Aula 1 - 14/03

O tema da aula se desenvolve em torno das mudanças no acesso à informação, que se deslocou do aspecto físico/ material à total liberação na Internet. Tais mudanças implicam novas visões de informação, autoria, mediação e uma revisão no papel das instituições e profissionais da informação.

No mundo pré-Internet, as palavras-chaves para a organização da informação eram hierarquização, catalogação, compartimentalização. No vídeo "Information R/evolution", vemos que a própria Internet chegou a ser inicialmente estruturada em torno de 'prateleiras' e 'catálogos', mas agora caminha para a utilização de metadados que aumentam exponencialmente a capacidade de recuperação de informação em uma busca, nova estrutura, o hipertexto.

Em 'Do Mundaneum à Web Semântica: discussão sobre a revolução nos conceitos de autor e autoridade das fontes de informação", vemos a preocupação com o controle bibliográfico e o acesso à informação desde Paul Otlet, um dos primeiros a visualizar o que hoje chamamos de Internet.

A Internet inicialmente tinha um nível baixo de interatividade com o usuário. Isso foi se modificando rapidamente, e agora fazemos uso de diversas ferramentas como o Facebook ou o YouTube, que permitem que o usuário da Internet não seja apenas alguém que busca informação, mas também a produza. Com isso, a Internet também colocou em jogo os conceitos de autor e autoridade. A Wikipedia é um exemplo de construção coletiva de conhecimento. Levantam-se questões, contudo, a respeito da validade dessa informação (ao menos no que diz respeito à informação científica), construída fora dos parâmetros que garantiriam maior confiabilidade e validade como, por exemplo, o peer review.

Adicionando-se a Internet aos demais recursos de informação (bibliotecas, etc), é possível dizer que toda a informação produzida no mundo está, como nunca antes, ao alcance de todos. Isso não quer dizer que todos sejam capazes de encontrar tudo o que desejam ou de triar o material encontrado.

As mudanças dos paradigmas informacionais sugerem que mudanças também devem ocorrer em certos profissionais que lidam com a informação. Na área da Ciência da Informação, o bibliotecário pode ser visto como um mediador. Em "Mediações e Mediadores em Ciência da Informação", Armando Malheiro da Silva descreve de que maneira o termo mediador foi incorporado à Ciência da Informação. Muitos foram os que pensaram o papel do bibliotecário em meio ao acúmulo crescente de informação (Otlet, Ortega y Gasset).

O papel do mediador, na visão do autor muda de custodial a pós-custodial e informacional. A biblioteca presencial requeria a custódia (linear e negativa) do material. A biblioteca digital, não. Requer, entretanto, que o bibliotecário seja capaz de trabalhar em conjunto com o designer de sistemas de informação, em colaboração.

Information R/evolution. Disponível em: http://inexus.futuro.usp.br/recursosII_aula1.php 

PASSARELLI, Brasilina. Do Mundaneum à Web Semântica: discussão sobre e revolução nos conceitos de autor e autoridade das fontes de informação. DataGramaZero; v.9 n. 5, out/08.

SILVA, Armando Malheiro da. Mediações e mediadores em Ciência da Informação. Prisma; n.º 9, 2010.

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