Internet das Coisas e Big Data sob a ótica de Luciano Floridi
Postagem realizada em: 09/04/2018 às 21:28:24 - Última atualização em: 13/04/2018 às 21:22:23
Autor: Eduardo Dias
Mundialmente conhecido por unir tecnologia e racionalidade em suas publicações e discursos, o intelectual italiano Luciano Floridi atua nas áreas relacionadas à ética da informação e investiga as mudanças que a redes digitais de comunicação têm provocado na sociedade contemporânea. Além de professor de Filosofia, ele é também diretor do Laboratório de Ética Digital na Universidade de Oxford, no Reino Unido. Suas pesquisas mais recentes são voltadas às consequências sociais e políticas das recentes revoluções tecnológicas que estão caracterizando a nossa era.
Em seu livro mais recente, batizado como The Fourth Revolution – How the Infosphere Is Reshaping Human Reality, Floridi instiga seu leitor ao apresentar questões relevantes relacionadas ao impacto das tecnologias da comunicação e informação (TICs) nas diferentes maneiras como os indivíduos olham para si próprios enquanto espécie e como a cultura desses seres passa a ser influenciada pelos mais variados fatores cibernéticos.
Importante inspirador do conceito atual de Internet das Coisas, ou seja, a conexão entre os aparelhos usados do dia a dia à rede mundial de computadores, o intelectual aponta para a importância da administração dos dados e das capacidades analíticas no tocante às novas tecnologias, destacando a necessidade das organizações se modernizarem em diversas áreas, sobretudo no recebimento, processamento, armazenamento e disseminação dos dados que se convertem em informação.
Floridi costuma levantar também o debate sobre os desafios atuais ligados aos ciclos de vida dos dados que circulam vertiginosamente pela web. Ele faz alusão ao fato de que ainda não foram criados meios capazes de prover uma análise integrada do colossal volume de dados computacionais produzidos diariamente em diversos contextos da sociedade, aos quais comumente chamamos de Big Data. As principais questões relacionadas à isso, segundo o filósofo, ficam evidentes quando consideramos o volume, a velocidade e a variedade desses dados.
No tocante às questões da própria Big Data em si, ou seja, o imenso volume de dados – organizados ou não – que influenciam as relações [sobretudo comerciais] no dia a dia, Floridi parece não destacar meramente a quantidade de dados, mas sim o que as organizações públicas e privadas podem fazer com as informações que realmente possuem relevância. Para ele, esses fatores podem levar a melhores tomadas de decisões e a direcionamentos mais condizentes com as necessidades da sociedade.