Software Livre e Privacidade na Rede
Postagem realizada em: 21/03/2018 às 15:01:42
Autor: Mariana Venturole
Quando se fala sobre a tentativa de voltar ao espírito do início da internet do movimento pelo Software Livre, é necessário ir além da contextualização do passado. O que significa o Software Livre hoje?
Quando falamos sobre o preço de um software, falamos de um valor que vai além da cobrança pela licença. Softwares e serviços gratuitos, mas proprietários, utilizam-se de outros meios para monetizar seus serviços: alguns anos atrás tínhamos um uso imenso de propagandas, que ou atraíam o clique do usuário, ou o convenciam a pagar por um serviço premium. Mas extensões que bloqueiam esses conteúdos surgiram e se popularizaram, empresas se consolidaram, e o processo de colheita de dados dos usuários foi refinado. Enquanto as informações eram limitadas a nosso interesse em um ou outro produto, a situação era menos preocupante; com os dados colhidos, distribuídos e redistribuídos hoje, é possível traçar facilmente toda a rotina de uma pessoa, das coisas que compra ao seu trajeto diário e seus relacionamentos. É o caso do Facebook, que com a ajuda da Cambridge Analytica, empresa especializada na análise e coleta de dados, minerou informações de milhões de usuários por meio de permissões dadas por aplicativo, usando-as para construir perfis e manipular a opinião pública sobre temas como a saída ou a permanência do Reino Unido na União Europeia e a eleição para presidente dos Estados Unidos de 2016.
Em um serviço baseado nos preceitos do Software Livre, as chances de um escândalo similar acontecerem seriam mais baixas. Uma vez que houvesse liberdade para alterar o código, um usuário com experiência em programação poderia desenvolver um plugin que pouparia os usuários leigos do processo longo e complicado de rever suas configurações de privacidade, de modo que se tenha certeza que suas informações não sejam compartilhadas além de um certo limite.