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IDENTIDADE CONCEITUAL
E CRUZAMENTOS DISCIPLINARES

Os autores colocam a e-infocomunicação como um conceito que integra 3 conceitos: eletrônico, como em digital; informação; comunicação. Esse conceito trifacetado se refere a um ambiente de mediação tecnológica do aprendizado, dentro do campo das ciências da comunicação e informação. A partir deste, vários conceitos axiais da campo são elucidados pelos autores.

Para a conceituação de informação são trazidos alguns autores, como Floridi, Gleick, Wilden, Le Coadic, Silva e Ribeiro,para enfatizar sua multiplicidade em aparência, pois se trata de um fenômeno produzido pela atividade intelectual humana. Como consequência, a informação deve se diferenciar e preceder a comunicação, além de se separar também de documentação, que seria a informação materializada sobre um suporte.

Para falar sobre o conceito de conhecimento, começa-se por Kant e seu Erklärung, para ir ao mentefacto de Malheiro da Silva, de forma a diferenciar o processo mental, cognitivo, que é o conhecimento, do processo comunicativo, que é a informação,  o conhecimento formulado. Nos termos de Le Coadic, conhecimento tácito e conhecimento explícito. Desta forma, a gestão do conhecimento seria o processo de explicitação do conhecimento tácito, da conformação da informação.

Falando em informação e cognição, vem ao caso explicar a memória, conforme LeGoff, processo psíquico de auto-organização da informação, permeado pela linguagem pré-lingua falada ou escrita, mas de qualquer forma a memoria seria indissociável da informação.

Outro conceito que requer precisamento dentro do campo da CCI é contexto, que é compreendido latu sensu como ambiente, pano de fundo, circunstância em que algo se dá. Para as CCI, os autores delimitam como a agregação de elementos ambientais, tecnológicos e simbólicos que envolvem um sujeito num determinado espaço-tempo. Diferenciam inclusive dois tipos de contexto, o orgânico (mais concreto e material) e o efêmero (circunstancial e fortuito).

Entramos então na questão do registro da informação e seus suportes, trazendo a documentação de Otlet e La Fontaine (pais da CDU) e a tecnologia eletrônica (TICs, tecnologias da informação e comunicação) como marcos, revoluções conceituais.

Interação e interatividade são conceitos chave, para o qual os autores chama Primo para diferenciar interação mútua (relacional e dinâmica) e interação reativa (provocada e repetível), enfatizando que podem ocorrer simultaneamente. No caso da interação mediada por tecnologia, por uma plataforma digital, a dinâmica pode ser completamente imprevisível, no aspecto mútuo, mas totalmente condicionada, no aspecto reativo.

Na sociedade conectada digitalmente, os autores apontam duas “ondas”: a 1ª de 1995 a 2005, preocupada com inclusão digital; a 2ª, atualmente, se preocupa com a literacia digital, conforme usado por Passarelli e Gilster. É interessante preferir literacia a letramento ou alfabetização, pois literacia é um conceito mais amplo, não preso a expressão gráfica e alfabética apenas. É uma cultura fluida, permeada pelo hibridismo da internet, que desfaz relações verticais e limites geográficos, misturando as mídias e as linguagens. Um ponto interessante da literacia digital segundo os autores supracitados é o incentivo ao autodidatismo e autoaprimoramento do individuo, e o quanto isso pode ser emancipador e libertador do individuo. O NAP Escola do Futuro da USP entra nessa 2ª onda, fazendo investigações sobre netnografia e etnografia virtual, atualmente enfocando as redes sociais.

Os autores, apoiado em Wolton, afirmam que, ontologicamente, a diferenciação entre comunicação e informação é que esta é da ordem do conteúdo e aquela, da relação. Portanto o mundo que surge da ascensão das telecomunicações e da informática é mais do âmbito da informação que da comunicação, pois o elemento relacional não é tao desenvolvido. Isso gera um oceano informacional desprovido de formulação de conhecimento, pois ainda há embate entre os agentes humanos, e é aqui que está o desafio atual.

Para executar a comunicação é chamado o conceito da mediação. Segundo os autores, ela é a ligação entre os entes comunicacionais, que permite a existência e estabilidade do dialogo. Segundo o dicionário de Silem e Lamizet, há 3 tipos de mediação: língua, espaço social e estratégias de comunicação. No Brasil a obra de Maldonado é considerado referência no campo de investigação da mídia, mediação e cultura. Aqui, Martin Barbeiro é chamado para apresentar a figura do bibliotecário mediador, bibliotecário animador cultural, mas os autores consideram que esta aérea carece de estudos científicos mais profundos.

Da biologia que se importou o conceito de sistemas gerais, conforme elaborado por Bertalnfy para biologia e Mella para a informação. Segundo os autores, o sistema deve ter 3 caracteristicas: 1) deve ser observável e com significado próprio; 2) todos os elementos contribuem para a conformação da estrutura; 3) feedback continuo entre parte e todo. O que esta fora do sistema é considerado seu ambiente externo, e o que esta dentro, ambiente interno. Um sistema composto de sistemas é um macrosistema, e os sistemas dentro de sistemas, subsistemas. Podem ser organizados / operatórios ou desorganizados / combinatórios, que podemos traçar paralelo com relações hierárquicas e associativas.

O ultimo conceito a ser trabalhado é o de plataforma digital, que seria o locus operatório de um sistema informacional digital, que os autores propõem ser substituo para o termo tecnologia da informação e comunicação, por ser mais amploe abrangente. Ou seja, através das PDs q ocorre a e-infocomunicação.


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