E, voltando ao vídeo de segunda-feira (que, por sinal, àqueles que dominam melhor o inglês recomendo assistir ao mesmo com o formato closed caption), as declarações das bibliotecárias britânicas sobre o futuro das tecnologias voltadas para a área ganham para mim um certo aspecto mais incômodo, quando me recordo de uma experiência de trabalho recente, em uma biblioteca técnica no Instituto de Biologia de Vila Mariana, há alguns meses atrás. Ao tentar trabalhar em um tal departamento como estagiário, vi-me obrigado a ter de conviver, de uma hora para outra, com estantes abarrotadas de livros literalmente caindo aos pedaços, e ainda por cima com a antiga classificação catalográfica da Biblioteca do Congresso de Washington - oh, céus... Embora eu tenha lá permanecido por pouco mais de duas semanas, a única pesquisadora com que cheguei a tomar contato era uma jovem estudante de veterinária que, muito sabiamente, preferia procurar suas fontes de referência nas bases de computadores do local a ter de encarar os velhos volumes das prateleiras. A tal biblioteca, por sinal, só ficava aberta ao público somente por alguns dias da semana, e em horários muito restritos. Sendo assim, como culpar um usuário de fontes de dados via Internet que prefira a comodidade de um sistema de informações que praticamente pode ficar disponível em suas mãos, em um quase piscar de olhos, ao invés de ter de encarar um semelhante trambolho burocrático, mesmo para a mais necessária das consultas? Não que eu vá professar a extinção das bases de dados e fontes de informação, tais como as conhecemos atualmente, mas ainda acredito que a boa atuação de um profissional da área pode fazer toda a diferença, mesmo numa precária biblioteca de bairro. Se não fosse assim, como explicar o caso de pequenos centro culturais de periferia que possuem uma frequência às vezes muito mais constante do que a de grandes centros culturais, feitos quase que exclusivamente para atrair público?

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