Capa do livro, em português só pela Cia. das Letras - por enquanto.


Internet Of Things & Big Data: O Círculo O post de hoje é uma recomendação de leitura, uma provocação muito contemporânea sobre o mundo conectado: O Círculo / Dave Eggers. Editora Companhia das Letras, 26 de ago de 2014. 528 páginas. Um resuminho básico, obtido no site da Cia. das Letras: Encenado num futuro próximo indefinido, o engenhoso romance de Dave Eggers conta a história de Mae Holland, uma jovem profissional contratada para trabalhar na empresa de internet mais poderosa do mundo: O Círculo. Sediada num campus idílico na Califórnia, a companhia incorporou todas as empresas de tecnologia que conhecemos, conectando e-mail, mídias sociais, operações bancárias e sistemas de compras de cada usuário em um sistema operacional universal, que cria uma identidade on-line única em por consequência, uma nova era de civilidade e transparência. Mae mal pode acreditar na sorte de fazer parte de um lugar assim. A modernidade do Círculo aparece tanto na sua arquitetura quanto nos escritórios aprazíveis e convidativos. Os entusiasmados membros da empresa convivem no campus também nas horas vagas, seja em festas e shows que duram a noite toda ou em campeonatos esportivos e brunches glamorosos. A vida fora do trabalho, porém, vai ficando cada vez mais esquecida, à medida que o papel de Mae no Círculo torna-se mais e mais importante. O que começa como a trajetória entusiasmada da ambição e do idealismo de uma mulher logo se transforma em uma eletrizante trama de suspense que leva questões fundamentais sobre memória, história, privacidade, democracia e os limites do conhecimento humano. Mas Adriana, por que este livro está aqui? Eggers leva em sua obra a questão da internet das coisas ao seu limite, e é um limite sombrio e assustador. Do meu ponto de vista, este livro é o 1984 da nossa geração, uma extrapolação pessimista das possibilidades atuais. Essa extrapolação é uma crítica necessária para manter a reflexão diante do entusiasmo perante das possibilidades que a nova tecnologia, e em muitas instâncias uma nova ideologia e modo de viver. Quais são os limites da conexão? Quais são os limites da exposição? Quais os limites da tecnologia? Até que ponto a otimização das relações mediadas pela tecnologia não é deletéria para as mesmas? Ora, não veja isto como um discurso antitecnológico: muito pelo contrário, trata-se de estar alerta de que uma ferramenta também é uma arma, e ela está apontada para algo - ou alguém.

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