Postagem realizada em: 17/03/2010 às 21:37:43 - Última atualização em: 30/11/-0001 às 00:00:00
Autor: Carolina Filardo Lauretti
BIBLIOTECAS DO FUTURO
A palestra da profa. Brasilina traz discussões importantes, como o que ela chama de "mitos" da biblioteca digital. O primeiro relativo ao fato de se pensar que a internet por si só é uma biblioteca digital. Ora, se não há infra-estrutura de busca e recuperação de informações, não se pode afirmar isso. Uma ferramenta de busca como o Google também não é uma biblioteca, pois apenas traz resultados de pesquisas baseadas apenas na ocorrência de palavras, sem controle de vocabulário e avaliação. O que o Google pretende fazer em seu projeto Google Print, tema do artigo de João Gabriel de Lima na revista Veja, nada mais é do que concentrar os resultados de busca nos acervos de cada biblioteca digital que faz parte do projeto (Harvard, Stanford, Oxford, entre outras).
Outra questão considerada refere-se ao custoda biblioteca digital, considerado menor que o de bibliotecas tradicionais. Na realidade as despesas com hardware, software, pessoal, implementação, etc., são muito grandes, e não reservar parte do orçamento para eles tem sido um erro grave cometido por diretorias de algumas bibliotecas. Podemos citar o projeto da biblioteca Brasiliana Digital da USP, onde foi feito um estudo de custos e decidiu-se pela compra do robô escaneador de imagens (a "maria-bonita"). Seu custo foi de aproximadamente 200.000 dólares.
Importante citar a questão discutida no vídeo "Libraries of the future", onde o Google é citado como parceiro das bibliotecas. Ele é a ferramenta que vai transmitir o pesquisador para sites de bibliotecas digitais. Além disso, a biblioteca é definida como o espaço onde se tem acesso às obras e seus conteúdos livremente. Na internet, ainda não se chegou a um estágio em que o direito ao acesso a textos completos é livre. Pelo contrário, no projeto do Google Print apenas obras consideradas de domínio público estarão disponíveis online. Provavelmente, para um número considerável delas, ainda seremos direcionados a sites de venda de livros.
A afirmação final de Lima é a seguinte:
"O autor argentino (Borges), morto em 1986, ficaria feliz se soubesse que no futuro seria inventada uma ferramenta - a internet, com seus buscadores acoplados a uma biblioteca - capaz de organizar, ainda que parcialmente, o caos do conhecimento."
Não é a internet que organiza o conhecimento. Ela apenas dá espaço para disponibilizar o conhecimento. Será o bibliotecário "digital", o bibliotecário "do futuro", que deverá estar preparado profissionalmente para organizá-lo.
Referências:
LIMA, João Gabriel. Isso sim é revolução. In: Revista Veja, número 1885.22 de dezembro de 2004.
PASSARELLI, Brasilina. Bibliotecas digitais = bibliotecários digitais: @lucin<ações> consentidas. Palestra proferida na XVII Jornada Sul-Rio-Grandense de Biblioteconomia e Documentação.
JISC. Libraries of the future. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=UjoJd_uN-7M>
GOMI, Edson S. Brasiliana digital. Palestra proferida no Seminário Mindlin 2009.