Apontamentos: Palestra sobre Bases de Dados de Humanidades
Postagem realizada em: 21/06/2021 às 21:04:58 - Última atualização em: 21/06/2021 às 21:06:12
Autor: Barbara Pina
Palestra com a bibliotecária da biblioteca da ECA, Marina Macambyra sobre bases de dados de Ciências Sociais e Humanidades.
Durante a palestra, Macambyra apresentou algumas bases de dados que englobam várias áreas das humanidades e ciências sociais, apresentando, também, alguns apontamentos sobre a evolução das bases de dados. Chamou atenção para o fato de que as bases de dados, em sua origem, nasceram referenciais, mas, a partir dos anos 1980, passaram a trazer textos completos. Essas bases ainda podem ter muito material antigo não digitalizado, mas algumas conseguiram fazer digitalização retroativa.
Macambyra lembrou que a base Lisa, importantíssima para a ciência da informação, foi cortada pela CAPES, o que prejudica pesquisadores, estudantes e profissionais da área. Também falou sobre o boicote de universidades internacionais a base ELSEVIER por causa da prática adotada de cobrar pesquisadores para terem seus materiais publicados e universidades para terem acesso a esses materiais, configurando um gasto dos dois lados, daqueles que publicam e daqueles que acessam, e que vai contra a qualquer tipo de democratização de acesso à informação.
As duas críticas feitas por Macambyra, tanto ao corte de uma importante base de dados de CI pela capes, sem que permanecesse outra que pudesse responder às necessidades da comunidade acadêmica e a prática adotada pela ELSEVIER, que se por um lado faz sentido no mercado editorial, por outro ataca o acesso à informação, são ótimas para provocar a reflexão acerca da produção científica atual.
No mundo onde informação é poder e pode ser capitalizada, tais práticas mencionadas parecem ir de encontro com sua lógica, mas é importante refletir sobre a mercantilização e acesso a informação produzida pela e para a humanidade. O conhecimento produzido pela humanidade é a chave de sua evolução e desenvolvimento, não seria então mais vantajoso criar uma forma de acesso mais universal? Então, como resolver a questão de custos de manutenção de plataformas, divulgação, editoração e tudo mais que envolve o acesso à informação?
A assinatura dessas bases de dados por universidades parece ser uma forma viável de resolver em parte o problema, mas a questão volta a tona quando um grupo tem o poder de escolha sobre quais bases serão mantidas ou não sem antes consultar a comunidade acadêmica.