RELATÓRIO DE ATIVIDADES DA XIV SEMANA DE BIBLIOTECONOMIA DA ECA/USP
Postagem realizada em: 23/10/2020 às 23:41:22 - Última atualização em: 23/10/2020 às 23:42:27
Autor: Fernando Azambuja
A Semana de Biblioteconomia começou no dia 19 de outubro e trouxe uma programação inteiramente virtual em decorrência da pandemia. Houve tentativa de minha parte em participar do máximo de eventos possíveis, o que, infelizmente, não é tanto assim pela disponibilidade de tempo limitada por outros compromissos profissionais.
O evento de abertura, “Conservação audiovisual: a resistência da Cinemateca Brasileira” com os professores Carlos Augusto Calil e Maria Fernanda Curado Coelho perpassou tanto pelo histórico da instituição quanto por seu funcionamento e problemas passados e atuais. O tema se faz absolutamente pertinente frente às questões recentes de descaso governamental, abandono e demissões que permeiam as discussões quanto à Cinemateca.
Os palestrantes apontam dois perigos iminentes decorrentes dessa mesma situação: um é o perigo da perda de materiais que constituem parte de nossa cultura cinematográfica e que poucas ou nenhuma outra instituição no Brasil teria condições de armazenar adequadamente. O segundo é um perigo de ordem física que diz respeito à possibilidade de incêndio provocada pela combustão espontânea dos materiais altamente voláteis que compõem muitos dos objetos lá armazenados.
Enquanto o professor Carlos focou nas questões administrativas e políticas, a professora Maria Fernanda tratou de questões técnicas relacionadas ao acervo. Ficou muito clara a necessidade urgente de atenção para a referida instituição.
O próximo evento de que pude participar foi a palestra “Decolonialidade em desenvolvimento de acervos” com Francilene do Carmo Cardoso.
Infelizmente, por questões técnicas, a palestra não pôde prosseguir. No entanto, a palestrante conseguiu deixar claro sua perspectiva: acervos bibliotecários são relevantes na formação cultural de seu público e, nesse sentido, a falta de materiais que tratem da questão no negro em nossa sociedade trazem grandes prejuízos à formação cultural da sociedade como um todo, sobretudo à própria comunidade negra que não se vê representada. Nesse sentido, há o posicionamento de uma história enviesada que deixa de contar uma série de narrativas essenciais. Para reiterar seu posicionamento, a palestrante apresenta o vídeo “O perigo de uma história única” da autora nigeriana Chimamanda Adichie.
O terceiro e último grande evento a que pude comparecer foi a oficina “Identificação e gestão de coleções bibliográficas” ministrada pela professora Alícia Duhá Dose. Neste evento, a professora nos fala de seus muitos anos de experiência com coleções de obras raras. Trata de assuntos como conservação e restauração (este último campo em que afirma não ser especialista) além de questões da ordem da organização e inventário do acervo. Chama a atenção para o ato de estar em constante atenção quanto ao valor cultural de obras muitas vezes perdidas em meio à coleção sem receber a devida atenção. Aponta elementos que fogem à rotineira observação catalográfica para uma avaliação mais aprofundada dos objetos. Destaca também o valor da pesquisa paralela ao trabalho de inventário/catalogação. Além disso, introduz uma série de termos específicos de sua área como livro “intonso”, “carimbo molhado/seco” e outros que são pertinentes ao universo bibliotecário, porém nem sempre tão conhecidos.