Aula de 08/06/2020: Resenha texto: Transliteracias: A Terceira Onda Informacional nas Humanidades Digitais


De acordo com as autoras, o lançamento da internet ao final do século XX, “eclodiu como um Big Bang sócio, econômico, tecnológico e cultural”, que mudou completamente a vida de grande parte da população mundial.

            De acordo com as autoras, tal advento mudou colaborou para uma mudança no conceito de usuário passivo para o de navegador ou usuário produtor. A partir disso, surgiram então, novas lógicas, novas semânticas e novas literacias, sendo esta última um conjunto de habilidades ou competências construídas devido ao uso de diversas tecnologias.

            Ao longo de seu desenvolvimento, o uso da web propiciou o surgimento, inclusive, novas áreas de estudo, tais como o de Humanidades Digitais, que seria o uso de recursos tecnológico no campo das artes e humanidades.

            O advento das redes sociais também marca o surgimento de diversas Personas, com o desdobramento de um mesmo usuário em várias redes sociais, tais como Facebook, Instagram, Twitter, Tik Tok etc., inaugurando assim, um novo conceito de Self.

            Essa atuação dos usuários em diversas redes sociais deu origem ao fenômeno conhecido como Fake News, que é a propagação de notícias falsas, que adquiriu um poder inacreditável nos últimos anos, mudando inclusive o rumo de eleições presidenciais em vários países do mundo.

            De acordo com Passarelli, a primeira onda informacional surgiu em 1994, com o lançamento da primeira internet comercial, a web 1.0. Esta primeira versão da web, de acordo com a autora, caracterizava-se como a web das publicações eletrônicas realizadas por especialistas. Os meios de comunicação na web ainda eram entendidos como uma extensão dos meios tradicionais de informação, tais como os canais televisivos, radiofônicos e o jornal impresso. Uma das grandes novidades, porém, foi a transferência da comunicação interpessoal e de trabalho para o e-mail.

Segundo as autoras, a segunda onda informacional se caracteriza como sendo a da cultura da convergência, cultura participativa e de literacias de mídia e Informação. A web 2.0 se caracteriza, segundo O’Reilly (2005) como um conjunto de práticas que formam um “sistema solar de sites”, cruzando as mídias antigas com as mais recentes, e construindo uma forma de comunicação baseada na produção e na ressignificação de conteúdos, que segundo o autor, deu origem à trans mídia.

Devido a isso, a web 2.0 também foi chamada de web participativa ou web como plataforma, pois trouxe consigo o advento dos blogs, das wikis, dos chats, das mídias sociais colaborativas e das redes sociais, com conteúdo produzido pelos próprios usuários das redes.

As autoras citam Jenkins (2009), para o qual as novas mídias possibilitam maior participação dos usuários, que trocam informações o tempo todo. Jenkins afirma ainda, que isso torna os sujeitos mais participativos, tirando-os da passividade dos meios de comunicação mais antigos.

A terceira onda informacional é marcada, de acordo com Passarelli, pela Conectividade Contínua, Infoesfera e Transliteracias, e teria se iniciado por volta de 2010. Segundo as autoras, os setores sociais de educação, saúde, transporte ou jornalismo vem se tornando quase que totalmente dependentes de cinco grandes plataformas digitais americanas, a saber: Google, Amazon, Facebook, Apple e Microsoft.

Neste contexto de plataformização, os dados de usuários passam pelo processo algorítimico e se tornam mercadorias para as grandes empresas, que enviam anúncios aos usuários de modo individual, a partir de suas buscas nas plataformas e de suas compras realizadas online.

A partir das mudanças trazidas pela web 30., surge o conceito de web semântica, e a World Wide Web se torna a World Wide Database, pois o mar de dados existente na web só pode ser processado por uma inteligência artificial – IA.

Em relação à população jovem no Brasil, as autoras ressaltam que, de acordo com a pesquisa TIC Domicílios, realizada pelo IBGE em 2018, subiu de 67% para 70% o percentual de acesso da população à internet, o que equivale a 126,9 milhões de pessoas. Contudo, ainda há muitas dificuldades por parte dos jovens para dominar as tecnologias hoje oferecidas pela internet.

Para as autoras, as literacias digitais são práticas sociais que demandam políticas públicas para garantir a inclusão social das camadas mais pobres da sociedade tanto na produção quanto na fruição da cultura digital.


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