Postagem realizada em: 27/03/2020 às 21:36:10
Autor: Henrique Pena
Henrique Rodrigues Pena nº 10303107
Disciplina: Recursos Informacionais II
Resenha dos textos: Conectividade contínua e acesso móvel à informação digital: jovens brasileiros em perspectiva e Mediação da informação no hibridismo contemporâneo: um breve estado da arte.
No primeiro texto, a autora Brasilina Passarelli inicia sua reflexão apresentando um panorama de como a comunicação se dá no início do terceiro milênio. Internet das Coisas e Big Data são termos em alta nos estudos relacionados à ciência da informação. Pessoas utilizam, cada vez mais, meios tecnológicos para a comunicação. O foco principal da pesquisa em questão é mapear os hábitos da população, especialmente da população mais jovem, que é uma grande consumidora das novas tecnologias.
A autora mostra que os jovens, antes grandes utilizadores de laptops, têm-se voltado ao uso dos dispositivos móveis para sua comunicação. Por meio desses dispositivos, os jovens conseguem participar de comunidades de nichos, que reúnem pessoas que possuem os mesmos interesses.
A maioria dos lares são equipados com dispositivos móveis como smartphones e, segundo o estudo em questão, a maioria dos alunos do ensino fundamental e médio tem no celular a maior ferramenta de acesso à Internet. Esse acesso é motivado, sobretudo, pela teoria da gratificação que concentra-se na motivação pela qual as pessoas utilizam desses meios digitais de fácil acesso. Sociabilização, entretenimento, afirmação psicológica e acesso imediato estão entre outros motivos pelos quais o acesso é tão frequente.
A hipótese da pesquisa centra-se na ideia de que a intensidade do uso e a apropriação da informação atua como principal motivação para a migração das mídias, consideradas tradicionais, para as novas mídias digitais.
A metodologia utilizada para a pesquisa foi a de Análise das Correspondências Multiplas
que permite analisar graficamente as relações existentes através da redução de dimensionalidade do conjunto de dados, com o objetivo de determinar o grau de associação global entre suas linhas e colunas, indicando como as variáveis estão relacionadas. Com os gráficos produzidos, pode-se avaliar visualmente se as variáveis de interesse sugerem possíveis associações e como elas estão dispostas, ou seja, mais próximas ou mais afastadas do eixo de origem, de forma que os perfis de cada unidade possam ser avaliados (BENZÉCRI, 1992; BEH, 2002; GREENACRE, 1984; GREENACRE, 2007).
Participaram da pesquisa 150 jovens, alunos de escolas públicas e particulares da cidade de São Caetano do Sul, com a faixa etária de 14 a 17 anos de idade. A esses foi apresentado o questionário contendo as perguntas que alternaram-se entre questões de múltipla escolha e tabelas de matriz por perfil. Também foi disponibilizado um questionário on line que ficou no ar pela duração de três meses. Obteve-se 104 questionários completos respondidos, sendo a maioria dos entrevistados do gênero feminino e das classes altas. Obteve-se também uma resposta das classes mais baixas, economicamente falando e de pessoas que se identificaram com o gênero masculino. Todos confirmaram que já acessaram a internet ao menos uma vez na vida.
Os resultados mostram que os computadores desktop que sofrem os efeitos da chamada obsolescência programada, não são substituídos por outros equipamentos similares o que causa uma queda no número de desktops e um crescente avanço no número de smatrphones. Esses dados confirmam a tese inicial de que os jovens têm substituído o acesso dos antigos desktop por meios móveis de comunicação. Observa-se também a predominância das redes sociais nos acessos dos jovens. A grande maioria possui acesso às redes Whatsapp e Facebook.
A cultura dos selfies e das fotos instantâneas fazem com que os jovens também procurem redes sociais que permitam o compartilhamento dessas fotos tais como o Instagram e o Snapchat. Essa comunicação visual e pictórica tem a tendência também de substituir a comunicação verbal escrita tal como conhecemos. Ferramentas como Twitter e Tumblr, muito utilizadas em países como Estados Unidos têm uma utilização baixa e restrita a alguns grupos de jovens no Brasil.
Aos pertencentes às classes mais economicamente desfavorecidas, o uso de plataformas virtuais de aprendizagem é praticamente desconhecida. Já o uso de aplicativos de encontros e de namoros virtuais ocupa uma grande parcela na popularidade entre essa faixa da população.
Entre os usuários dos meios móveis de acesso, a agrande maioria relata preferir utilizar esse meio para seu entretenimento e relacionamento, em detrimento ao uso dos laptops. Com isso, aplicando-se a teoria das gratificações, temos a diversão e os relacionamentos, ligados à afeição, sociabilidade e entretenimento e, nesses caos, o jovem busca plataformas de acesso móvel para que possa acessar de onde estiver, em qualquer momento. Para jogos, ouvir música, assistir a vídeos e séries, 82% dos entrevistados também preferem os smartphones e tablets. Em se tratando de receber noticias, temos mais uma vez, preferência pelos dispositivos móveis, o que, de acordo com a teoria das gratificações, refere-se ao acesso imediato.
Pensando-se em educação, os laptops são mais utilizados para se estudar quando a frequência é menor durante o mês. Indica-se assim que os jovens preferem utilizar o computador em detrimento das plataformas móveis para se estudar para uma prova ou para se realizar alguma atividade on line.
Com relação à diferenças entre os estratos sociais, percebe-se que os jovens de maior renda percebem a migração dos dispositivos antes fixos, como os computadores de mesa para os dispositivos móveis. Nas classes sociais menos favorecidas, essa percepção é relativamente menor. Talvez pelo pouco acesso que essa classe possuía dos aparelhos em outros tempos e do rápido acesso que possuem dos aparelhos móveis, pela popularização dos aparelhos celulares ocorridos nos últimos tempos. Em relação ao acesso, os usuários das classes mais abastadas informam que possuem a tolerância à utilização dos pacotes de dados maior do que a de usuários das classes menos favorecidas que buscam soluções menos custosas para o seu acesso. A grande maioria dos jovens informa também que sente uma facilidade maior no uso dos dispositivos móveis e percebem que os computadores de mesa são utilizados por pessoas de mais idade.
Para finalizar seu artigo, a autora conclui que os dispositivos móveis são mais utilizados do que os dispositivos tradicionais de mesa. O uso de Smartphones para utilização de redes sociais e de comunicação superou o uso de computadores, diferentemente do que mostravam os estudos anteriores. Há uma grande preferência na utilização desses dispositivos em ambas as classes sociais o que mostra que as ferramentas de acesso às informações é extremamente dinâmica e cabe a nós, profissionais da informação, pensarmos em meios de as utilizarmos a fim de atingirmos essa faixa etária.
No segundo texto, a autora Brasilina Passarelli divide sua reflexão em três momentos. No primeiro momento, apresenta a sociedade hiperconectada na qual vivemos, em seguida apresenta o conceito da mediação da informação e encerra seu trabalho apresentado o resultado do encontro 1st Forum on Media and Information Literacy, promovido pela Comissão Europeia em parceria com a UNESCO e a Universidade Aberta de Barcelona.
Em sua introdução, autora informa que as relações sociais e suas estruturas de poder passam por uma reconfiguração por conta da utilização massiva da Internet, por meios como o Big Data e a Internet das Coisas. Surge também novas competências e habilidades para lidar com as novidades tecnológicas, chamadas de media literacy que fazem com que a relação de comunicação anteriormente concebida como uma relação emissor-receptor passe a ser questionada. Meios de comunicação em massa tradicionais sofrem transformações com esse avanço tecnológico. Segundo estudos do sociólogo Derrickk de Kerkhove, os meios de comunicação e o indivíduo sofrem uma forma de fusão inseparável, onde as redes digitais tornam-se como extensões do corpo do indivíduo.
Há, segundo a autora, duas ondas na introdução da internet no Brasil: a primeira, ocorrida a partir dos anos 2000, na qual houve um massivo investimento na socialização da internet no Brasil, especialmente para as classes de baixa renda e a segunda, a partir de 2006, quando instituições começam a pensar formas de utilização das redes digitais.
No contexto da pesquisa acadêmica, destaca-se o projeto inovador da autora, que assume em 2007 a coordenação cientifica da Escola do Futuro da Universidade de São Paulo (USP) e institui o Observatório da Cultura Digital. Esse Observatório realiza pesquisas que observam e analisam as mudanças na utilização da rede como mecanismo de interação social. Destaca-se duas pesquisas realizadas com jovens sobre a utilização de tecnologias por crianças e jovens, pesuisa essa aclamada internacionalmente.
Os estudos de Leah A Lievrouw mostra que esse processo de comunicação digital têm sua origem nos anos 70. O conceito de mediação foi utilizado como uma ponte entre duas tradições desde os anos 70. As mídias digitais eram abordadas por alguns pesquisadores como canais adicionais a mídias tradicionais como a TV, o Rádio, O Cinema,a mídia impressa. Com isso, os autores consideravam a forma de comunicação tradicional: emissores (veículos de comunicação em massa) e receptores (grande público consumidor de informação). Interações em vias de mão dupla não eram consideradas. Práticas interacionais só são consideradas a partir dos anos 2000, coma chamada WEB 2.0.
Conceitos como narrativas transmídias surgem com os trabalhos de pesquisadores como Henry Jerkins, em 2006. Jerkins coloca a aparição de três vetores como convergência dos meios de comunicação, cultura participativa e inteligência coletiva.
Luciano Floridi preconiza que vivemos a quarta evolução: Tivemos Nicolau Copérnico, Charles Darwin, Sigmundo Freud e, agora Alan Turin como grande impulsionadores da evlução humana. Passamos, após Turin, a nos perceber como seres informacionais interconectados. A informação já não é importante por ser ciência e sim por ser interface. E por meios dessa interface, diferentes ciências utilizam-se dela para passar seus conhecimentos e avanços.
Diferentemente de quando pensávamos em estar ou não conectados à internet e utilizávamos termos como on line/off line, Floridi passa a utilizar o termo on life pois nossa vida, nossa alimentação, a forma como nos vestimos ou nos comunicamos é diretamente influenciada pela internet. Vivemos, segundo o autor, em um mundo analógico em que comemos, dormimos, e, ao mesmo tempo, dependemos de um mundo virtual e digital para nosso trabalho e nossa comunicação com o mundo. Esse movimento ganha força a partir de 2013 com a publicação do Manifesto The on life manifest no qual um grupo de pesquisadores refletem sobre essas complexas questões acerca das tecnologias virtuais. Converge-se em um evento, em 2014, conhecido como o primeiro fórum europeu para se elaborar políticas de inclusão digital para a educação européia. Recenhece-se que a tecnologia digital é transversal a todas as mídias e o uso delas é de suma importância para o ensino formal e informal.
“As MIL não significam só educar a população para a mídia, mas também propor campanhas sustentáveis que possam ser replicadas ao redor do mundo num continuum que emule a complexidade contemporânea da hiperconectividade dos atores em rede.” (PASSARELLI, 2014)