Pinky e Cerebro
Postagem realizada em: 16/04/2007 às 22:10:12 - Última atualização em: 30/11/-0001 às 00:00:00
Autor: Luana Costa Pereira
SEMINÁRIO SOBRE BASES DE DADOS NUMÉRICAS (parte 1/3)
Sobre como ter resultados uniformes na linha de produção.
Prezados colegas,
Todos nós sabemos da importância de se viver em um mundo normalizado e seguidor de parâmetros pré-estabelecidos, pois são eles que nos auxiliam e regem nossa forma de viver, desde o formato do sapato que você deve calçar em uma reunião formal até a forma como deve se comportar nessa reunião. Sem normas não há vida, não há sobrevivência por que elas servem como grades para colocar a todos em seus devidos lugares, fazendo apenas aquilo que devem fazer.
Contudo, há algo que ameaça a supremacia das normas: a criatividade, essa coisinha indisciplinar, livre, que passeia por onde quer e mistura o que vê na criação de aberrações. Essa coisa que renova o que não desejamos renovado; essa coisa que rouba a atenção para si e desvia as pessoas de seu propósito comum; essa coisa que é subversiva por natureza.
Não podemos permitir que a padronização seja interrompida, que a linha de produção seja quebrada, e para isso, concluímos ser nosso dever encontrar o ponto fraco desse terrível inimigo. Mantivemos uma equipe a esse serviço, e o resultado das pesquisas por ela levantadas é revelador: o maior ponto fraco da criatividade não é outro senão o tempo. Sim, o tempo. A criatividade, segundo nossos especialistas, pode até não necessitar de tempo para formular idéias, mas para executá-las, sim. Pergunte a um artista quanto tempo ele demora para pintar uma tela, pergunte a um escritor quanto tempo demora para escrever um livro.
Logo, é onde devemos atacar. Tirem dos operários o tempo de sobra para fazer suas tarefas. Limite-os, ponha-os novamente em suas celas feitas de minutos e segundos, e isso os impedirá de devanear sobre assuntos subversivos – ou, ainda que não o seja, que não tenham tempo para executar esses devaneios.
E eis que então, no meio do discurso do ditador, um operário levanta a mão e pergunta:
-- E podemos então pensar e executar esses assuntos depois?
O ditador sorrí, sarcástico.
-- Senhoras e senhores, sabemos da demanda de trabalho, da obrigatoriedade. A partir do momento em que uma tarefa leva o carimbo de formalmente concluída, torna-se segundo, terceiro plano, e a fila – ela sorrí novamente – caminha.
Fim.