Mediação da informação no hibridismo contemporâneo: um breve estado da arte. Ciência da Informação


Universidade de São Paulo

Escola de Comunicações e Artes

Departamento de Informação e Cultura

 

CBD 0201 – Recursos Informacionais II – Primeiro Semestre 2019

 

Discente: Norberto Plácido da Silva

Número USP: 9865662

Orientador: prof. Dra. Brasilina Passarelli

 

 

ATIVIDADE EXTERNA:

Resenha dos artigos indicados (publicar como atividade individual)

 

Artigo: PASSARELLI, B. Mediação da informação no hibridismo contemporâneo: um breve estado da arte. Ciência da Informação (Online) , v.43, p.231 - , 2016.

 

Resenha crítica: “A individualidade e a mesmice”

Nos livros de Douglas Adams (autor de “O Guia do Mochileiro da Galáxia”) existe uma ideia de que, caso alguém descubra para que serve o Universo, ele será destruído e substituído por algo completamente diferente. Alguns acreditam que isso seja apenas uma história boba; outros, dizem que isso já aconteceu. Da mesma maneira, gosto de pensar em como a comunicação interpessoal foi afetada pelo advento das novas tecnologias. Não apenas porque a maioria delas, trinta anos atrás, pareceriam saídas de filmes de James Bond. Os mais inteirados com os desdobramentos da indústria tecnológica sabem que são esforços de décadas, advindos das mentes de homens que possuíam o conhecimento e sonhavam com suas ideias, mas não possuíam, em seu tempo, o material para a realização dos mesmos. A descoberta do rádio possibilitou o estreitamento da distância física, encurtada ainda mais pela TV e pelo videotape – tipo de coisa que só acontecia através do Cinema, aí mesmo, na sua casa. Pensemos como isso deve ter sido mágico para quem experimentou essa troca. O computador pessoal é o mais significativo avanço da humanidade em termos de comunicação, informação, lazer e educação. O que pode ter dado errado, então?

Pelo próprio avanço da atual indústria de insumos, é simples transformar matéria prima em celulares, agregar isso num pacote bonito e ofertar para seu uso. É apenas isso uma atualização do velho truque de trocar ouro por espelhos. Seria por acaso que a selfie é hoje um atributo tão utilizado para esse tipo de “comunicação”, que expressa o louvor próprio como ferramenta de bom comportamento nas redes digitais? Parte da

ideia de literacia recorre sob a perspectiva de instrução de um contingente da população para a utilização de dispositivos de informação e cultura. Porque isso nunca foi pensado, quando falamos tantos de celulares, para além da utilização de redes sociais, pelos órgãos governamentais? A ideia de colocar microcomputadores nas mãos das pessoas é maravilhosa. Mas a inconsequência desse ato é algo que ainda não paramos seriamente para discutir.

Apesar de vivenciarmos esse momento, falta-nos o mesmo que aos Otlet, aos Babbage, Tesla... E todo e qualquer louco sonhador que percebeu ser o avanço tecnológico um fugaz lampejo de razão, nesse mundo louco do lucro a todo custo: a compreensão para além do lucro por parte dos detentores do poder para transformar sonhos em realização. Transformar o usuário em alguém capaz de desempenhar a função de servidor e provedor informacional é algo sempre observado como prática bibliotecária. Utilizar isso, de alguma forma, para a construção do uso ético desses instrumentos pode auxiliar e muito, nesse instante em que tantos setores da sociedade se batem, no afã de uma afirmação e relevância. Parece-me razoável: estamos num mundo repleto das ferramentas rápidas e poderosas sonhadas por nossos pares. Disciplinar o usuário para que sua utilização responsável aconteça é o mínimo que podemos pensar em fazer para honrá-los.


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