Carlos Henrique Barreto da Silva - Noturno - Atividade Externa 11/06
Postagem realizada em: 02/07/2018 às 20:46:48
Autor: Carlos Henrique Barreto da Silva
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
ESCOLA DE COMUNICAÇÃO E ARTES
DEPARTAMENTO DE INFORMAÇÃO E CULTURA
Disciplina: Recursos Informacionais II
Docente: Brasilina Passarelli
Discente: Carlos Henrique Barreto da Silva n° USP 8455750 - Período noturno
PASSARELLI, B.; KIYOMURA, J.Atores em rede: etnografia virtual no programa AcessaSP. In: Atores em rede: Olhares Luso-Brasileiros. São Paulo : SENAC SP, 2010, p. 163-186.
De forma a evidenciar os resultados de pesquisas que são realizadas periodicamente com usuários do Programa AcessaSP, programa de inclusão digital do estado de São Paulo, funciona como uma rede de educação não formal, em que as pessoas cadastradas podem ter acesso às novas tecnologias e à internet com apoio de monitores nos postos de atendimento. Tem como parceiro o Núcleo de Apoio às Novas Tecnologias Aplicadas à Educação Escola do Futuro da USP.
Anualmente pesquisas são realizadas com os usuários do programa com intuito de analisar o perfil, os hábitos e atitudes em relação à internet de forma que os resultados exigiram aprofundamento dos estudos a fim de identificar a subjetividade e o protagonismo digital dos sujeitos através das redes sociais, como uma possibilidade de transformação social.
Para discutir sociedade em rede os autores usam Castells que afirma na medida em que mais pessoas se apropriam e fazem uso dos recursos tecnológicos disponíveis, os modelos econômicos desenvolvem novas tecnologias que por um lado influenciam e por outro sofre influências, devido o caráter livre da produção e publicação de conteúdos denominado por ele “formas socializantes da comunicação”. De modo que o compartilhamento de conhecimentos e experiências, assim como projetos pessoais não necessariamente passam por instituições formais tornando-se uma forma de expressão de determinado grupo.
Tal característica é percebida nas redes sociais porque descrevem o perfil e por isso existe a agregação de amigos tornando esses espaços para finalidade própria. O teórico Turkle nas redes a identidade do indivíduo faz parte da “cultura da simulação”, ainda diz sobre a “tecnologia da cooperação” caracterizando-a quando várias pessoas conectadas se organizam a cerca de um interesse comum.
Enquanto um indivíduo na sociedade em rede sua principal característica é a habilidade de reformular seus hábitos por meio da interatividade, permitindo a apropriação e ressignificação dos conteúdos de forma constante. De modo a estabelecer associações a determinadas comunidades e/ou pessoas que compartilham de um interesse em comum.
Por meio de contraposição de dois autores acerca do conceito de sujeito na rede, para Parente o sujeito na rede é processual, que participa se expressando na rede sendo capaz de tomar decisões sobre seus atos. Para Dimantas, as pessoas na rede conversam espontaneamente e por prazer, buscam mostrar a sua subjetividade e empatia, o autor Derrick de Kerckhove por sua vez, fala do uso racional da internet é a chave para o desenvolvimento do mundo.
Para os autores o mundo globalizado é caracterizado por diversos e intensos fluxos de capitais, sejam eles produtos ou informações, exigindo dos cidadãos novas competências. As novas tecnologias têm contribuições fundamentais no processo de ensino e aprendizagem e por isso deve-se fomentar os estudos e medidas que proporcionem a inclusão de todos no acesso desses fluxos de capitais, para que o cidadão seja capaz de se apropriar indistintamente.
A pesquisa online desenvolvida pelo AcessaSP depois de anos de refinamento, percebeu-se a necessidade de utilizar a técnica de grupo focal a fim de melhorar os resultados da pesquisa qualitativa. Os indicadores obtidos relativos a este estudo do perfil e do uso das redes sociais foi percebido que os usuários jovens fazem uma melhor navegação do que os adultos, que ainda apresentam desconfiança em compartilhar dados e ainda possuem dificuldades de uso das ferramentas requerendo o auxílio de monitoria.
A pesquisa evidencia o conflito geracional que se faz presente em relação ao uso da internet, também nas práticas escolares e aos professores. Se por um lado os usuários jovens do programa AcessaSP demonstraram alteração constante em seus perfis, reafirmando que o ambiente digital é potencialmente uma rede de contatos com fins profissionais e conhecimento. O perfil de usuário mais velho ainda necessita de auxílio e de ações afirmativas para que este cidadão se aproprie integralmente e utilize em toda as sua gama de possibilidade que a rede propicia.