A sociedade em rede e o triunfo do espetáculo


As tecnologias da informação e da comunicação (TIC's) na sociedade em rede fazem emergir usuários que não somente acessam conteúdos na web, mas que passam a ser produtores deles. Essas altas tecnologias vem surgindo também como um meio de promoção e venda de produtos, para impressionar consumidores. Como diz Kellner (p.119, 2006), a cultura da mídia promove espetáculos para conquistar audiência e lucro na indústria cultural; esses podem ser criados através das mais diversas mídias, mas a internet tem o que o consumo, o lucro e a produção precisam, então se torna a ferramenta mais eficaz, possibilita um acesso em massa no qual é muito mais rápido e fácil "criar marcas", uma vez que a Web 2.0 se define no surgimento das redes sociais, compartilhamentos e interações cada vez mais intensas. O espetáculo pode ser criado de maneira pretensiosa ou não, mas esse é o detalhe que menos faz diferença, pois o público que vai definir o quanto aquilo será compartilhado e consequentemente a repercussão que terá. Um exemplo da internet é o Youtube, quantos vídeos criados por diversão/lazer acabam entrando na lista dos mais vistos e se popularizando todos os dias, deixando um estilo musical em alta ou uma polêmica em discussão. Entretanto não são somente marcas à procura de consumidores e ascensão que adotam essa técnica, exemplos também envolvem jornalismo, política e esporte, por exemplo. É muito simples influenciar pensamento e ação de uma sociedade ao focar na notícia de um caso "x" que aconteceu na semana, de maneira que todos os jornais discutam o assunto e mesmo que algo mais importante e significativo esteja acontecendo ninguém irá notar pelo fato de não estar em evidência nos veículos informativos. Ainda que o indivíduo hoje tenha a capacidade de produzir conteúdo ele não está livre da doutrina e estilo impostos pouco a pouco, estrategicamente; muitos não acreditam que sejam influenciados e moldados por qualquer pensamento que seja, e de fato isso não acontece de forma direta, pois o espetáculo consiste em fazer pessoas enxergarem o mundo através de mediações especializadas, e é nesse ponto que entram as influências; o mundo continua o mesmo, para todos, mas a maneira como alguém o enxerga que pode ser alterada de forma intencional. As tecnologias não são vilãs, é preciso ter consciência de que elas somente são, cada vez mais, ferramentas que possuem a capacidade de disseminação de informação de forma instantânea, e que muito mais que possibilitar formas de domínio e opressão elas possam ser utilizadas para a democratização e justiça social. Bibliografia: KELLNER, D. Cultura da mídia e o triunfo do espetáculo. In MORAES, D. de (org.) Sociedade Midiatizada. Rio de Janeiro: Mauad, 2006. PASSARELLI, Brasilina. Do Mundaneum à WEB Semântica: discussão sobre a revolução nos conceitos de autor e autoridade das fontes de informação. DataGramaZero - Revista de Ciência da Informação, Rio de Janeiro, v. 9, n. 5, out. 2008. Disponível em: . Acesso em: 15 mar. 2013.

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