Conglomerados da informação e o valor do conhecimento


A partir dos anos 1984, com o lançamento do primeiro computador individual, o Macintosh, pela Apple, surgiram os primeiros passos para a democratização do uso de máquinas que poderiam dar acesso à informação a mais pessoas, ampliando assim seu alcance, e, nas décadas que se seguiram, com o aparecimento da “sociedade em rede”, a elaboração conjunta, colaborativa do conhecimento, através das plataformas digitais, facilitadas pelos grandes conglomerados da tecnologia, houve uma supervalorização de noções como compartilhamento, Information Literacy; Transliteracia etc.

Atualmente, percebemos que, embora haja novas e diversas formas de dividir e acessar informações, hoje experimentamos o surgimento de novos conglomerados que dominam, especificamente, o ambiente acadêmico: as editoras que gerem os grandes bancos de dados. Seja multidisciplinar ou sobre assuntos mais específicos, empresas como Clarivate e Elsevier têm praticado uma competitividade muito semelhante àquelas conhecidas do grande público, dos leigos. Àqueles grandes grupos editoriais têm dominado e monopolizado o acesso à informação científica, tal qual Microsoft, Apple, IBM etc têm feito na esfera pública.

Seria ingenuidade pensarmos que por termos acesso à Internet e às muitas plataformas informacionais estamos realmente acessando conteúdos relevantes e igualmente desejados por nós. De fato, a informação é uma moeda, tem seu valor e suas condições de circulação. Logo, refletindo mais especificamente sobre a produção intelectual científica para o desenvolvimento social, o fato do acesso aos dados confiáveis e de qualidade estar intimamente atrelado à assinatura de bases de dados e/ou periódico, que por sua vez está na mãos de poucos, ao mesmo tempo que faz a máquina capitalista girar, se mostra, por vezes, uma barreira intransponível para a apropriação e difusão do conhecimento.


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