Aula 09/03 - Base de dados, indexação e visibilidade da produção científica
Postagem realizada em: 16/04/2020 às 12:38:16 - Última atualização em: 05/06/2020 às 11:40:16
Autor: Ernesto Lopes
Base de Dados, Indexação e Visibilidade da Produção Científica.
Após o árduo, e nem sempre justamente remunerado, trabalho de pesquisa e escrita científica em forma de artigo, pesquisadores do mundo enfrentam uma nova batalha para conseguir que seus escritos sejam divulgados e discutidos pela comunidade científica: a divulgação de seu trabalho em uma revista indexada em uma base de dados de reconhecimento internacional. A corrida para ter um trabalho publicado em uma revista indexada em base de dados internacional se tornou condição necessária para que um artigo ganhe visibilidade e entre no círculo virtuoso da espiral da produção científica, em outra palavras, seja recuperado, lido e citado por outros pesquisadores.
Diante dessas “verdades”, naturais aos nichos acadêmicos e científicos, cabem algumas perguntas que nem todos, mesmo que aceitam tais fatos como naturais, sabem a resposta: Por que a publicação em um periódico indexado em uma base de dados internacional é condição básica para a visibilidade de um trabalho científico? Afinal, o que é indexação?
De acordo com o FAQ da LILACS Express (http://lxp.bvsalud.org/P/LILACS_ Express/faqs_pre.htm#indexacao), “Indexação é o processo pelo qual é descrito o conteúdo temático de um documento mediante a atribuição de descritores ou palavras-chave, após sua leitura técnica e análise”. Desta forma, diferentemente da simples representação do documento por meio de palavras-chave, que não seguem nenhum tipo de normalização, a indexação pressupõe a representação do documento por meio da atribuição de descritores do texto sem a preocupação com a normalização e/ou padronização. Então, indexação é o ato de representar o conteúdo de um documento a partir da atribuição de descritores, derivados de uma linguagem controlada e normalizada.
Se hoje em dia é natural pensarmos o procedimento de indexação atrelado às bases de dados digitais, tal procedimento surgiu bem antes da criação das tecnologias digitais. Antes mesmo de existirem as bases de dados digitais, publicações impressas conhecidas como “Abstracts” já avaliavam as revistas e registravam seus dados referenciais. Como informa Coimbra Jr. (1999), “a indexação bibliográfica teve início no final do século XIX e no início do XX, resultante da iniciativa de grupos de pesquisadores que, impossibilitados de acompanhar de seus bureaus a crescente quantidade de materiais que era publicada ao redor do mundo sobre um determinado assunto, se viram impelidos a desenvolver sistemas que racionalizassem e facilitassem o acesso às informações. (p. 884).
Na recuperação da informação por indexes impressos, além da necessidade da consulta local em bibliotecas e centros de informação que continham o material, exigia muito tempo e paciência dos pesquisadores. Já a informatização das bases de dados trouxe grande benefício aos usuários, pois imprimiu velocidade e precisão na busca de informação.
Hoje em dia, as possibilidades trazidas pela indexação em uma base de dados digital não se restringe à representação temática do conteúdo de um documento mediante a atribuição de descritores. Indexação ganhou a conotação do processo de avaliação e registro dos artigos da revista, além da inclusão da referência e dos resumos dos artigos da revista aprovada. Funcionando como um funil, as bases de dados garantem a qualidade dos artigos publicados em um periódico indexado, pois exigem requisitos e procedimentos de alto padrão, internacionalmente reconhecidos.
Referências:
Coimbra Jr., C. E. A. (1999). Produção científica em saúde pública e as bases bibliográficas internacionais. Cadernos de Saúde Pública, 15(4), 883-888.