RESENHA: PASSARELLI, Brasilina; AZEVEDO, José (Orgs.). "Literacias emergentes nas redes sociais: estado da arte e pesquisa qualitativa no observatório da cultura digital". In: Atores em Rede: Olhares luso-brasileiros. São Paulo: Senac, 2010.

Na construção do conhecimento vivemos o embate entre o moderno, caracterizado pelas reminiscências das formas para nomear, classificar e ordenar do século XX, e o contemporâneo, caracterizado pela sociedade em rede. No século XX surgiram as teorias sobre a comunicação mediada como fenômeno social de autores como Émile Durkheim, Herbert Marcuse e Theodor Adorno. A classificação e a ordenação do mundo contemporânea passa, cada vez mais, pelas relações sociais e os indicadores matemáticos potencializados pela rede. É a realidade sociotécnica: uma rede física (cabos) e lógica (software) envolvida numa rede de relacionamentos que gera novas percepções, conhecimentos, atitudes e personas (várias identidades).

Para Henry Jenkins, vivemos na "era da transição midiática", na qual a digitalização dita as condições para a "convergência" que é o fluxo de conteúdo através de vários suportes midiáticos. As ferramentas de comunicação têm caráter disseminador e contribuem para a aprendizagem e servem como referência para a geração digital. A cultura do digital surge do conjunto unido pela rede em torno de pessoas, organizações e instituições, rede esta descentralizada e não-hierárquica. Não resta mais espaço para uma estrutura rígida e hierárquica de classificação e organização da informação, mesmo a acadêmica. Para Duncan Watts, a sociedade em rede é uma estrutura emergente que não depende de grupos específicos para disseminar informação, a sua própria configuração faz isso.

A Internet tem aumentado significativamente seus números na América Latina. O Brasil está em primeiro lugar na quantidade de computadores e conexões à Internet. Esses dados trazem um questionamento sobre a inclusão digital: em que medida a inclusão digital e as práticas sociais e educacionais vigentes nas culturas conectadas são instrumentos de inclusão social? Em pesquisa realizada 86% dos brasileiros acessam as redes sociais e 51% dos internautas pertencem às classes C, D e E. Outros dados estudados foram as competências cognitivas que envolvem a rede, ou literacias que indica a habilidade de usar a informação de maneira efetiva e criativa. Os letrados da sociedade em rede são capazes de ler, escrever, interagir e comunicar-se por meio dessa linguagem multimídia, dentro de um conjunto de práticas sociais. Adquirir literacia não é uma questão cognitiva apenas, mas também de cultura, poder e política.


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