SEMINARIOS 31/05/2010: GOOGLE e PLATAFORMAS ABERTAS

A respeito do tema do seminário "Plataformas abertas", posto aqui resumo de um texto lido para a disciplina "Documentação e informática", ministrada pelo prof. Marcos Mucheroni no segundo semestre de 2009.

 

HOWE, Jeff. O poder das multidões: por que a força da coletividade está remodelando o futuro dos negócios. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009. p. 41-61.

 

 

 

No início era tudo tão simples...

Criando o projeto do crowdsourcing

 

Código-fonte: formado por comandos que dizem ao computador o que deve ser feito, no início era aberto. Após tornar-se propriedade de grandes empresas, um grupo de programadores quis que permanecesse aberto e decidiram criar uma alternativa aberta e livre. Eles iniciaram o projeto de criar um sistema operacional inteiro, com a contribuição de inúmeras pessoas, dando início ao crowdsourcing.

 

1969: Ken Thompson fracassa no projeto de criar um sistema operacional com o Bell Laboratories, e o reinicia sozinho. Ele estabelece uma meta pequena, de criar apenas alguns componentes de um sistema operacional completo. Em um mês ele já tem um esboço do Unix, sistema de maior sucesso e mais duradouro já criado. Essa passa a ser uma das características do crowdsourcing: o trabalho é dividido em pequenas unidades ou módulos.

 

Compartilhamento: era comum em laboratórios acadêmicos. Computadores comerciais eram caros e ocupavam muito espaço, e gastava-se muito tempo criando seus códigos. Os poucos especialistas uniam seus tempo e talento. Os poucos usuários desses computadores eram também seus programadores, que ficaram conhecidos como hackers.

 

Software patenteado: surge apenas com a chegada do computador pessoal. Em 1976, Bill Gates e Paul Allen – co-fundadores da Microsoft – condenam o livre compartilhamento.

 

 

Comprando uma boa briga

 

1983: Richard Stallman (MIT) resolve ir contra a indústria do software. Funda o GNU Project, para criar um sistema operacional baseado num código-fonte aberto ou gratuito. Ele passa a escrever um sistema baseado no Unix, que permite adicionar contribuições, e muitos outros programadores entram no projeto. 1985: Stallman funda a FSF (Free Software Foundation), organização sem fins lucrativos.

 

GNU General Public License: criada por Stallman, determina que qualquer coisa lançada seja disponibilizada gratuitamente, e que qualquer software que a incorporar use a mesma licença. Ficou conhecido como “copyleft”.

 

1991: Linus Torvalds passa a escrever seu próprio sistema, que foi chamado Linux. Ele teve a ajuda de milhares de colaboradores. O Linux usa uma licença GNU General Public, e serviu para popularizar o sistema de código aberto.

 

Eficiência: o movimento pelo software aberto sempre esteve ligado à questão de promover sua filosofia, além de desenvolver um software. Porém, a sua eficácia logo o fez ser adotado pelas grandes empresas como a IBM e Microsoft. Esta eficiência é resultado do trabalho de um grupo grande e diverso.

 

“The Cathedral and the Bazaar” (Eric C. Raymond, 1997): nele o autor faz uma analogia entre a cathedral – o procedimento operacional padrão, em que tudo é coordenado a partir de cima – e o bazar – o Linux; tudo é coordenado de baixo para cima.

 

 

Revolucionários acidentais

 

Larry Sanger: tem um projeto de reinvenção da enciclopédia. Juntamente com o empreendedor Jimmy Wales, ele inicia a Nupedia, uma enciclopédia disponível na internet e escrita por voluntários. Foi criado um conselho consultivo, formado por especialistas, e havia um método específico para encontrar autores potenciais. O projeto não deslanchou, a enciclopédia contava com poucos artigos.

 

2001: Sanger conhece o software WikiWikiWeb de Ward Cinningham, que permite que um número ilimitado de usuários crie ou edite os textos, além de manter um registro de todas as edições de uma única página da web. Pelos especialistas da Nupedia, a sua aplicação na enciclopédia foi vista com desconfiança. Havia uma preocupação com o rigor e a confiança.

 

Wikipedia: o número de artigos cresceu de maneira impressionante. Atualmente, a versão em inglês possui 2,2 milhões de artigos.

 

Bob Kanefsky: aplicou idéias de código aberto à geologia planetária. Com Virgínia Gulick, teve a idéia de identificar e medir formatos de terra em conjunto. A partir daí a NASA criou o Clickworkers, em que o trabalho desses geólogos foi terminado em tempo recorde, devido à ajuda dos usuários.

 

 

Crowdsourcing e o problema com as patentes

 

2005: Beth Noveck (New York Law School) possui um projeto de entrar com solicitações de patente em um wiki e convidar o público para ajudar o examinador. Ela queria mesmo aproveitar a sabedoria presente nas comunidades online. Ela o apresenta a David Kappos (IBM), que a apóia.

 

IBM: nos anos 1990, possui projetos de código aberto e prestação de serviços, que compensam a receita perdida com o licenciamento de software patenteado. Com isso ela ganhou em inovações, produtos novos, e aumento de sua reputação dentro da comunidade de programadores.

 

2007: a IBM lança o “Peer-to-Patent Project”. Conseguem o apoio do USPTO (United States Patent and Trademark Office), e outras empresas como a Microsoft e a GE participaram do piloto.

 

2008: 33 mil pessoas já tinham analisado cerca de 22 pedidos de patentes e enviado 192 decisões de estado da técnica. Com o apoio do USPTO, órgão mais reservado e preconceituoso em relação ao código aberto, o movimento tem seu momento histórico.


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