As enciclopédias
Postagem realizada em: 26/08/2020 às 12:07:15 - Última atualização em: 26/08/2020 às 12:33:20
Autor: Lucas Lopes
As enciclopédias sempre fizeram parte do processo educativo das pessoas, qualquer que seja a época ou o suporte em que se apresenta. Seja a robusta Enciclopédia Barsa, sonho de consumo de muitas famílias nas décadas de 1960 a 1990 comercializado em 16 volumes, seja a Wikipedia, disponível on-line e tão familiar aos nativo-digitais, as enciclopédias se apresentam como um tipo de fonte de informação popular, tanto pela amplitude de assuntos abordados, quanto pela organização, que facilita a busca pelas informações.
Por meio da enciclopédia temos acesso ao “mundo classificado, diagnosticado, definido e explicado”[1]. Em outras palavras, a enciclopédia tenta organizar o conhecimento humano, tão vasto e em constant
e expansão, em pequenas pílulas, digeríveis para a maioria das pessoas. A propósito, essa é uma característica inerente a sua tipologia: a enciclopédia é uma fonte de informação secundária, pois condensa e reorganiza as informações extraídas de fontes primárias, facilitando a busca e a recuperação dessas informações[2].
A história da enciclopédia na estrutura que conhecemos hoje remonta ao século XVI. O termo grego enkyklios paideia ("círculo da educação") era utilizado para se referir ao ciclo educacional das universidades da época e, por esse motivo, passou a ser utilizado para se referir também a livros que estavam organizados da mesma forma que o sistema educacional. Com a invenção da prensa de tipos móveis, por Johannes Gutenberg, as enciclopédias se tornaram disponíveis com maior rapidez e de forma mais ampla. No entanto, foi apenas no século XVIII que ocorreu um verdadeiro boom e elas se tornaram mais numerosas, maiores e mais caras. Nessa época, algumas enciclopédias eram compostas por até 58 volumes, como a Universal Lexikon, de Johann Heinrich Zedlers (imagem à direita), e o Dictionnaire raisonné des connaissances humaines, de Fortunato Bartolomeo De Felice[3].
No Brasil, a primeira tentativa de elaboração de uma enciclopédia nacional foi realizada por Mário de Andrade, em 1939. O projeto da Enciclopédia Brasileira não foi adiante, mas teve, ainda sim, seu primeiro volume publicado pelo Instituto Nacional do Livro, em 1958[4].
Atualmente, no contexto da cibercultura, as enciclopédias migraram para o ambiente digital. Grandes obras, como a Encyclopedia Britannica, por exemplo, estão disponíveis on-line. Ainda, um novo modelo de enciclopédia surgiu em função da expansão da Internet: a enciclopédia colaborativa. O maior exemplo atual desse modelo é a Wikipedia. Nela é possível encontrar mais de 1 milhão de artigos, isso considerando apenas o conteúdo em língua portuguesa. Ao contrário do modelo tradicional de enciclopédia predominante até o século passado, na Wikipedia muitos artigos não são escritos necessariamente por especialistas no assunto, exigindo do leitor um cuidado maior na verificação das referências dos artigos para avaliar a confiabilidade da informação.
Ainda assim, recursos como o hiperlink, por exemplo, fazem da Wikipedia uma porta de entrada para um sem número de informações, conectadas entre si de tal forma que uma pesquisa iniciada com o verbete Johannes Gutenberg pode acabar na Muralha da China. Acredite, falo por experiência própria!
[1] CUNHA, Murilo Bastos da. Manual de fontes de informação. 2. ed. Brasília: Briquet de Lemos / Livros, 2020, p.1. Disponível em: https://repositorio.unb.br/handle/10482/36747. Acesso em: 25 ago.2020.
[2] SAINERO, Gloria Carrizo et. al. Manual de fuentes de información. Madrid: CEGAL, 1994, p. 68-69. Disponível em: http://cdigital.dgb.uanl.mx/la/1020152102/1020152102_010.pdf. Acesso em: 25 ago.2020.
[3] BURKE, Peter. Uma história social do conhecimento: de Gutenberg a Diderot. Rio de Janeiro: Zahar, 2013, p. 155.
[4] CUNHA, Murilo Bastos da. Op. cit., p. 2.