RESENHA 02 - Mundaneum à WEB Semântica
Postagem realizada em: 14/09/2018 às 13:17:08 - Última atualização em: 14/09/2018 às 13:17:52
Autor: Norberto Plácido
Universidade de São Paulo
Escola de ?Comunicações ?e ?Artes
Departamento de Informação e Cultura
CBD 0200 – Recursos Informacionais I – Segundo Semestre 2018
Discente: Norberto Plácido da Silva
Número USP: 9865662
Orientador: prof. Dra. Brasilina Passarelli
ATIVIDADE EXTERNA:
Resenha dos artigos indicados (publicar como atividade individual)
Texto 2: PASSARELLI, B. Do Mundaneum à Web Semântica: discussões sobre o conceito de autor e autoridade das fontes de informação. DataGrama Zero: revista da Ciência de Informação, ed. 5, v. 9, 09 2008.
Resenha crítica: “Quem é o dono da produção cultural humana?”
Na esteira do delirante e maravilhoso sonho de Paul Otlet de catalogar todo o compêndio da produção cultural humana, dezenas de pensadores debruçaram-se sob a ideia de estabelecer os parâmetros que influenciaram e influenciam a notável criação e consequente e frequente recriação do espaço chamado World Wide Web. Se para Otlet não faltou à intuição e vislumbre sobre a mecânica de como tal processo poderia se dar, aos seus colegas cientistas tão pouco foi estabelecido um limite para a imaginação: a Web, com todos os seus defeitos e desvarios, é a mais perfeita obra sobre a noção de unificação da humanidade em torno de uma causa. Conhecimento, aprendizado e o entendimento das relações das diversas tribos globais estão, enfim, ao alcance da maioria. Infelizmente, como frequentemente acontece na História, desvios e atrasos comprometem a integridade do trabalho. Se hoje estamos mais e melhor conectados a todo esse conhecimento acumulado, não faltam também motivos para estarmos alertas quanto aos perigos dos que tentam, direta ou indiretamente, atrasar esse processo. Ou mesmo, destruí-lo de maneira definitiva.
A nova tentativa vem, ironicamente, do mesmo lugar de origem de Otlet: há pouco tempo, o Parlamento Europeu votou a criação de uma Diretiva de Direitos Autorais para a internet. Em sua base, essa nova legislação nasce da ideia de estabelecer uma adequação e atualização na lei de direitos autorais. Entre outros perniciosos aditivos, existem mudanças na forma de incorporação de conteúdo protegido na internet por terceiros. Basicamente falando: a criação de memes, uma das mais rápidas e intuitivas formas de comunicação entre comunidades da web, está condenada. Baixar a foto de um artista famoso e replicá-la, com algum tipo de comentário, é terminantemente proibido, devido a uma lei que, na prática, existe apenas para “proteger” o conteúdo gerado por autores conhecidos, membros de ordens “mais elevadas” de criação de conteúdo, como grandes corporações e a indústria cultural.
E se a ideia de um “filtro de autoridade” já parece absurda, não seria de esperar que o mesmo aconteça quanto à produção cultural como um todo? A Wikipédia, um massivo esforço de elaborar uma enciclopédia “aberta”, global e “livre”, já sofre com a profusão de links e rupturas, esforços desleais de pessoas nada comprometidas com sua integridade. Levando-se em consideração o filósofo Noam Chomsky, de que “as pessoas não acreditam mais nos fatos”, era previsível que algum tipo de controle viesse para frear o alto índice de fabricação de factoides que ocorre na rede. Que esse controle aconteceria de cima para baixo, não é mesmo de se admirar. Mas que isso acontece tão somente para proteger os direitos de empresas de mídia e seus ganhos é algo preocupante. Para quem nunca se importou em calar as vozes da maioria, não é mesmo uma jogada inesperada: Dinheiro e influência nunca faltaram a Indústria Cultural para fazer valer a sua vontade. Resta saber como a massa disforme de usuários da internet, a mesma que replica o sonho de Otlet de união e compartilhamento, vai reagir a mais esse golpe.
REFERENCIAS UTILIZADAS
MEMES SOB RISCO NA EUROPA
“AS PESSOAS NÃO ACREDITAM MAIS NOS FATOS”
https://brasil.elpais.com/brasil/2018/03/06/cultura/1520352987_936609.html