Trabalho colaborativo
Postagem realizada em: 24/03/2010 às 17:01:47 - Última atualização em: 30/11/-0001 às 00:00:00
Autor: Vagner de Andrade Gusmao
O texto abaixo eu produzi com a Carolina Lauretti em 2009 para um trabalho de conclusão de disciplina (Biblioteca e Sociedade-ECA/USP). Ele tem tudo a ver com a aula de ontem, 15/03/2010, "Internet, Buscadores, Bibliotecas Virtuais, Open Arquives (Arquivos Abertos) e Wikipedia".
Referência:
GUSMÃO, Vagner; LAURETTI, Carolina Filardo. Produção colaborativa e enciclopédia digital. Trabalho de conclusão da Disciplina Biblioteca e Sociedade, CBD - ECA/USP, 2009.
A produção colaborativa
A integração entre as pessoas proporcionada pela Internet tornou possível a associação de grupos que se reúnem para alcançar seus objetivos.
Essa reunião acontece por meio de pessoas de todo o planeta com interesses comuns que se utilizam das redes para promover suas ações, compartilhar informações e experiências, resolver problemas profissionais, criar, inovar, lutar por causas etc. Essa nova forma de ação cooperativa chama-se produção colaborativa (peer production ou peering).
A produção colaborativa ou peering vem revolucionando comportamentos e os velhos padrões de participação. Ela pode ser definida como a produção coletiva por meio da interatividade e cooperação conjuntas, seja para fins particulares ou privados, ou para fins sociais e públicos.
O professor do IME-USP Imre Simon refere-se à “Common-based peer production” de Benkler como “Produção social”. Os grandes exemplos de produção social são o Wikipedia e o software livre, e caracteriza-se por ser alheia a mercados e hierarquias, e mediada pela internet.
Se antigamente os esquemas estruturais de relacionamento e participação em diversas instâncias sociais (no saber, na cultura, em empresas, na política) eram hierárquicas, custosas e de difícil realização, hoje em dia é cada vez mais horizontal, de baixo custo e acessível.
A produção social diferencia-se da “Produção proprietária” por ter custo de distribuição chegando a zero. Antigamente, o preço da informação estava diretamente relacionado ao preço de seu meio de distribuição. O seu suporte precisava ser refeito, apesar da informação permanecer a mesma.
Pessoas comuns e anônimas participam de processos de criação e inovação antes restritos a autoridades. A Enciclopédia Livre – Wikipédia é um dos casos mais notórios desse novo processo. Multilíngue, internacional, não requer pagamento para ser acessada. Qualquer um, especialista ou não, pode criar, modificar e ampliar os verbetes e artigos. Ela já rivaliza com as tradicionais Encarta e Enciclopédia Britânica.
Indivíduos trabalham de forma colaborativa em prol do bem comum, público, de liberdade contra os interesses apenas privados.
Por meio de blogs, sites, emails, as pessoas têm a liberdade de expor suas idéias e ideais, e promovem as suas mobilizações. Ativistas políticos, ambientais, sociais desenvolvem participações conjuntas através do ciberespaço.
Contra o monopólio das grandes corporações da informática temos o movimento do software livre que propõe a liberdade de uso de softwares e a possibilidade de alteração de suas configurações e aprimoramento por qualquer um.
Um dos precursores do software livre é finlandês Linus Torvalds que criou o sistema operacional Linux, permitindo o seu uso e modificações livremente.
Segundo Stein ( ): “...o software livre é uma grande aplicação (...) da produção social: os integrantes do projeto não trabalham pensando em remuneração, e se organizam de uma forma totalmente descentralizada, e , exatemente como prevê a produção social, o software é livre de custos, é totalmente gratuito.”
As empresas já perceberam a importância da produção em colaboração, contando com o trabalho não apenas de seus quadros internos, mas também de pessoas externas não necessariamente vinculadas a elas.
No início dos anos 2000, passando por séria crise, a mineradora de ouro canadense Goldcorp Inc. expôs em seu site informações sobre a empresa, antes sigilosas, e buscou apoio para soluções de problemas estratégicos de operação e produção. Ela contou com a colaboração de diversos profissionais do mundo inteiro, de diversas áreas do saber (inclusive, áreas que não contava em seu corpo profissional), resolveu tais problemas e voltou à lucratividade, como relatam Tapscott e Williams (2007).
A comunidade científica e acadêmica desenvolve projetos e pesquisas contando com a interdisciplinaridade e integração promovida pela rede. O Projeto Genoma Humano tinha o envolvimento de mais de 5000 cientistas, de 250 diferentes laboratórios, de países como Brasil, China, Estados Unidos, França, Japão e Reino Unido.
A colaboração se dissemina também por meio das diversas comunidades criadas na Internet. MySpace, Orkut, You tube, Flickr etc., são utilizadas para compartilhamento de arquivos, fotos, vídeos, idéias, divulgação e troca de informações entre as pessoas.
Embora o acesso a informática e as telecomunicações ainda seja restrito, ele cresce de forma vertiginosa à população mundial cremos que num futuro próximo todos possam partilhar e construir novas estruturas sociais positivas, com maior liberdade e equilíbrio humano e natural, através da colaboração que têm na conexão em redes virtuais um enorme potencial.