[AULA 2] OS COMPUTADORES MODERNOS E OS BANCOS/BASES DE DADOS


[AULA 2] OS COMPUTADORES MODERNOS E OS BANCOS/BASES DE DADOS

 

  • CONCEITO DO COMPUTADOR E SUAS GERAÇÕES

 

Para iniciarmos o tema do blog é importante entendermos o conceito da palavra computador. Segundo o Dicionário Michaelis (2020), o termo significa: 

 

“sm

1 Aquele ou aquilo que calcula baseado em valores digitais; calculador, calculista.

2 TERMO DA INFORMÁTICA: Máquina destinada ao recebimento, armazenamento e/ou processamento de dados, em pequena ou grande escala, de forma rápida, conforme um programa específico; computador eletrônico.”

 

 

A partir de uma informação básica que possuímos a respeito sobre o termo computador, nós podemos prosseguir com o histórico do computador que será fundamental para entender o processo dos bancos e bases de dados que possuímos, atualmente. O começo da história dos computadores modernos se deu no período da 2ª Guerra Mundial e no pós da guerra, quando os países necessitavam aumentar o poder bélico, para demonstrar a soberania destes países. Não é ao acaso que a segunda definição do dicionário nos coloca que o computador é uma máquina de processamento rápido de dados, ou seja, da informação, o que faria uma grande diferença na decisão da vitória da guerra. Com isso, os computadores modernos foram sendo criados e são separados em gerações:

 

GERAÇÃO
PONTOS PRINCIPAIS
PRÉ-MODERNA

 

  • Consiste nos primeiros usos de componentes eletrônicos dentro das máquinas; a utilização do código binário (idealizado por George Boole) - 0 e 1 - criando o formato bits por Vannear Bush, em 1931; a quantidade energética - 0 como desligado/não ativo e o 1 como ligado/ativo - dos bits utilizando a ideia inicial de George Boole;
  • Antes da criação da máquina ENIAC, algumas máquinas já haviam sido criadas como o MARK I criado pela Universidade de Havard e o Colossus de Allan Turing.

 

1ª GERAÇÃO
(1946 — 1959)

 

  • Os primeiros computadores modernos utilizavam válvulas eletrônicas e cabos enormes de fiação, o que gerava um superaquecimento das máquinas e problema no gerenciamento dos programas das máquinas;
  • O computador ENIAC - Electrical Numerical Integrator and Calculator - foi a máquina que revolucionou a 1ª Geração, visto que esta era mais rápida e eficiente do que as outras da época. Marca-se o início da computação digital e uma redução na operabilidade manual e a inserção de dados no painel de controle da máquina.

 

2ª GERAÇÃO
(1959 — 1964)

 

  • Para a 2ª Geração, nós temos a substituição das válvulas eletrônicas pelos transístores. Também houve a criação dos circuitos impressos, o que fazia com que os fios não ficassem espalhados no chão. Houve a criação de duas categorias: os supercomputadores e os microcomputadores;

    • Supercomputadores: O IBM 7030 (Strech) foi desenvolvido pela IBM. O objetivo da máquina era realizar cálculos na casa dos microssegundos. Várias linguagens foram desenvolvidas para este supercomputador dentre elas: Fortran, Cobol e Algol.

    • Microcomputadores: O PDP-8 foi uma versão mais básica do supercomputador e que ofereceu custos menores aos investidores devido a praticidade do equipamento. Apesar de serem chamados de microcomputadores, eles ainda ocupavam uma área bastante considerada do local.

 

3ª GERAÇÃO
(1964 — 1970)

 

  • A 3ª Geração ficou conhecida pelo uso dos circuitos integrados - que se comunicavam com hardwares diferentes, a partir de uma placa em comum - além de reduzir mais o tamanho das máquinas, bem como os preços dessas. Máquinas produzidas pela empresa IBM foram importantes para a inovação dos computadores. As máquinas dessa geração tiveram um foco mais voltado para os hardwares, o que deixava os softwares desatualizados e pouco invocados.

 

4ª GERAÇÃO
(1970 —)

 

  • A 4ª Geração é conhecida pelos microprocessadores e computadores pessoais. As CPUs atingiram velocidades que permitiram que muitas tarefas fossem implementadas e executadas. É importante observar que os sistemas e os softwares foram e são peças-chave para a renovação dos computadores que temos atualmente;

  • Algumas marcas como a Apple e a Microsoft cresceram neste meio, sendo consideradas empresas fundamentais em questões de programas de software, bem como de seus aparelhos pessoais - tais como os microcomputadores, telefones celulares, notebooks etc.;

  • Atualmente, a tecnologia está cada vez mais atrelada a elementos nano, ou seja, os computadores se inovam e trazem maior portabilidade e conforto ao usuário com as máquinas. O telefone celular - atualmente dito como smartphone - é um exemplo de como a tecnologia progrediu rapidamente do fim do século 20, para os anos que se passaram no século 21.

 

 

Observando a história do computador, nós percebemos que houve um intenso processo de diminuição física da máquina, para que essa pudesse sempre estar ao lado do ser humano e que este pudesse melhorar seu ambiente de trabalho, bem como o bem estar do mesmo. A necessidade de se configurar o tamanho da máquina, também implicou em mudanças drásticas nos sistemas que operavam nestas máquinas. Assim, podemos entender que o computador é fundamental na história da humanidade exercendo ao longo dos anos, serviços inimagináveis a sociedade, mas que prezam sempre por um objetivo único: transmitir o fluxo do conhecimento via dados de modo rápido e eficiente.
 

  • O MUNDO DOS BANCOS E DAS BASES DE DADOS

 

⇒ BANCOS DE DADOS

Os bancos de dados existem com um propósito organizacional da informação. Inicialmente, suas tarefas eram executadas a partir das fichas em papel, nos quais eram todas arquivadas e, assim, criava-se a primeira forma de banco de dados. No entanto, a busca pela informação era mais demorada, ainda mais quando se necessitava acrescer informação; o espaço que havia também possuía suas limitações.

No começo dos computadores modernos, os registros realizados cumpriam a sua função de alinhar a tal “entidade (clientes, funcionários, produtos)” (DICAS DE PROGRAMAÇÃO, 2013) com a informação que era registrada nas fichas. Assim criava-se a concepção dos primeiros “softwares simples” que eram basicamente arquivos digitais básicos, no qual realizava a busca pela informação de maneira simples. No entanto, esses arquivos digitais não conseguiam realizar as operações de interatividade para os “softwares simples” que precisaram ser renovados para que pudessem relacionar essas entidades com o sistema

A primeira empresa a realizar algum trabalho do tipo foi a IBM, nos anos 60, que investiu em pesquisas e resultou na criação de vários bancos de dados que conhecemos como os modelos hierárquicos e os de rede. Na década de 70, foi apresentado pela empresa, um artigo escrito pelo pesquisador Edgar Frank “Ted” Codd intitulado A Relational Model of Data for Large Shared Data. A pesquisa foi fundamental para a mudança dos bancos de dados que olharam pela perspectiva de um usuário conseguir poder retirar ou armazenar esses dados sem que estes necessitassem de conhecimentos técnicos.  Com essa aproximação, os bancos de dados puderam criar relações mais complexas, nomeando-os como bancos de dados relacionais que não foram sucedidos comercialmente, mas tiveram importância como base para os outros sistemas de bancos de dados. Atualmente, os bancos de dados tem uma finalidade para determinados documentos: cada local decide como que o banco de dados deve operar.

 

BASES DE DADOS

Já as bases de dados, possui uma finalidade mais precisa: os dados são organizados de forma a conseguir recuperar a informação de modo mais rápido e eficiente; são direcionados já para o seu público - estudo de usuário; contém informações que estão atualizadas mais precisamente. Os bancos de dados são, portanto, um aglomerado das bases de dados: reúnem todas as informações em grandes máquinas, atualmente conhecidos como centro de processamento de dados

No campo acadêmico, o contato com as bases de dados que possuímos, estão principalmente conectadas com as grandes casas editoriais das ciências duras - área das biológicas e exatas. Empresas como Elsevier, Springer Science+Business Media, Clarivate Analytics são responsáveis por organizar várias bases conhecidas que residem todos os trabalhos acadêmicos do mundo e que utilizam o chamado fator de impacto - ou impact factor, termo em inglês criado pelo linguista Eugene Garfield, com o objetivo de se observar a quantidade de menções que determinado periódico possuía e a periodicidade do próprio periódico. Esta ferramenta é utilizadas pelas bases de dados com os mesmos objetivos dos periódicos, mas voltando para vários escritos acadêmicos que vão desde artigos científicos, teses, anais etc.

Para ilustrar o mundo das bases de dados, cobrirei o histórico de algumas delas, dentre os quais 6 delas são reconhecidas e utilizadas dentro da comunidade acadêmica:

 

 

NOME DAS BASES DE DADOS
HISTÓRICO BREVE

 

  • A Web of Science surge a partir do grupo ISI - Institute for Scientific Information - e era inicialmente chamado como Web of Knowledge. Criado pelo cientista Eugene Garfield, atualmente, a base de dados multidisciplinar é considerada uma referência para várias áreas do conhecimento, com mais de 1,7 bilhões de citações (WEB OF SCIENCE GROUP, 2020);

  • Dentro da Web of Science, existem os bancos de dados de citações que fazem parte da coleção Web of Science Core Collection (menção em * devido ao papel fundamental que a base possuí para a Web of Science):

    • *Science Citation Index Expanded (SCIE): Este banco de dados, em especial, além de ser parte integrante da Web of Science, ela é fundamental para realizar o fator de impacto dos trabalhos acadêmicos inseridos na base.

    • Social Science Citation Index (SSCI)

    • Arts & Humanities Citation Index (AHCI)

    • Emerging Source Citation Index (ESCI)

    • Book Citation Index (BCI)

    • Conference Proceedings Citation Index (CPCI)

  • A Web of Science também abriga bancos de dados regionais (ex.: Chinese Science Citation Index, SciELO etc.)

 

  • A Medline é uma base de dados criada pela National Library of Medicine (NLM) focada na área das biológicas contendo mais de 25 milhões de informações na área, com enfoque também à área da biomedicina. A base de dados é construída a partir das discussões realizadas pelo Literature Selection Technical Review Committee (LSTRC) que é o grupo responsável pela entrada dos trabalhos científicos na base;

 

  • A base de dados pode ser acessada via PubMed - criada pela NLM - pela própria National Library of Medicine. No Brasil, o acesso a base de dados é dado pela Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), responsável em reunir outras bases ligadas a área da saúde no país (ex. LILACS).

 

  • A SciELO é uma base de dados criada por um projeto em conjunto da FAPESP - Fundo de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo - e a BIREME/OPS/OMS - Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde entre março de 1997 e maio de 1998. Desde 2002, a SciELO também conta com a ajuda do CNPq - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico;

  • A SciELO é dividida em três componentes:

    • Metodologia SciELO: É a operação e manutenção da base de dados. Esta fase inclui várias etapas que vão desde organização da informação a preservação digital dos documentos depositados na SciELO. A metodologia inclui o fator de impacto e a inclusão de hiperlinks que redirecionam a bases de saúde importantes como a LILACS e a PubMed;

    • Modelo SciELO: É a utilização da Metodologia SciELO. Esta aplicação seria para desenvolver a base de dados em outros países. Isso é observado logo na página inicial do website quando vemos os países que são integrantes da base SciELO;

    • Desenvolvimento de Alianças: Esta fase é fundamental, pois ela constitui o networking acadêmico (sejam pessoas físicas ou instituições), além de reforçar a importância do Modelo SciELO em outros países do mundo.

 

  • A SCOPUS é uma base de dados criada em 2004 pela empresa Elsevier. Seus grandes enfoques são as áreas de ciências humanas, ciências duras, saúde e bem estar. A base encobre alguns tipos de trabalhos científicos: os periódicos, os artigos científicos e livros seriados;

 

  • Com mais de 1,4 bilhões de citações, 24.600 títulos, 5000 editores e a utilização da bibliometria e do peer-reviewed (SCOPUS, 2020), a base conta com um rigoroso processo de seleção de seus materiais. O grupo Scopus Content Selection and Advisory Board (CSAB) é quem realiza o processo de seleção e é formado por pesquisadores, cientistas e bibliotecários de várias áreas do conhecimento.

  • O WorldCat é uma base de dados que serve como um catálogo online que permite a busca entre os acervos de várias bibliotecas espalhadas pelo mundo. Fundada em 2003 pela OCLC - Online Computer Library Center - a base é gratuita para todos usarem, menos algumas funções que são conectadas a OCLC (algumas incluem: gerenciamento de coleções e fontes de aquisição).

 

  • A base é comumente usada por vários bibliotecários do mundo devido a versatilidade da base na procura de materiais físicos - livros, CDs, DVDs, vídeos etc. - a materiais raros que são dificilmente encontrados ou filtrados na internet. A base também possui opções como adicionar informações e também uma opção de “pergunte a um bibliotecário”.

  • A JSTOR (Journal Storage) é uma base de dados concebida por William G. Bowen, então presidente da Fundação The Andrew W. Mellon, no ano de 1994, com o objetivo de ajudar universidades e bibliotecas universitárias e providenciar um espaço que pudesse reunir a produção acadêmica de todo o mundo em um local único. Atualmente, a base de dados oferece mais de 12 milhões de textos científicos, 85.000 livros e 2 milhões de documentos diversificados em várias áreas do conhecimento (JSTOR, 2020). 

 

  • A ideia principal da JSTOR é que a comunidade acadêmica possa aproveitar a base com um baixo custo a gratuidade, pois entende-se a dificuldade de bolsa que os pesquisadores possuem para conseguirem se manter dentro das universidades. Além disso, a base de dados tem uma preocupação com a preservação de seus arquivos, utilizando data centers que possuem um backup da biblioteca digital da JSTOR.

 

  •  OPINIÕES SOBRE O TEMA DESTE BLOG

 

Como podemos observar, a tecnologia avançou em um curto período de tempo - considerando os séculos 20 e 21 estudados brevemente - observando como os computadores e os bancos/bases de dados foram progredindo. Um fator importante a ser observado é o quanto a informação é valiosa para ambos os temas: ela é quem faz a sociedade se movimentar em qualquer tempo e lugar. Além disso, apesar de não mencionado no texto, mas é perceber como que o mundo das bases de dados faz parte de um processo bibliotecário: algumas bases como a Web of Science ressaltam a importância dos bibliotecários terem essas bases para oferecer aos pesquisadores, melhores resultados de trabalhos científicos.

Como final, o mundo dos computadores e das bases de dados continuam progredindo para unificar mais a informação do mundo inteiro e dar variedades a sociedade sobre os assuntos debatidos e colocados em diversos trabalhos científicos e lançados ao mundo.

 

REFERÊNCIAS

 

BID TEXTOS UNIVERSITARIS DE BIBLIOTECONOMIA I DOCUMENTACIÓ. Disponível em: http://bid.ub.edu/en/37/garfield.htm. Acesso em: 12 MAR. 2020

DICAS DE PROGRAMAÇÃO. Disponível em: https://dicasdeprogramacao.com.br/a-historia-dos-bancos-de-dados/. Acesso em: 11 MAR. 2020

DICIONÁRIO MICHAELIS UOL. Disponível em: https://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/busca/portugues-brasileiro/computador/. Acesso em: 9 MAR. 2020

ESCOLA DE COMUNICAÇÕES E ARTES. Disponível em: http://www2.eca.usp.br/prof/sueli/cbd201/bases.htm. Acesso em: 11 MAR. 2020

GALOA. Disponível em: https://galoa.com.br/blog/o-que-e-fator-de-impacto-das-revistas-cientificas. Acesso em: 12 MAR. 2020

SPACE PROGRAMMER. Disponível em: http://spaceprogrammer.com/bd/conceitos-fundamentais-para-compreender-uma-base-de-dados/. Acesso em: 10 MAR. 2020

TECMUNDO. Disponível em: https://www.tecmundo.com.br/tecnologia-da-informacao/1697-a-historia-dos-computadores-e-da-computacao.htm. Acesso em: 12 MAR. 2020

 


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