Breves palavras sobre os modelos de Escola na Idade Média
Postagem realizada em: 25/08/2020 às 14:41:11 - Última atualização em: 25/08/2020 às 14:47:49
Autor: Adriana Miranda
Para começar a falar sobre o ensino institucional durante a Idade Média, é necessário termos em mente o nome de dois pensadores que deram início a esse tipo de tentativa: os gregos Isócrates (436-338 a.C.) e Platão (437-348 a.C.). As primeiras escolas de que temos registros foram fundadas por eles respectivamente em 393 a.C. e 387 a.C.
Sendo a Idade Média o período compreendido entre a queda do Império Romano do Ocidente e a transição para a Idade Moderna ou, em outros termos, o período entre os séculos V e XV, as escolas que se iniciaram no ensejo da tradição grega, por meio dos dois pensadores já citados, foram aprimoradas pelos romanos. Nasciam daí os ginásios, as escolas de cálculo e gramática e a tradição das escolas de direito, que ainda hoje se fazem presentes em nosso cotidiano. Todas elas foram heranças fortes, capazes de resistir à decadência do imperador em Roma no século V.
Com o passar do tempo, a História registrou a formação de escolas paroquiais, inicialmente muito ligadas ao poder da igreja. Elas tinham como suas principais atribuições a formação de eclesiásticos. Também com forte apelo religioso, encontramos as escolas monásticas, que, como o nome já sugere, nasceram em diferentes mosteiros da Europa. Essas escolas se ocupavam inicialmente com a formação de futuros monges. Seguindo a tradição destas últimas, as escolas episcopais surgem fornecendo habitações a bispos, visando acima de tudo à formação de um clero secular e de leigos, instruídos, por sua vez, para defender as doutrinas da Igreja. Já um tempo mais tarde, durante o reinado de Carlos Magno (768-814), é fundada a escola palatina, que futuramente tornaria-se referência para a criação de outras escolas mais modernas.
Até aqui, as escolas, como pudemos ver, tinham forte ligação com a Igreja. No entanto, com a emergência de um novo grupo social, a burguesia, a ideia de ensino por meio de escolas passou a ser renovada e trabalhada. Sendo assim, o ensino migrou para as cidades. Dessas iniciativas surgiram as chamadas escolas catedrais. Com elas, as atividades intelectuais passaram a absorver elementos judaicos, árabes e persas, redescobrindo autores clássicos como o próprio Platão. Essas escolas abriram os caminhos para o ensino regular que temos hoje depois de, claro, anos de transformações e novas abordagens.