Manuscritos Antigos: Como se faz um?


OS LIVROS MEDIEVAIS

Há alguns anos, tive a oportunidade de ir visitar a Biblioteca do Trinity College em Dublin, Irlanda. Por uma pequena bagatela de 12 euros, pude aproveitar a rica exposição sobre a feitura de manuscritos medievais, apresentada aos visitantes no primeiro piso da biblioteca. Antes de subir para o piso seguinte, os visitantes podem observar duas páginas ricamente ilustradas e decoradas, do Grande Evangeliário de São Columba, também conhecido como O Livro de Kell, uma delas destacada na foto deste post. Estas páginas, trocadas constantemente para que as iluminuras não desbotem e protegidas em uma redoma de vidro climatizada, são a apoteose dos manuscritos medievais irlandeses e també um dos poucos remanecentes dos manuscritos medievais.

Ainda na Irlanda, pude também visitar o museu do Castelo de Dublin, que possui uma coleção bastante extensa de ferramentas para a confecção de capas de códices. A exposição trazia uma míriade de ferramentas utilizadas para produzir decorações delicadas nas capas dos livros para aqueles que poderiam adquirí-los, ferramentas estas que eu nem sabia que existia. Mas o mais interessante é que o santuoso Livro de Kells e as belíssimas ferramentas para trabalho em couro banhadas a aouro contam uma história, no caso a dos livros.

Minha parte favorita dessa história é justamente a que fala sobre livros medievais, tem quase que algo de místico saber que você tem diante de você um livro tão antigo. Os códices, nome que se dá ao formato dos livros, feitos de pergaminho foi o formato escolhido durante a Idade Média para a "disseminação" de livros e informações. Acontece que o materia das páginas (o pergaminho) e a proteção fornecida pelas capas, permitiam que eles durassem mais e sem muitos danos que os rolos de pergaminhos usados anteriormente. Mas nem tudo são ouro e iluminuras nos manuscritos medievais. Durante os 10 séculos de Idade Média, muitas foram as mudanças ocorridas nos livros.

A principio, vale destacar que a Igreja mantinha o controle sobre o conhecimento. O Clero normalmente atuava como tutores e professores dos nobres. As bibliotecas existente eram, em sua maioria, monásticas, sendo as unicas que sobreviveram as chamadas Invasões Bárbaras. agora você deve estar pensando que as bibliotecas dos monges guardavam inumeras cópias da biblia ou coisa assim, mas nem todos os livros nelas contidos eram de teor religioso. Os monges guardavam todos os tipos de coisas, incluindo traduções de classicos filosóficos. E os manuscritos eram em suas maioria simples, feitos de pergaminho tosco ou reaproveitado, com letras simples e sem as famosas iluminuras. Neste período o evento mais importante é a constituição de oficinas de monges copistas e de iluminadores em Bizâncio no século VI.

Esta prática logo se espalhou por toda a Europa. Foi em Bizâncio também que o papel foi introduzido na produção de códices europeus, já que os árabes o trouxeram da China. As produções irlandesas, como o Livro de Kells, se destacam por mesclar o estilo cristão com elementos da cultura celta e saxônica.  Mas no século VII, a invasão muçulmana a países europeus proporcionou uma verdadeira revolução do conhecimento, onde alguns monarcas árabes financiaram a criação de grandes bibliotecas, entre elas a Bilblioteca de Córdoba. Mas a figura mais proeminente para a história dos livros foi o ilustríssimo Carlos Magno, Imperador do Sacro Império Romano, que patenteou a fomosa Letra Carolíngea. Esta escrita, mais simples de entender e fazer, permitiu que oficinais laicas começassem também a produzir livros, fazendo com que a existência de monges copistas fosse quase totalmente denecessária por vonta do ano de 1300. Posteriormente, a letra carolíngea perdeu seu posto para uma mais conhecida, e também mais associada a manuscritos medievais: a letra gótica. 

Mas foi durante o período de vigência da letra carolíngea (até meados do século XIII) que as bibliotecas das universidades tomaram fôlego. Nelas os alunos podiam alugar ou tomar emprestado exemplares de livros aos quais não poderiam ter acesso, principalmente aqueles menos abastados financeiramente. Com o advento da Renascença, a demanda por livros se tornou cada vez maior, dessa forma algumas regiões da Europa se destacaram na confecção de livros como Languedoc, na França, Praga, Boêmia e Países Baixos. Os manuscritos começaram a perder a guerra de hegemonia do formato informacional quando a xilogravura foi trazida da China a Europa. Isso permitiu que mais pessoas, além dos ricos e dos nobres, tivessem acesso a informação. Contudo, o gorlpe final nos manuscritos foi a invenção de Guthenberg, a imprensa, que multiplicou a capacidade de produção de livros e tornou o processo muito mais barato, permitindo que muitas pessoas mais pudessem acessar o conhecimento.

O PROCESSO DE MANUFATURA

Livros na Idade Média eram muito caros, poucos eram aqueles que podiam mandar produzí-los. Isso porque levavasse muto tempo para produzir um, além do pergaminho não ser um material barato. Eram necessárias as peles de centenas de reses que, após um processo lento de secagem, se tornava um matérial suave e duradouro. Antes de escrever a superfície do pergaminho tinha de ser polida com pó de pedra-pomes e depois borrifada com um pó pegajoso no qual a tinta aderia melhor. As tintas eram feitas de meteriais vegetais ou minerais em pó diluídos em líquido como bolotas torradas para tinta preta (mais comum) e lápis-lazuli para a tinta azul (a cor mais cara de se produzir). Depois, as tintas eram aplicadas com uma caneta feita de penas de aves secas e endurecidas com areia quente. Nas iluminuras que chamavam mais atenção dos que os textos, aram aplicadas primeiramente, as folhas de ouro, para que depois se fizesse a coloração. Erros? aconteciam, o escriba só tinha que raspá-los da página com uma faca. 

Fontes: História dos Livros Medievais - Ana Lucia Merege (https://www.bn.gov.br/acontece/noticias/2020/05/historia-livro-livros-medievais-i)

Como eram feitos os manuscritos medievais - https://www.youtube.com/watch?v=6lT2cSIl9Ek

A Fabricação das tintas medievais - http://bdce.unb.br/exhibits/show/manuscritos-medievais/a-fabrica----o-das-tintas


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