Tipos de Informação (aula dois)


Título: “de rocha em rocha a humanidade aborda os fatos” 


     O ser humano diferencia-se dos demais animais graças a sua intelectualidade, a sua maneira racional de pensar o mundo e julgar o cotidiano, movimentando assim a produção de muitas memórias ao longo de sua existência. Para dar conta da chuva de lembranças que o seu cérebro é capaz de guardar, a própria racionalidade humana necessitou de suportes para armazenar melhor os conteúdos aprendidos no dia a dia, abrindo as portas para os documentos. Tais elementos são descritos por Guinchat e Menou (1994, p. 41) como “o suporte material do saber e da memória da humanidade”, pois viabilizam a comunicação entre sujeitos de uma mesma comunidade e em diferentes épocas. Desse modo, engana-se aquele que pensa que o documento é representado apenas por um conjunto de páginas escritas em papel ou couro, como no caso dos códices da Idade Média. O documento, elemento físico e nuclear da fonte de informação, é um estímulo à aquisição do conhecimento (ARAÚJO; FACHIN, 2015), apresentando-se nas mais diversas formas e localidades, bem como infere múltiplas interpretações.

 

     Dentre as interpretações que podem ser tiradas de uma fonte de informação, há a sua relação com o trabalho praticado em determinada região. Como exemplo, os antigos egípcios tornaram-se um símbolo da Antiguidade graças à inteligência desenvolvida com base em documentos, uma vez que as cidades e redes de agricultura, com canais de irrigação, eram descritas em hieróglifos (BAKOS, 1994), e puderam ser repetidas inúmeras vezes, aprimorando a tarefa que existe até hoje. Paralelamente, alguns hieróglifos continham também descrições casuais, assemelhando-se ao que hoje é chamado de literatura, dado que foram encontrados em papiros relatos de vivências que ocorriam nas cidades egípcias, como fora narrado em Papiro Westcar, datado em cerca de 1.500 a.C (BAKOS, 1994).

 

    Embora atualmente as escritas antigas — como o grego, latim e os hieróglifos — sejam lidas com mais facilidade, há décadas atrás as suas interpretações eram duramente discutidas, haja vista que a descoberta de uma nova linguagem envolve também novas complexidades. No caso dos pictogramas egípcios, as traduções foram confirmadas no ano de 1822 da era atual, após a realização dos estudos de Jean-François Champollion e Thomas Young se concluírem, baseando-se na icônica Pedra de Roseta (CONHEÇA…, 2018). Isto é, a linguagem dos hieróglifos, bem como o andamento das pesquisas em Arqueologia foram completamente remodelados após a decodificação desta fonte de informação, evidenciando não apenas a cooperação comunicativa entre áreas (a Linguística e a Arqueologia, propriamente dita), mas também a importância da consulta às variadas fontes de informação. 

    Igualmente, por meio da Pedra de Roseta, avistaram-se as pictografias utilizadas pelos povos egípcios, que apesar de pertencerem ao mesmo sistema linguístico, representavam olhares diferentes sobre a sociedade, sendo assim possível confirmar os relatos acerca do trabalho e da literatura presente na civilização do povo do Egito, como mencionados por Bakos (1994).

 

     Em consequência, nota-se que de uma única rocha — embora possua quase uma tonelada! —, muitas histórias e memórias humanas podem ser registradas. Na Contemporaneidade, o Monte Rushmore, no qual aparecem esculpidos os ex-presidentes americanos George Washington, Thomas Jefferson, Theodore Roosevelt e Abraham Lincoln (Why…, 2021), marca temporal e culturalmente os rostos de líderes do Estados Unidos, permitindo, como no Antigo Egito, que as futuras gerações conheçam pedaços do passado, constituindo assim um presente mais consciente e um futuro mais íntegro, sem que erros sejam novamente cometidos. 

   Para tanto, as fontes de informação, sejam elas direcionadas ao lazer, ao conhecimento ou ao aprendizado, de origem iconográfica, natural ou tecnológica (ARAÚJO; FACHIN, 2015), podem ser utilizadas para facilitar o trabalho humano e a produção cultural, tornando ainda mais humanizada a atividade racional desempenhada pela espécie. 

 

                                                                                                                        Referências

 

ARAÚJO, Nelma Camêlo; FACHIN, Juliana. Evolução das fontes de informação. Biblos: Revista do Instituto de Ciências Humanas e da Informação, v. 29, n.1, 2015. Disponível em: https://bit.ly/3BkCJiz. Acesso em: 23 ago. 2021. 

BAKOS, Margaret Marchiori. Fatos e mitos do Antigo Egito. Edipucrs, 1994. Disponível em: https://bit.ly/3kpiitY. Acesso em: 23 ago. 2021. 

CONHEÇA a Pedra de Roseta, que mudou a história da arqueologia. Galileu, [S.l], 2018. Disponível em: https://glo.bo/3klXGm2. Acesso em: 23 ago. 2021. 

GUINCHAT, Claire; MENOU, Michael. Introdução geral às ciências e técnicas da informação e documentação. Brasília: Ibict, 1994.

Why The e Four Presidents? National Park Service. Dakota do Sul, 2021. Disponível em: https://bit.ly/3DbXVIZ. Acesso em: 23 ago. 2021.


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