Postagem realizada em: 28/03/2016 às 21:13:24 - Última atualização em: 30/11/-0001 às 00:00:00
Autor: Ana Carolina Rodrigues do Prado
Resenha do artigo: “Mediação da informação no hibridismo contemporâneo: um breve estado da arte”.
A era da informação e seus aspectos humanitários
Em “Mediação da informação no hibridismo contemporâneo: um breve estado da arte”, artigo recém-publicado de Brasilina Passarelli, há a abordagem da mediação da informação sob os aspectos da ética, filosofia da comunicação. Busca-se estabelecer o conceito de mediação perante as mudanças na relação emissor/receptor na comunicação desde a década de 70 até o mundo atual. Passarelli expõe inicialmente o que seria “mediação”, revelando os aspectos éticos inerentes à era digital e evocando uma necessidade de reconfiguração das relações sociais. O texto destaca ainda apontamentos surgidos com o 1st Forum on Media and Information Literacy, de 2014, que dizem respeito à interação entre homemhomem, homem-máquina e máquina-máquina. A literacia digital aparece como conceito relevante, uma vez que há certo consenso entre teóricos a respeito da quebra do ciclo emissor-receptor: as mídias atuais detêm apenas o poder limitado de gerar informação; não há mais a condição de massa que repete a informação (esta também produz).
Além disso, há o hibridismo dos meios de comunicação, ou seja, na internet há televisão, rádio e mídia impressa (mídia digital ou new media). Todo este cenário também fora exposto pelo sociólogo Kerckhove, professor da University of Toronto, que defende existir um “continuum” entre mente humana e máquina, o que provoca uma alteração decisiva nas formas de configuração de novas identidades, sociabilidades e sensibilidades dos indivíduos. Neste ponto, Brasilina estabelece um diálogo com artigo de sua autoria de 2014, quando identificou as relações de mútua interdependência entre selfs e redes digitais e a interpenetração de elementos, ou seja, máquinas e tecnologias viram extensões do corpo humano. Assim, há novas identidades (eletrônicas) e avatares circulando no ciberespaço e infinitas maneiras de compartilhar expressões e emoções.
A partir dos anos 2000, aponta o surgimento de estudos que incorporam práticas interacionais de busca e autoexpressão nas plataformas da web 2.0, destacando dois autores que estudaram a polifonia dos conceitos de mediação: Licoppe e Silverstone. Licoppe (2004) apresenta a expressão “presença conectada” como resultado da emergência do novo repertório nas relações via celulares, SMS e e-mails. Já Roger Silverstone (2006) surge com a “teoria da domesticação”, analisando como as pessoas consomem e se apropriam dos conteúdos, levando em conta a experiência humana individual e a conexão dialética entre privado, o tecido social e o político. No terceiro tópico do artigo Brasilina tece longamente a respeito do estudioso Floridi, que considera a comunicação importante por ser interface em uma era conectada. Para sobreviverem, os meios de comunicação têm o desafio de identificar como podem ser relevantes em uma economia conectada em rede. Outra questão elencada é a de como manter a privacidade diante de explosões como o Facebook e outras redes sociais, que têm como prerrogativas exatamente o contrário. Floridi aponta a preocupação de novas formas de exclusão social, ao mesmo tempo em que a descreve a diferença entre o analógico e o digital: o primeiro é mais rico em informação; o segundo diz respeito somente à informação, embora agregue rapidez aos processos. Outro estudo de Floridi expõe perguntas cruciais na compreensão do fenômeno digital: O que significa ser humano na era computacional? Como podemos atribuir responsabilidades num mundo onde artefatos transformam-se em agentes? Daí surge também o The Onlife Manifest, livro que traz outras dúvidas inerentes ao mundo conectado: nosso conceito sobre nós mesmos; nossas interações; nossa concepção de realidade; nossas interações com a realidade. Por último, a autora trata do evento 1st European Media and Information Literacy Forum, cujo objetivo era a elaboração de políticas de inclusão de educação para mídia. O fórum reuniu representantes governamentais, profissionais de mídia e especialistas de diversas áreas com o intuito de promover uma discussão abrangente a respeito da importância da media literacy e das parcerias transacionais.
Passarelli explicita o reconhecimento de que as Media and Information Literacy (MIL) são aspectos centrais do desenvolvimento, passando por áreas como pesquisa e educação. Também evidencia que não há como questionar a importância do ambiente online e mídias online no ensino atual. É necessário, como frisa a pesquisadora, que seja reconhecida a transversalidade da tecnologia digital com todas as outras mídias. Depois, que as MIL não são autossustentáveis e sim complementares. Por isso mesmo, poderiam ser aproveitadas no ensino, não se resumindo a “projetos” humanitários para um futuro próximo. Sendo a mídia metamórfica, precisa-se apelar para sua essência, levando em conta questões pragmáticas como: pelo menos 42 % das crianças no mundo estão fora da escola e 28 milhões estão em área de conflito.
Para atuar nesse campo, segundo ainda Passarelli, precisaríamos de diálogo intercultural, usando a informação como elemento contra o analfabetismo e a pobreza. Para isso, seria também necessário entender o contexto político e social em que a comunicação em rede está imersa, conseguindo assim explorar toda a capacidade de ensinar e desenvolver indivíduos “em rede” (e não somente nações ou grupos econômicos).