“Literacias Emergentes nas Redes Sociais: Estado da Arte e Pesquisa Qualitativa no Observatório da Cultura Digital”


“Literacias Emergentes nas Redes Sociais: Estado da Arte e Pesquisa Qualitativa no Observatório da Cultura Digital”


 

O texto, intitulado “Literacias emergentes nas redes sociais: estado da arte e pesquisa qualitativa da cultura digital” compõe uma coletânea de textos, reunidos no livro “Atores em rede: olhares lusobrasileiros” procura de forma  geral, situar no contexto atual as relações de comunicação e sociedade. Está dividido em três partes: “Modernidade versus contemporaneidade: o desafio nosso de cada dia”; “Novas lógicas e semânticas da sociedade em rede” e; “observatório da cultura digital: lócus de estudos teóricos e etnografia virtual das redes”.

Na primeira seção do capítulo, a autora apresenta uma contextualização de como se organizava a informação até meados do século XX, afirmando que foi desenvolvida “uma lógica racionalista” no modo de construção e organização da informação, apontando que ainda estamos submetidos a uma lógica de “compartimentalização das informações”, mesmo que estas informações tenham adquirido caráter transitório com a ampliação das redes de comunicação. No desenrolar do texto a autora aponta para o surgimento da teoria da comunicação, com base em alguns autores da sociologia, a citar: Émile Durkhein, Herbert Marcuse e Theodor Adorno. Em seguida passa a fazer um paralelo entre os paradigmas de difusão da informação na sociedade moderna e na sociedade contemporânea pós-moderna ressaltando a contraposição entre o paradigma proprietário (Copyright), predominante na sociedade moderna e o paradigma livre/aberto (Copyleft), predominante na sociedade contemporânea pós-moderna. Ao final da primeira parte do capítulo, Passarelli (2010), ressalta que os estudos acerca da comunicação online e da comunicação mediada por computador têm sido aprofundados, dada a expansão desse fenômeno.

Nesta segunda parte, Passarelli, discute as novas lógicas da sociedade em rede, a partir de alguns autores, mais especificamente: Mattelart (2002), que defende que a sociedade da informação está necessariamente ligada ao entendimento da matemática. Em seguida a autora utiliza Sherry Turkle (1995), para afirma que vivemos em uma rede híbrida, na qual é possível, segundo Passarelli (2010), construir e divulgar percepções, conhecimentos e atitudes. No decorrer do texto, autores como David Silver (2000), Howard Rheingold (1993), Kerckhove (1997) e Lévy, são invocados para tratar de aspectos relacionados às relações desenvolvidas em rede, através do cyberespaço, novas competências e/ou como a “inteligência coletiva” e “inteligência conectiva”, bem como conceitos, a citar: “virtualidade”, “interatividade” e “comunidades virtuais”, emergentes no contexto atual. A discussão sobre convergência tem suporte em Jenkins (2008), segundo Passarelli (2010), “para o autor, convergência é o fluxo de conteúdos através de múltiplos suportes midiáticos”. A autora segue o texto afirmando que uma rede só se configura enquanto rede social, quando a rede de computadores media a interação entre pessoas. Para Passarelli (2010), a produção do conhecimento no contexto das redes, consolidou uma economia do compartilhamento. Essa economia altera as relações em diversos espaços da sociedade, sejam eles educacionais, industriais, dentre outros. Os agentes e instituições que compõem esses espaços procuram se adaptar a nova lógica da informação, e utilizá-la a seu favor.

Na terceira seção do capítulo, a autora, inicialmente, traz a noção de rede enquanto “uma nova fronteira do pensamento” e aponta estudos que focalizam o estudo das redes como meios de comunicação e interação. As pesquisas a que Passarelli (2010) se refere, foram desenvolvidas pelo Núcleo de Pesquisa das Novas Tecnologias de Comunicação Aplicada a Educação – NAP da Escola do Futuro da USP. Na sequencia a autora traz indicadores mundiais e locais de conectividade. Os números apontam que América do Norte e Europa, possuíam as maiores taxas de usuários de internet, ambos com mais de 50% da população com acesso à internet. A América Latina e Caribe apareciam em 3º lugar, seguidos do Oriente Médio, posteriormente apareciam Ásia e África, este último, não chegava nem a 10% da população com acesso à internet. Em um outro recorte, a autora traz o cenário brasileiro, no que concerne à domicílios com computador, 32% dos brasileiros possuíam computadores em 2010, com relação ao acesso à internet apenas 24% dos brasileiros tinham acesso. Na sequencia a autora apresenta dados relativos ao acesso dos brasileiros às redes sociais apontando que 86% dos brasileiros que tinham acesso à internet naquele ano, utilizavam redes sociais. Quando se trata daqueles que não possuiam acesso à internet, os percentuais ficam da seguinte forma: 53% não utilizavam internet porque afirmavam não possuir habilidades com o computador; 36% afirmaram que não acessavam por não possuir necessidade ou interesse; 21% afirmaram não ter onde acessar e o mesmo percentual informaram que não podem pagar o acesso. Concomitante a esses dados, Passarelli (2010), apresenta uma discussão sobre letramento digital, enfatizando as habilidades que os sujeitos que utilizam a rede necessitam para comunicar-se. Ao final do texto, a autora discute resultados de pesquisa realizada por Tapscott, intitulada “A hora da geração digital: como os jovens que cresceram usando a internet estão mudando tudo, das empresas ao governo”, na qual apresenta normas, características e o “lado negro do consumo on-line”

 

PASSARELI, B. Literacias Emergentes nas Redes Sociais: Estado da Arte e Pesquisa Qualitativa no Observatório da Cultura Digital. In: PASSARELI, B e AZEVEDO, J. (Org) Atores em Rede: Olhares Luso-Brasileiros. São Paulo, Editora SENAC, 2010.


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