Biblioteca da FAU
Postagem realizada em: 28/08/2007 às 19:25:47 - Última atualização em: 30/11/-0001 às 00:00:00
Autor: Luciana Corts Mendes
Relatório de Visita à Biblioteca Eduardo Augusto Kneese de Mello da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP)
A proposta original desta atividade era visitar a biblioteca de nossa unidade, a Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), onde deveríamos verificar o perfil da instituição, identificar seus tipos de fontes de informação e sua programação visual.
Para os que já conhecessem muito bem esta biblioteca, a professora Brasilina Passarelli deixou a opção de visitarmos uma outra biblioteca, de qualquer faculdade da Universidade de São Paulo, uma vez que, aqueles habituados à biblioteca da ECA, não teriam o mesmo resultado no exercício, que já estaria comprometido por nossas visitas prévias, que nos conferiram familiaridade com o espaço.
Nesta visita não poderíamos recorrer nem ao catálogo, nem aos bibliotecários para a realização da atividade.
Apesar de já ter ido outras vezes à FAU, eu jamais havia visitado sua biblioteca, por tal motivo selecionei-a para realização deste relatório, assim pude me familiarizar com o espaço e a grande variedade de fontes de informação existentes na Biblioteca Eduardo Augusto Kneese de Mello, que abriga a coleção dos cursos de graduação. A FAU possui também uma outra biblioteca, na Rua Maranhão, 88, que sedia o curso de pós-graduação e a coleção de obras destinada a este.
Por ser uma faculdade de arquitetura e urbanismo, sua biblioteca contém uma série de diferentes fontes de informação além de livros e periódicos, como plantas, mapas e catálogos de materiais de construção. Este acervo é o maior do Hemisfério Sul nas áreas de arte e arquitetura.
Dentre o conjunto de obras que formam a biblioteca encontramos todos os três tipos de fontes de informação, sendo sua maior parte fontes primárias. Neste quesito não posso reclamar da biblioteca, que é bastante completa, mas sobre o espaço podem-se fazer diversas ressalvas.
O problema da sinalização da biblioteca já começa pelo indicativo de sua própria localização, uma vez que não vi nenhuma placa que indicasse onde fica a biblioteca.
Depois de subir dois lances das rampas, encontra-se uma porta de vidro à esquerda, com uma placa na frente, não muito grande, onde vemos o nome da biblioteca e algumas informações sobre seu funcionamento, tudo isto escrito com letras de um tamanho médio. Acredito que uma pessoa um pouco distraída poderia passar direto pelo local sem perceber que ali é a entrada da biblioteca.
O problema da sinalização é verificável em todo o local, que conta com tabuletas indicativas dos setores da biblioteca onde o usuário se encontra, mas aquelas são pequenas, estão muito próximas ao teto e seus dizeres em estão escritos em caracteres pequenos para o fim que têm.
Um conjunto de duas mesas e duas bibliotecárias é o “portal” de entrada para a biblioteca, mas não aparenta ser o balcão de atendimento, ao menos como o conheço. Tive a impressão de que se tratavam de duas mesas do trabalho do processamento técnico não fosse o local onde se encontravam. Nas bibliotecas das outras faculdades da USP que já visitei é mais fácil notar que ali é onde devemos ser atendidos e acredito que tal disposição seja um outro fator que contribui para que o local não pareça a entrada da biblioteca.
Somente quando estava saindo, ao terminar a visita, percebi que acima dessas duas mesas, pendurada no teto, havia uma placa com os dizeres: Informações, Empréstimo e Saída. Posso ser considerada distraída, mas levando-se em consideração as características das placas da biblioteca, não acredito que tenha sido este o caso.
Apesar de, ao menos teoricamente, ser uma biblioteca muito visitada dado o teor de seu acervo, achei pequeno o número de guarda-volumes ali existentes.
Logo que se adentra a biblioteca há seis terminais de consulta ao catálogo eletrônico das bibliotecas da USP (Dedalus) e acima deles uma placa indicando a localização das diferentes partes constituintes do acervo.
De forma geral achei a área da biblioteca pequena. Apesar de ser longa ela é muito estreita e o espaço entre as estantes é diminuto, cabendo apenas uma pessoa entre cada bloco de estantes. Além disso quase não há espaço para novas obras nas estantes e como não há aparente divisão quando uma termina e outra começa, o usuário pode se perder na hora de localizar um documento, pois pode seguir na mesma seqüência horizontal, quando na verdade a continuação ocorre verticalmente, ou seja, na prateleira de baixo.
Apesar do local ter sido reformado em 1998 já está muito pequeno para o acervo que possui, o que acaba deixando, a meu ver, pequeno o número de lugares destinados ao estudo dentro da biblioteca, ainda mais que devido aos mapas, planos e projetos há necessidade de se ter grandes mesas que permitam aos usuários abrir completamente os documentos.
À direita dos computadores existe o fichário, que não é atualizado desde 22 de maio de 2001. Como a etiqueta com tal indicação está atrás da primeira parte do fichário, o usuário que prefere utilizar o catálogo manual ao eletrônico não obtém tal informação imediatamente, perdendo a informação contida nos documentos que entraram no sistema após essa data.
Logo após os computadores encontra-se o acervo de livros e periódicos. Os primeiros estão organizados com a Classificação Decimal de Dewey (CDD), e nas laterais das estantes encontramos os números de classificação da primeira e última obra daquela estante. Além disso nas prateleiras existem placas com os números de classificação e o assunto dos livros sempre que se inicia um novo assunto. Devo destacar que não são todos os números de classificação que têm uma tabuleta dessas na estante. Os assuntos aplicáveis a apenas alguns poucos livros não contam com uma placa na estante, apenas os assuntos que abarcam uma grande quantidade de livros.
Observando atentamente a disposição das obras nas estantes percebi que havia vários livros fora de seu lugar correto na ordem numérica e que as teses estão misturadas com os livros, fato que não ocorre na biblioteca da ECA, por exemplo, onde livros e teses ficam em espaços distintos.
Num dado momento as estantes dão lugar à mesa da bibliotecária de referência, devidamente identificada com uma placa. Depois de sua mesa continuam os livros e assim que estes terminam aparecem os periódicos, que estão organizados alfabeticamente e em ordem cronológica dentro da coleção de cada periódico.
Na lateral das estantes há os nomes dos periódicos que dão início e fim ao conjunto que preenche uma estante. Além disso, toda vez que tem início a coleção de um periódico, este é identificado por uma tabuleta na prateleira.
Quando os periódicos terminam há a última uma parede da biblioteca, onde está encostada uma estante para os “Livros Grandes”, como indica sua placa de localização, que não cabem na estante normal. Dentre eles encontramos alguns livros de mapas e plantas e catálogos de bienais de arquitetura. A placa que identifica esta parte do acervo está escondida demais e dependendo do lugar em que a pessoa se encontre não pode ser lida, deixando o usuário sem saber o que significa aquela área.
É interessante notar que existem alguns livros que não cabem nas estantes normais, mas em vez de estarem na área de livros grandes encontram-se no acervo comum, mas deitados, ocupando um espaço que poderia servir a outros livros menores.
Na parede à esquerda de quem olha a biblioteca de costas para a estante de livros grandes, ou à direita de quem entra na biblioteca e passa a área do fichário, existem os folhetos, apostilas, bibliografias e as obras de referência. Os folhetos não apresentam classificação ou nome para os identificar e não vi qualquer letreiro identificando onde ficam as apostilas.
As bibliografias apresentam o nome das obras nas prateleiras, como no caso dos periódicos, e as obras de referência contém o número de classificação e o tipo de obra, como no caso dos livros, que contém classificação e assunto. É interessante notar que apenas no começo das obras de referência há uma placa que indique o que são aquelas obras, mas, como o início dessa seção é no fim da biblioteca, o usuário que acaba de adentrar o espaço pode não identificar o que são tais obras.
Terminando as obras de referência existem os “Livros para Consulta”, aqueles que não podem ser retirados do acervo.
Além da área descrita, a biblioteca conta com uma estante de madeira à direita da entrada que contém as novas aquisições e as revistas do ano corrente e do ano anterior. Após esta estante existe uma sala identificada como audiovisual, onde existem os materiais audiovisuais, mapas e projetos.
Logo que se entra nessa sala depara-se à esquerda com algumas mesas de bibliotecárias e à direita com uma longa série de gavetas, com uma placa sobre o móvel identificando que ali estão os diapositivos.
Continuando em frente existe uma placa indicando os materiais que existem na sala e setas indicando onde eles ficam.
Ao virarmos no fim dos armários dos slides temos dois conjuntos de estantes deslizantes e mais algumas mesas de trabalho. A primeira das estantes contém as cópias dos projetos feitos pelos alunos e a segunda apresenta mapas, catálogos de materiais de construção e CDs.
Excluindo-se os CDs, os materiais são todos classificados como os livros do primeiro salão da biblioteca, contendo etiquetas nas laterais das estantes com o mesmo tipo de indicação do acervo bibliográfico. Já os CD-ROMs apresentam etiquetas de numeração comum (1, 2, 3, etc.), o que me pareceu indicar que é somente colocado o número referente à chegada do documento no acervo da biblioteca.
Terminadas as estantes rolantes temos a Sala de Projetos Originais Eunice R. Ribeiro Costa, que contém todos os projetos originais desenvolvidos pelos alunos. Ao lado desta há a sala de Obras Raras, vizinha da sala de conservação.
Considerei toda a biblioteca bastante desordenada, de acordo com os parâmetros que tive em outras bibliotecas, mas a sala de audiovisual é especialmente bagunçada, principalmente a área de projetos. Estes problemas devem-se, a meu ver, à falta de espaço que a biblioteca enfrenta, pois ela já não tem mais onde colocar todo o acervo que possui e aquele que tem de adquirir conforme o tempo passa. Sua área já não dá mais conta do volume da sua coleção.
Gostei bastante de realizar esta atividade, que pôde me dar uma melhor noção de como cada tipo de documento deve ser disposto em uma biblioteca, além de me mostrar os problemas de infra-estrutura que uma biblioteca enfrenta, que até então eu não havia visto com tanta urgência de resolução como na Biblioteca Eduardo Augusto Kneese de Mello.