Comentários sobre o seminário " Recursos de Busca da Internet e Plataformas Abertas"
Postagem realizada em: 03/07/2021 às 17:56:18
Autor: Fabíola Mota
Quando se trata de informação disponível na internet ou por meio de bases de dados com acesso aberto, duas reflexões, penso serem importantes.
1) uso e aplicabilidade da noção ética da informação: quando refeltimos sobre o papel do profissional da informação no que diz respeito ao planejamento e prestação de serviços aos usuários, os dilemas éticos que penso serem vivenciados pelos bibliotecários giram em torno das noções de acesso à informação que envolvem desde questões de direitos autorais, seja em meios impressos e/ou mídias sociais, bem como discussões sobre a necessidade do acesso aberto versus ao modelo capitalista de grande empresas que comercializam, através de bases de dados ou bibliotecas digitais, o uso e acesso à informação.
Outras preocupações que ocupam o fazer bibliotecário e todas as suas funções satélites numa dada unidade de informação é a forma como os usuários instrumentalizam o conhecimento que têm acesso, ao uso indevido e, por vezes criminoso, das informações. Seja por ignorância ou má-fé, os profissionais da informação não possuem meios de garantir a divulgação de informações descontextualizadas por parte da comunidade na qual atua. Aparentemente, apenas a orientação por parte dos bibliotecários aos seus usuários se mostra ineficiente para combater tal noção.
2) a importância da curadoria digital em bases de dados de acesso aberto:
Alguns temas me parecem serem pré-requisitos mínimos e básicos, independentemente da tipologia da biblioteca, quando tratamos da curadoria digital: (1) Esforço para digitação do acervo; (2) Garantir a infraestrutura necessária para acesso aos conteúdos em ambientes virtuais (hardware e software); (3) Facilitar acesso remoto ao acervo; (4) Garantir a preservação e acesso a materiais dependentes de tecnologia obsoleta; (5) Programas de capacitação e treinamento em novas tecnologias com linguagem adaptada a cada tipologia de usuários das bibliotecas; (6) Estímulo à atitude cooperativa em construção do acervo e (7) Divulgação de materiais ou formação de encontros que divulguem maiores esclarecimentos sobre direitos de uso e proteção de privacidade dos usuários. Contudo, percebe-se que as atitudes para manter uma infra-estrutura mínima é trabalhosa e requer competências seja intelectuais como operacionais para tanto. E o problema de se manter uma BD aberta, ou seja, com pouca ou nenhuma contribuição financeira torna tal cenário ainda mais hostil. É importante pensarmos na democratização da informação, mas devemos, ao mesmo tempo, ser realistas das necessidades mínimas que precisamos para manter tal estrutura em pé.