Seminário Controle Bibliográfico e Bibliografias - matutino
Postagem realizada em: 23/11/2020 às 16:50:36
Autor: Amanda Batista
Seminário Controle bibliográfico e bibliografias - matutino
A bibliografia tem uma de suas primeiras definições em 1934, pelo Centre de Synthése Historique, como uma obra que se destina a pesquisa, a descrição e a classificação de títulos para a utilização prática, científica ou comercial. Em 1954, Loise Noelle Malclès propôs uma conceituação mais abrangente de bibliografia e a definiu como o conhecimento de todos os textos impressos, fundamentada na pesquisa e arranjo desses documentos de forma organizada ou de modo a elaborar repertórios.
A história das bibliografias pode ser dividida em seis períodos: época pré-histórica (anterior ao século XV), época erudita (século XV e XVI), época histórica ou científica (século XVII), época literária e bibliófila (1790 a 1810), época artesanal (de 1810 a 1914) e época técnica (a partir de 1914). Apesar dessas mudanças, seu objetivo permanece como informar a atividade intelectual nacional ou internacional dos diferentes campos do conhecimento. As etapas principais do trabalho bibliográfico envolvem a pesquisa (busca dos documentos), a transcrição (menção de dados para identificação dos documentos), a descrição (resumo dos pontos principais) e, por fim, o arranjo (organizado de forma alfabética, cronológica, geográfica ou sistemática); de modo que Noelle as classifica entre repertórios gerais ou especializados e entre repertórios nacionais ou internacionais.
O controle bibliográfico é o sistema que registra e descreve documentos em um catálogo ou bancos de dados visando facilitar o seu acesso. Ele surgiu com o início das bibliotecas – sempre houve tentativas de organizar o conhecimento – e evoluiu com pesquisadores como Conrad Gesner e sua Bibliotheca Universalis, com o Concilium Bibliographi de Zurique em 1890, com o Repertoire Bibliographique Universel de Bruxelas em 1895 – projeto de Paul Otlet e Henri La Fonteine que reuniu mais de 20 milhões de fichas de bibliotecas europeias e americanas –, a Conferência Internacional sobre Princípios de Paris em 1961, o International Congress of Nacional Bibliographies de Paris em 1977 – trabalho conjunto da UNESCO e IFLA que delimitou as bases do CBU (Controle Bibliográfico Universal) – e, a Publicação do Código de Catalogação Anglo-Americano, com suas diversas revisões de 1967 a 2002.
O Controle Bibliográfico Universal é uma rede de componentes nacionais com intenção de formar um sistema integral e internacional, para isso são estabelecidos alguns mecanismos como o depósito legal (entrega de um ou mais exemplares de toda publicação editada em um país) na Biblioteca Nacional; a padronização da descrição bibliográfica (padrões definidos em diversos países para maior uniformização); a identificação numérica do livro em ISBN (International Standard Book Number), criado por John Frederick Foster em 1967, – no Brasil a partir do início de 2020 passou a ser feito pela Câmera Brasileira do Livro e antes era trabalho da Biblioteca Nacional –, ou do ISSN (International Standard Serial Number) para publicações seriadas – no âmbito nacional é realizada pelo IBICT –; e a catalogação na fonte, feita pela antes do livro ser publicado.
Assim, como exemplos de obras bibliográficas há “O Recife: uma bibliografia”, “Bibliografia sobre a história da criança no Brasil”, “Um século da literatura de cordel”, “Bibliotheca Universitatis”, “Mulher Brasileira: uma bibliografia”, “Manual Bibliográfico de estudos brasileiros”, “Bibliografia sobre o Negro Brasileiro” e muitos outros.