disponível em: https://bit.ly/3Aetpwe. Acesso em: 14 set. 2021.

 

Pesquisa mostra que 82,7% dos domicílios brasileiros têm acesso à internet. Ministério das Comunicações, [S.l], 2021. Disponível em: https://bit.ly/3kNmXHa. Acesso em: 27 set. 2021.


SULLIVAN, M. C. Why Librarians Can’t Fight Fake News. Journal of Librarianship and Information Science, n. 4, 2019. Disponível em: https://bit.ly/3zLfAoe. Acesso em: 27 set. 2021.


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