Quem é o autor no WhatsApp?


A partir das discussões da aula, e da leitura dos textos das resenhas, temos a questão de como a sociedade da informação é dada. Um ponto de discussão é a participação da cultura da informação. Temos que entender quais as novas necessidades que a informática trazem para a os usuários. Indo além, entender como os usuários são atigindos pelas frustrações que as novas plataformas digitais trazem. 

Um ponto da discussão que considero particularmente interessante e bastante relevante é o ensino da privacidade digital. Entender que navegar na internet não é só prevenir-se de "alguém descobrir seu histórico do google", como muitas piadas circulam na internet. Mas sim, entender como as empresas usam as informações da sua navegação. No texto "Conectividade Contínua e acesso móvel à informação digital", autoria de Passareli e Angeluci, temos os dados que 100% dos alunos de escolas particulares possuem WhatsApp. Um número quase idêntico em escolas públicas. Porém, as leis que regem a privacidade do WhatsApp não previnem que a empresa entenda e analise sua conversa, mesmo que não compartilhe (por enquanto) com terceiros.

Um papel fundamental para o bibliotecário é transformar como informações são consumidas. Entender que cada um desses jovens é autor da escrita do WhatsApp, por exemplo, é fundamental. Uma experiência pessoal foi, no período pré-COVID, participar de uma palestra na qual uma bibliotecária ensinava a questão do "ser autor" no WhatsApp, através de um painel de mensagens trocadas com ela por jovens e adolescentes. A questão ocorria pela exposição das mensagens pelo espaço da biblioteca. Com isso, a bibliotecária foi capaz de mostrar a autoria e capacidade de escrita que os jovens possuem. Um ponto além seria incorporar a questão de propriedade - da mesma forma que um autor de uma obra publica tem direitos sobre o seu texto, o jovem também possui direitos sobre o que se comunica na plataforma, mesmo que a "ownership" do produto seja de uma entidade com fins lucrativos. 

Com isso, entender que a "digital literacy" é muito além do entender sobre como funcionam os aplicativos. É também entender ser "letrado" em diversos desdobramentos funcionais e tecnológicos dos produtos. 


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