Transliteracias: A Terceira Onda Informacional nas Humanidades Digitais


Henrique Rodrigues Pena Nº USP 10303107 – Biblioteconomia – Noturno

Disciplina: Recursos Informacionais II – Prof.ª Dra. Brasilina Passarelli

 

Resenha do texto: Transliteracias: A Terceira Onda Informacional nas Humanidades Digitais.

 

O artigo, publicado na Revista Ibero-Americana de Ciência da Informação traz uma reflexão sobre a chamada Terceira Onda Informacional. A professora Brasilina Passarelli inicia sua reflexão chamando a atenção para o surgimento da Internet e a explosão informacional ocorrida em função desse fato. Foi com o advento das redes digitais que a informação se popularizou, rompendo a lógica informacional que antes imperada: a de um emissor que fornece informações a um receptor passivo. Hoje, os papéis constantemente se invertem e todos são ao mesmo tempo produtores de infomação e consumidores das mesmas. No contexto do pós segunda guerra mundial, a humanidade expandiu seus conhecimentos e tecnologias, possibilitando infinitas formas de comunicação. E essa explosão informacional é justamente o foco da Ciência da Informação.

A juventude adere rapidamente a esses novos meios de comunicação e de distribuição da informação. Redes sociais, criação de memes, o conceito de self são novas formas de se comunicar muito comuns a essa nova geração que já nasceu digital. Surgem também os conceitos de códigos abertos, ou seja, plataformas onde pessoas podem, não só consumir informação, mas também alterá-la. Com isso, os problemas também aparecem. Uma enxurrada de Fake News também é vista dominando as plataformas digitais. A figura do autor praticamente desaparece. Todos são autores e ao mesmo tempo consumidores. A Internet das Coisas e Big Data são realidades conectando nosso mundo real ao virtual.

A reflexão dá espaço a uma digressão na linha do tempo, onde Passarelli mostra a evolução da informação a começar pela primeira onda, iniciada em 1994 com o surgimento da Internet comercial. Nesse período, a rede mundial de computadores, como era chamada, era mais uma ferramenta de busca de informações preexistentes. Essas informações eram disponibilizadas por grandes grupos e empresas, fazendo com que o usuário fosse um apenas um mero expectador e não um agente ativo de mudanças. A comunicação se dava apenas por e-mails, o que apenas substituía as tradicionais cartas de papel. Mudava-se o suporte, porém não se alterava o modo de se comunicar. Os grandes meios de comunicação não haviam ainda sido alterados. Grandes empresas controlavam a informação e os expectadores continuavam com a participação restrita a cartas enviada a essas empresas, agora não mais em suporte papel e sim em suporte digital. O grau de separação entre as pessoas começou a ser determinado não pela distância geográfica e sim de acordo com a familiaridade do indivíduo com o computador.

Citando Steven Johnson, a autora reflete sobre a questão de como o computador trasnforma nossa vida e nossa maneira de nos comunicarmos. Johnson apresenta também o conceito de personalidades digitais, em uma tentativa de simbiose entre o homem e a máquina.

A internet 2.0 foi também conhecida como a internet da criação de livres conteúdos. Citando o filósofo francês Pierre Levy, a autora mostra que as novas maneiras de pensar estavam sendo elaboradas no mundo da informática e da comunicação em massa. No Brasil, a primeira onda informacional ocorre mais tardiamente, a partir dos anos 2000, quando a internet se torna massivamente ofertada como uma forma de comunicação em massa. Com o acúmulo das experiências no mundo digital, surge, no Brasil, em 2006, a segunda onda informacional. O surgimento e a popularização de redes sociais como o Orkut, propiciaram essa nova explosão informacional. No Estado de São Paulo, programas de socialização da internet e inclusão digital como o Acessa São Paulo propiciaram o aumento exponencial de usuários nas redes digitais. Surgem também as lan houses como ponto de conexão entre o mundo físico e o virtual.

A intenet 2.0 surge trazendo a possibilidade do usuário não apenas ser um mero expectador do que acontece e sim um grande colaborador e produtor de conteúdos. É essa a era dos blogs, wikis, chats, redes sociais colaborativas. Essas novas mídias propiciaram aos usuários a chance de trocar informações o tempo todo. Novas formas de se produzir e consumir cultura alteram o mercado tradicional. As próprias plataformas se modificam, visto que,a gora, as empresas antes detentoras do serviço de informação já não as são mais. Uma rede social torna-se a empresa mais valiosa do mundo.

Em 2008, a UNESCO apresenta o conceito das Literacias de Mídia e Informação, que é um arcabouço teórico para a formação de professores que atuarão como agentes transformadores no mundo digital. Há a necessidade de um letramento em rede digital para que esses agentes possam aprender a atuar em diferentes formas de comunicação e possam entender o que se passa no mundo para assim serem esses agentes transformadores. Habilidades como pensamento crítico, avaliação da informação são extremamente necessárias. Para o combate das chamadas Fake News, esses educadores devem ser capazes de compreender e reconhecer as fontes de informações credenciadas e com autoridade em determinado assunto.

Surge, assim, com essas reflexões acerca de literacias, a terceira onda informacional. Cinco grandes empresas dominam praticamente todas as praticas digitais: Google, Facebook, Apple, Amazon e Microsoft. Há uma mudança no comportamento dos consumidores e o mesmo se reflete nas empresas que deixam de produzir produtos e começam a atuar como uma ponte entre o produtor e o consumidor final, como é o caso de empresas como o I-food e Uber. Dados de usuários em redes sociais começam a ser tratados como mercadoria. Não há uma legislação trabalhista ainda que apoie esse novo tipo de atividade comercial. Chegamos à era em que a internet deixa de ser uma rede de computadores e se torna um banco de dados mundial. Surgem as inteligências artificiais e as Machine learning, como programas que vão estudar o usuário para lhe entregar sempre aquilo que o mesmo deseja ou precisa. Cookies de navegação são utilizados para que propagandas sejam apresentadas ao usuário de acordo com seu histórico de navegação. Surgem os aplicativos de compra. O usuário não precisa mais sair de casa para ir ao banco pagar contas, visto que o mesmo pode realizar esse processo via aplicativo. Surge o conceito onlife para substituir o antigo online e offline. Estaríamos vivendo a terceira revolução, a revolução cognitiva.

Há também pensadores que consideram ser esta a terceira revolução industrial. Impressoras 3D conseguem produzir peças a distância e até mesmo tecidos biológicos. Surge a economia colaborativa. Por meio delas, não profissionais concorrem com profissionais utilizando-se da Inteligência artificial. Casos como o AIRBNB e o Uber são exemplos dessa economia colaborativa. Surge o conceito do trans humanismo no qual o sequenciamento do genoma apoia a engenharia genética. Esse sequenciamento se dá por meio da Inteligência Artificial.

Diante de todo esse exposto é importante que tomemos conhecimento de que a literacia de mídias e informação é essencial para que a juventude possa se apropriar dos conceitos e conteúdos necessários para enfrentar os desafios que se apresentam nesse novo século. Para tanto, é necessário um projeto de capacitação digital e uma acessibilidade aos meios digitais, muitas vezes restritos a uma determinada classe social mais abastada.


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