Seminário: grandes grupos editoriais
Postagem realizada em: 04/06/2018 às 17:53:49
Autor: Mariana Venturole
Enquanto a cobertura do histórico dos grandes grupos editoriais é essencial para compreender a situação das publicações científicas de hoje, a possibilidade de crítica do modelo de oligopólio mantido por essas instituições enriqueceu a apresentação. O modelo Open Access -- como os adotados pelos periódicos adotados pelas universidades públicas brasileiras -- apresenta-se como alternativa a essa situação, disponibilizando acesso a periódicos sem taxas de assinatura. Atentos a esta tendência, alguns desses grupos passaram a editar periódicos Open Access e manter bases de dados especializadas, como o Cogent OA, da Taylor & Francis, e a SAGE Open -- porém essas iniciativas também levantam problemas.
Como demonstrado em um estudo canadense de 2015, periódicos Open Access ligados a grandes grupos continuam cobrando taxas para a submissão de artigos, chegando a valores exorbitantes para áreas de maior prestígio. Na visão das editoras, as taxas são necessárias para manter uma publicação científica de alto padrão, argumento rebatido pelos autores do artigo: talvez os custos fossem justificados para um periódico impresso, mas não para o cenário de hoje, do digital. As taxas cobradas e os modos de distribuição (que muitas vezes não são inteiramente livres de assinaturas) não criam brechas no oligopólio, fazendo com que a ciência, especialmente em países mais pobres, continue refém.