O artigo traz um breve estado da arte da evolução do conceito de mediação, adicionando de observações atualizadas acerca de um debate recente envolvendo pesquisadores de todo o mundo no 1o Forum on Media and Information Literacy.

Nos inserimos em uma sociedade contemporânea hiperconectada, na qual o conceito de mediação é encarado como processo complexo, crescente e contínuo, envolvendo uma comunicação que perpassa três eixos: homem-homem/homem-máquina e máquina-máquina. Tal hiperconectividade exigiria um novo conjunto de habilidades que podem ser propagadas através da Media and Information Literacy (MIL).

A professora Brasilina Passarelli nos apresenta um contexto local sobre as ondas de introdução da internet no Brasil: em 2000, relativa às políticas de acesso e fornecimento de infraesrutura para mitigação da exclusão digital; em 2006, a intensificação da necessidade de novos enfoques e perspectivas de investigação a partir das experiências até então acumuladas. Além disso, a pesquisadora também observa alterações nas "formas de construção de identidades, sociabilidades e sentibilidades dos indivíduos na atualidade" (p. 232)

Uma das primeiras pesquisas citadas é a da professora Leah A. Lievrouw que lembra as abordagens teóricas inciais sobre as mídias digitais, destacando sua caracterização como adicional às mídias tradicionais (rádio, TV, cinema...),  que irrelevavam seu caráter participativo e interacional.

São citados conceitos de outros pesquisadores como "presença conectada" de Parisech Chrisien Licoppe; a "teoria da domesticação" de Roger Silverstone; a "narrativa transmídia" de Henry Jenkins, além de pesquisas referentes às mudanças trazidas à socidade pelas novas midias e o continuum da conectividade, abordados por Sonia Livingstone e Nicky Couldry, respectivamente.

Uma ideia que parece muito assertiva é a de que "em todos os aspectos da vida humana as tecnologias digitais tornam-se forças ambientais que estão criando e transformando nossa realidade" (p. 236), conforme derente Luciano Floridi --- o que vai de encontro com a ideia da internet como via estruturante da produção, circulação e compartilhamento das expressões, emoções e da própria ação social. O professor também crê na dissolução da fronteira entre o online e o offline, estabelecendo uma espécie de continuum entre a mente humana e a máquina, numa indiferenciação entre essas entidades --- ideia esta também defendida por Derrick  Kerkhove (p. 232).

Todos os pontos levantados pela autora parecem sedimentar uma proposta educacional que vê na MIL um fator essencial na eduação do cidadão contemporâneo. A opinião é compartilhada por diversos pesquisadores que discutem aspectos. entraves e implicações de uma efetiva aplicação da MIL. As pesquisas citadas têm como ponto de convergência o posicionamento de que já não é mais possível dissociar os indivíduos e a sociedade desse mundo paralelo habitado pelas nossas representações e por uma quantidade em franca expansão de informações que nos são apresentadas em diferentes módulos. 

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