Pensamos, logo existimos?


Na aula do dia 9 de março de 2015, a sala assistiu a dois vídeos acerca da mudança de paradigma que a informação digital e o computador pessoal proporcionaram. O primeiro vídeo, Information R/evolution, de Michael Wesch (https://www.youtube.com/watch?v=-4CV05HyAbM), traz a ideia de que a informação digital não tem uma forma estática, podendo ser editada e reeditada, relativamente livre de restrições materiais, de armazenamento ou da linearidade, o que pode ser observado também em outro vídeo do mesmo professor: The machine is Us/ing Us (https://www.youtube.com/watch?v=NLlGopyXT_g ). Neste último, ele começa tentando editar um texto em papel, mas só o consegue com dificuldade, apagando ou rasurando. Depois mostra a maleabilidade do texto digital, sua capacidade de criar hipertextos, quebrando a necessidade da narrativa linear. Explica também como, com o XML, conteúdo e forma são separados, permitindo o compartilhamento de uma informação mesmo entre sites que não tenham a mesma estrutura formal. Desse modo, não era necessário saber códigos complexos para fazer upload de conteúdos na internet. Qualquer um, com acesso a Internet, se tornou capaz de comunicar, criar um site próprio, compartilhar imagens, vídeos, afinal, a interface permitiu isso: nós usamos linguagem natural e a máquina faz os códigos. A teoria da cultura de convergência de Henry Jenkins traz o conceito onde o poder do produtor de mídia e o poder do consumidor interagem de maneira imprevisível, onde mídia alternativa e mídia corporativa se cruzam, e onde novas e velhas mídias se colidem. Para exemplificar essa mudança de paradigma, o segundo vídeo passado em sala é muito emblemático: a propaganda do lançamento do Computador Pessoal Macintosh em Janeiro de 1984. Nela, um mundo distópico, referenciando o livro 1984 de George Orwell, cinzento, com pessoas alienadas, ouvindo um único discurso por uma tela gigante, é quebrado com a entrada de uma mulher, com mais cor, mais dinâmica, que arremessa uma marreta no monitor, representando a mudança que a interface intuitiva do computador pessoal proporcionaria: uma espécie de "democratização" da mídia, não mais restrita àqueles que saibam operar códigos de máquina (programação procedural). Essa ideia conversa com frases do professor Michael no primeiro vídeo: "poder olhar de vários pontos de vista", "aprendemos que nós necessitamos de hierarquias complexas para encontrar informação" (os links e palavras-chave são indexados sem necessitar categorias; nós mesmos podemos indexá-los, na chamada folksonomia), "juntos, criamos mais informação que especialistas" (Wikipédia é mostrado como exemplo disso). A ideia de contribuição, plataformas interativas, wiki, Web 2.0, inteligência coletiva está presente no terceiro vídeo, escolhido para complementar os outros dois: "We Think", de Charles Leadbeater (https://www.youtube.com/watch?v=qiP79vYsfbo). A ideia de democratização também está muito presente nele - "graças à Internet, milhões de pessoas podem ter sua fala", - também retrata a confusão que tal ambiente pode causar, mas o principal é o retrato deste século como o da inovação de massa, massa criativa, contrapondo o século XX como o da produção de massa para o consumo de massa, relembrando o vídeo da Apple comentado anteriormente. "Ideias ganham vida quando são compartilhadas" e as redes sociais permitem a troca de ideias. O esquema piramidal que representa as velhas mídias corporativas versus o esquema de elipses secantes é bem representativo. Afirma que parece que estamos caminhando para um mundo utópico onde há mais democracia porque mais pessoas terão voz, igualdade porque aqueles que não podem pagar por alguma informação podem ter acesso, liberdade porque mais pessoas saberão o que é ser criativo. Mas também defende que há muito que ser trabalhado. Como diz o professor no primeiro vídeo, com um mundo onde a informação nos encontra a todo momento a responsabilidade de criar, organizar, criticar e entender a informação recai sobre nós, então é preciso estar preparado. Como a máquina usa nosso compartemento para aprender alguns padrões, nós somos a máquina. É preciso repensar os direitos autorais, ética, estética, privacidade, verdade, comércio, governo, amor, nós mesmos. "Bem-vindo ao mundo de We Think".

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