جامعة دمشق


Parte II Quando era estagiária em um periódico científico da área odontológica, certa vez recebemos a submissão de artigo de um grupo de pesquisadores da Arábia Saudita, coisa até que não rara. Recebíamos submissões de artigos de autores deste país, como também da Turquia, Jordânia, países da América Latina, e claro, grande número de artigos vindos da China. A dificuldade com o inglês ao que parece afetava mais a nós do que qualquer outro. O sistema utilizado para submissão era o ScholarOne da Thomson Reuters, e ele é todo em inglês, os autores se cadastram e fazem toda a comunicação através do scholarone. O sistema duplo cego onde tanto os autores não conheciam os pareceristas nem parecerista técnico, assim como também nenhum dos especialistas têm acesso à autoria ou qualquer dado que venha a identificar autoria. Desse modo, fazíamos a triagem inicial, verificando se seguiram os requisitos básicos da submissão, se anexaram todos os documentos pertinentes, e entre eles estava a exigência do número do Comitê de Ética em Pesquisa, seguindo a Declaração de Helsinki; e também exigia-se que não houvesse identificação de paciente, e quando ocorresse o mesmo deveria autorizar sua participação e assinar um termo de autorização. Eu sei que gostava muito de ter acesso aos trabalhos e devolver, se fosse o caso, apontando o que precisava ser ajustado, bem como em dizer que seguido as orientações ele fora enviado ao editor-in-chief para deliberar o parecerista correspondente, de acordo a cada especialidade. A padronização sempre foi muito polêmica, mas independente de quais são as normas vigentes para cada país, por exemplo, referente a resumo ser estruturado ou não, enfim, o caso é que mediante as normas de submissão de artigo escancarada a todo potencial autor interessado em publicar na revista, segui-lás não era a dificuldade. Quando o artigo era aprovado também exigia-se uma revisão linguística que deveria ser feita em empresa especializada entre as recomendadas pelo Journal. Mas por que coloquei essa linda foto da fachada da Universidade de Damasco, nossa linda Síria, que as coisas se ajeitem por lá. Como mencionei acima, eventualmente recebíamos artigos de alguns lugares inusitados, eu sempre tinha curiosidade de procurar pelo nome dos autores nas redes sociais de pesquisadores, como Research ID e Research gate, o perfil do sujeito, me divertia imaginando pelo nome como seria a figura da pessoa e em conferir todas as publicações, e mais ainda, as parcerias para publicações, isso muita vezes delimitava uma trajetória comum, ou seja, que a partir de uma parceria com um pesquisador de alguma universidade relevante, logo estaria ele também em outras publicações relevantes e num futuro próximo, sendo alvo de interessados parceiros para valorizar a submissão do artigo com seu nome. Houve a submissão de um grupo da Arábia Saudita, conforme comentei, e após a insubmissão do artigo por vários motivos, apontando ajustes, entre eles o de fornecer a declaração de paciente e o número do código de ética de pesquisa, o artigo retornou com os documentos em árabe, e bom, certamente o paciente não sabia inglês, privilégio apenas do pesquisador cientista, e portanto assinou documento de autorização em árabe, porém para nós impossível validar o que não fosse em inglês, inclusive para conferir a veridicidade das informações. Era interessante estar a seguir uma verificação de artigos e se deparar por exemplo com números ١٩٥٤ e ٣٤٥٦٢. O fato é que os países através dos seus centros de pesquisas investem na sua Ciência e na consequente divulgação, e apesar de ser uma panelinha meio que suspeita, soberba e eurocentrica, anglo-saxonica, é o que temos, é isso que é e temos que jogar conforme a regra, supõe-se. Assim muitos países estão em crescimento e emergente reconhecimento, tal como a China, não há idioma que seja empecilho aos propósitos científicos do lugar, na verdade, ele já está lá entre os top, os emergentes são outros. Nosso caso tem regiões que tem incentivo e outras não, mas me parece que o idioma ainda é um grande entrave. O que surpreendentemente, aparece publicações vinculadas a institutos internacionais, autores internacionais, cujo assunto, por exemplo, são manifestações endêmicas daqui. Coisa que os profissionais daqui realizam a anos, mas alguém de fora toma a frente para registrar e sistematizar em métodos, apresentar e avaliar resultados e sair como descobridores da América. Eu tenho muito interesse em atuar também nessa área, inclusive quando tive oportunidade fui assistir workshop sobre Revisão sistemática Cochrane. E percebi que é um mundo imenso de coisas a serem estudadas e atualizadas. Contudo, creio que é pera com leite se pensar nos aspectos dos meandros que ocorrem nesse ramo, plágios, trapaças, inverdades, malandragem, sei lá, é o que me parece nesse momento. Porque afinal realizar sem publicar não te leva a lugar algum, se publicarem em seu lugar seu esforço foi perdido. É tudo muito tenso.

© 2017 - 2026 by NeoCyber.