8. Notas sobre o seminário 2


O seminário das colegas apresentado no dia 7 de junho de 2021 apresenta estrutura semelhante à de outros seminários desta e de nossa disciplina anterior: conceituação, tipificação e exemplificação. O trabalho em questão trata de bases de dados numéricas, estatísticas e geográficas nacionais e internacionais.

Logo notamos outro ponto comum: a referência ao trabalho de Murilo Bastos da Cunha em seu artigo “Bases de dados no Brasil: um potencial inexplorado”. Embora já bastante datado (publicado em 1989), esse artigo apresenta algumas noções seminais do tema sobre as quais se pode elaborar.

Segundo as colegas que apresentaram, um ponto de dificuldade do trabalho foi encontrar bases que tratassem exclusivamente de uma tipologia ou de outra. Em geral, bases que apresentam esse caráter de diretório dentro desses temas acabam abrangendo mais de uma dessas tipologias. Na prática, isso não é um problema quanto à usabilidade, apenas torna a questão didática de apresentação dos exemplos um pouco menos marcada.

Para além dos diversos exemplos diversos apresentados pelo grupo, alguns pontos se sobressaem em meio à apresentação, alguns colocados pela Prof.ª. Brasilina.

Um ponto bastante marcado pela professora foi o da credibilidade da instituição mantenedora de uma base. Entendendo que a confiança de um usuário sobre a informação tem relação com a instituição que a gere, é importante que se tenha em mente a história e estrutura de tal organização. Assim, trata-se órgão privado ou público? Quando foi criado? Tem algum tipo de envolvimento com outros projetos? Está sujeito a uma organização maior? Todas essas são perguntas pertinentes para que se chegue a um entendimento adequado de como se lidar com determinado base.

Por tratarem de bases de informações geográficas, foram encontradas pelas colegas diversas bases com dados geográficos regionais. Interessante notar a analogia entre as diversas instituições de várias partes do mundo.

Outro ponto levantado pelas colegas e que em alguns momentos também se configurou como dificuldade foi a questão da proteção à informação. Muitas das instituições exigiam login e uma em particular nem oferecia opção de cadastro no caso de não professores relacionados à área em questão, barrando o acesso ao grupo. Com isso, levanta-se a discussão sobre acesso e proteção de dados. Afinal, tratam-se, em muitos casos, de dados elaborados por instituições públicas, mas em alguns casos, de ordem sensível e que exigem um maior controle de acesso.

Um último ponto a ser destacado tem natureza terminológica. Surge, ao longo da apresentação, a advertência sobre o uso do termo correto ao se referir aos elementos analisados, havendo a defesa do termo “plataforma” em lugar de “página” ou “site”. Ao final da apresentação, quando indagada sobre a definição desses termos, a professora Brasilina defende uma proposição hierárquica entre eles de tamanho e complexidade sendo a página o elemento mais simples e a plataforma o elemento mais complexo. Não convencido dessa proposição por entender empiricamente uma outra abordagem, tentei definir segundo minha percepção do problema. Além disso, procurei textos científicos que corroborassem meu ponto de vista, mas sem muito sucesso. A ver:

- “Página” é aquilo que se vê e com o que o usuário interage em última instância. Analogamente, a página de um livro não deixa de ser uma página por estar no conjunto livro;

- “Site” é o equivalente a um lugar, um endereço a ser acessado normalmente por meio de uma URL ou endereço IP. Nesse endereço, encontraremos um conjunto de páginas dispostas e interligadas por hyperlinks;

- “Portal” é uma tipologia de site. Trata-se de um site contendo uma reunião de links para outros sites. Em outra análise no texto de REYES (2017), portal é apresentado como um site de conteúdo direcionado. Esse direcionamento normalmente é feito por meio de login no sistema, permitindo acesso a conteúdo específico e sob curadoria para aquele usuário;

- “Plataforma” é uma estrutura física e lógica normalmente invisível ao usuário final que dá suporte de dados a vários sistemas interligados que normalmente resultam em páginas diferentes. Como exemplo, podemos citar a base de dados do DENATRAN, órgão nacional,  que pode ser acessada por diversos sistemas diferentes como: o site da própria instituição, o aplicativo da CNH digital, os sistemas particulares dos DETRANs estaduais, o sistema central GOV.BR do governo federal apenas para citar alguns.

Dentro dessas proposições, percebe-se que não se trata necessariamente de uma escala de tamanho e complexidade. Não se acessa uma plataforma sem que se acesse um site ou uma página. Esses elementos continuam a existir e claramente estão relacionados, mas sua relação não é de caráter hierárquico.

REYES, Christine. Portal vs. Website: What’s the difference? Lifreray. Disponível em: https://www.liferay.com/pt/blog/en-us/digital-strategy/portal-vs-website-when-to-use-each. Publicado em 7 jul 2017. Acesso em 8 jun 2021.


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